Minhas opiniões e publicações, expostas neste espaço, são reflexões acadêmicas de um cidadão-eleitor, publicadas ao abrigo do direito constitucional da liberdade de expressão

"Por favor, leia devagar." (Ferreira Gullar)

23 setembro, 2005

Obras Populares

O candidato-prefeito-de-São-Paulo José Serra começou a instalar “rampas de concreto ‘antimorador de rua’ em uma das extremidades da Avenida Paulista”, a obra consiste no chapisco do piso, tornando-o assim áspero e incômodo para os moradores de rua que tentem dormir no piso reformado.
As idéias normalmente possuem o tamanho de seus idealizadores, guarda em si toda a sensibilidade com que os mesmos tratam do assunto.
Nos mesmos padrões, no Rio e Janeiro, alguns prédios da Zona Sul da cidade passaram a instalar “chuveirinhos”, que consistem em canos de PVC ou mangueiras de borracha com pequenos furos, instalados nas marquises dos prédios. Ao serem ocupadas como abrigos noturnos pela população de rua, os porteiros abrem as torneiras e assim são expulsos os inconvenientes visitantes.
Sem dúvida nenhuma que viaduto não é casa e marquises de prédios não são abrigos, ferem a estética da cidade, sujam as calçadas chiques e, agridem os olhos dos que segregam e rejeitam o substrato de suas próprias riquezas.
O morador de rua é isso, dejeto e lixo, que ninguém quer na sua porta ou na conta de sua administração. São sub-pessoas, categoria abaixo da linha do admissível e aceitável até mesmo para os animais, devem ser repelidos e afastados do convívio urbano. Para onde vão? Pouco importa agora.
A sociedade “muderna” e progressista não admite a miséria que ela mesma gera, repéli seu lixo social produzido cada vez em maior escala. Envergonha-se de olhar seus pés de pavão e tenta colocar para baixo do tapete seus dejetos, por meio de propostas de esterilizações em massa ou mesmo através dos genocídios urbanos manifestados pela fome, violência física ou mesmo através de simples políticas de obras públicas ou condominais.
Nossa violência urbana consistente nas balas-perdidas, nos seqüestros relâmpagos, nos assaltos residenciais e noutras formas de manifestação, tem origem estudada e registrada em fenômenos sociais passados, que se a época fossem atacados com políticas corretas nos seus nascedouros, não teríamos chegado onde estamos agora. Não serão diferentes os resultados dessas práticas de “saneamento” social, as conseqüências ainda são incógnitas, mas com vetores muito claros da direção ao abismo. Até quando vamos fingir que existe um país paralelo e miserável, que até o cheiro nos incomoda, independente de nossa realidade?
Para inicio de campanha rumo ao Planalto, a idéia e realização do candidato-prefeito-de-São-Paulo José Serra, é um forte indicativo do que pensa o candidato sobre política social.
Foto:Yuri Bittar

3 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Seria mais fácil juntar todos em um grande e luxuoso navio e enviá-los para a costa da Louisana ou Texas ....

Marcelo Orlando disse...

é bem como vc falou mesmo... e acrescento que esse "lixo social" que "nós" produzimos, é o mesmo que atrai os "ratos" que em épocas de campanha política, prometem e prometem mudar esse quadro.... e tudo continua como era antes...

Alice disse...

Sabe Ozéas esse " din " todo que vira mensalão, propina , mensalinho, lanchinho e mais inhos, daria muito bem para programas sociais, moradia ,e aquilo td que estamos "cheios de saber" .
Houve uma época que a "minha vizinha Santos" ,sofreu um ataque de moradores de ruas, descobriram que na "alta madrugada kombis" de SP estava deixando,largando na cidade , na época do que agora ocupa "a sala vip da PF ".
Alguns voltaram para cidades de origem e outros depois de um " passeio á praia", foram devolvidos .