Minhas opiniões e publicações, expostas neste espaço, são reflexões acadêmicas de um cidadão-eleitor, publicadas ao abrigo do direito constitucional da liberdade de expressão

"Por favor, leia devagar." (Ferreira Gullar)

28 novembro, 2007

1º de dezembro, vista essa camisa

A Assembléia Mundial de Saúde, órgão da Organização Mundial de Saúde (OMS), escolheu em 1987 o dia 1º de dezembro como o dia internacional de luta contra a AIDS. O governo brasileiro através de uma portaria do Ministério da Saúde aderiu a idéia e a partir de 1988, o Brasil adotou a data como referência de combate à doença.

Embora os números globais o total de pessoas infectadas no mundo tenham aumentado em 2,5 milhões no ano de 2007, chegando a 33,2 milhões, isso representa uma queda significativa de 1 milhão de pessoas em comparação com o ano de 2006, conseqüente não do recuo da doença, mas de processo de revisão estatística de sua apuração.

Com maior número de infectados, o continente africano continua a frente nessa trágica concorrência, respondendo pela terrível cifra de 68% da população mundial, ou seja, 22,5 milhões de pessoas contaminadas pela AIDS vivem no continente mais pobre do mundo.

No Brasil de 1980 a 2007, segundo o Boletim Epidemiológico de 2007
(MS), foram notificados 474.273 casos de aids; o mesmo boletim indica sensível decréscimo da doença, apontando no ano de 2006, 17,5 casos para cada grupo de 100 mil pessoas, contra 22,2 casos, para cada grupo de 100 mil pessoas no ano de 2002.

O resultado desse satisfatório resultado nacional não é por acaso, é fruto de uma política de Estado e não de um governo, implantada no passado, quando o país resolveu encarar a doença e conscientizar a população dos riscos que corria, desenvolvendo campanhas, quebrando patentes internacionais para produção de medicamentos próprios, enfrentando os preconceitos culturais e a própria igreja católica.

Longe do ideal, mas no caminho, o enfrentamento da doença foi popularizado a ponto de virar marchinha de carnaval e a divulgação seu principal instrumento de combate, a “camisinha”, ser exibida em horário nobre como vestia momesca.

O preservativo é a grande indicação de prevenção, até porque não há outro remédio para se evitar a disseminação, diante daqueles que possam adquirir a síndrome através de relações sexuais, principal via de contágio. Acontece que a “camisinha” também tem seus inimigos de peso, figurando como seus detratores, de regra, os segmentos religiosos mais fanáticos, destacando-se, devido ao seu prestígio político/cultural, a igreja católica.

Com previsão de um grande encontro no Cristo Redentor no dia 1º de dezembro, vários segmentos da sociedade civil, religiosa e governamental, se reunirá para a lembrança da data conscientizadora, mas para isso acontecer, conforme “combinado”, não poderá haver referência ou distribuição de “camisinhas”, condição imposta pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, que no passado proclamou o cristo Redentor como “Santuário Católico”.

A propósito, trata-se de verdadeira apropriação indébita pela igreja, essa designação do “Cristo” como “Santuário Católico”, até porque o monumento é patrimônio tombado pelo município do Rio de Janeiro e pertence a sua população. Que pensam os senhores de Roma, ao designarem o monumento de “santuário” próprio?

Roberto Pereira presidente do Fórum Estadual de ONGs e AIDS do Rio, declarou que “Isso é um absurdo. Como os representantes do Ministério da Saúde aceitam fazer um evento no dia de luta contra a Aids sem falar da importância da prevenção? Sem fazer qualquer menção ao uso de camisinha? É contraditório, inaceitável” e completou, “O ministério não deveria aceitar essa imposição da Igreja. Seria melhor escolher outro local para o evento”.

A proibição não é admitida, mas é confirmada pelo Ministério da Saúde, que através de sua Diretora do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão informa que não haverá distribuição de preservativos ou atividades de prevenção no Cristo Redentor, afirma Mariângela que a igreja não proibiu o tema no Cristo, mas que “O ato será voltado para a solidariedade às pessoas que vivem com Aids. Será um evento ecumênico. O ministério jamais se furtou em discutir a questão do preservativo, mas há hora e lugar para tudo”.

A opção pela moralidade sexual é a única recomendada por Roma, como efetivo instrumento de proteção. A propósito, recomendo a leitura do artigo de Dom Rafael Llano Cifuentes,
”A atitude da Igreja dissemina a AIDS?”, onde como pérola de exemplo, o religioso cita Uganda, que teria recuado de 20% para 6% de contaminação de sua população, de 1999 a 2002, “em virtude de uma política sanitária centrada na fidelidade e na abstinência, não no preservativo”.

Destaque-se como referência religiosa, embora não tão radical, mais igualmente moralista, os segmentos evangélicos, que admitem o uso do preservativo, mas ressaltam: “Somos contra, não á camisinha, mas ao sexo desordenado que "indiretamente" está sendo incentivado pelas campanhas de prevenção á AIDS”. (
Site Sexo Cristão). Os evangélicos não encontram na camisinha o caminho ou a solução para o problema, mas ao menos não se posicionam na trincheira do inimigo.

Por fim, deve-se recordar a falsa e irresponsável afirmação do
Cardeal Afonso Lopez Trujillo, sobre o vírus: “O HIV é 450 vezes menor do que o espermatozóide. E o espermatozóide pode passar pela trama do preservativo”. A mentira foi combatida a tempo pela OMS, não causando maiores estragos na campanha internacional pelo uso da “camisinha”, mas deixou bem claro até que ponto a igreja é capaz de chegar.

Os dogmas religiosos devem ser respeitados, mas não podem ser usados para impedir que a mobilização mundial, que se faz permanentemente no combate a AIDS, seja contida ou ofuscada, por valores que não se igualem a vida. Toda forma de combater a doença é válida, não se admitindo a sonegação de uma de suas principais armas.

26 novembro, 2007

“Cheirosos”

Ontem após a leitura do post da Santa sobre os Chaveiros, comentei despretensiosamente, sobre os chamados “presos de confiança” e sobre os “presos arregados”, no final fiz uma pequena menção sobre a lei dos “cheirosos”, sem dar maiores explicações.

Essa expressão eu conheci ainda estagiário de Direito em 1982, quando atuava junto a Pastoral Penal da Arquidiocese do Rio de Janeiro, sendo seu responsável o padre
Bruno Trombeta (1927/2003).

Foi nessa época que conheci alguns presídios do estado, o de “Água Santa”, da “Frei Caneca”, o “Vieira Ferreira Neto” e o mais famoso de todos, o da “Ilha Grande”.
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Naquela época nosso trabalho era voltado para assistir aos presos já condenados, viabilizávamos junto a Vara de Execuções Penais os casos de indulto, comutação da pena e outros benefícios que tinham direito os detentos.

O padre Bruno Trombeta era famoso por ser um defensor dos direitos humanos, particularmente dos presos, que dizem ia além das previsões legais, contando-se inclusive uma lenda, que até debaixo da batina o padre Bruno tinha tirado gente da Ilha Grande. Mas uma coisa é certa, apesar de alguns “pecadilhos” do padre, a Pastoral Penal do Rio de Janeiro destacava-se pelo lugar de excelência em estágio e para mim, que vim a militar na área penal mais adiante, foi de grande valia.

O presídio da Ilha Grande, ou oficialmente, Candido Mendes, foi implodido em 1994, por ordem do Governador Leonel Brizola, a história do presídio remonta em 1891, quando o leprosário Lazareto foi transformado em cárcere político, mas essa história fica para depois, porque agora o que me faz escrever são as memórias de um “cheiroso”.

Recordo-me que na minha primeira visita ao presídio da Ilha, recebi recomendações interessantes dos advogados responsáveis pelos processos da Pastoral, como exemplos, não levar ou trazer correspondência desautorizada ou dar dinheiro aos presos, entre outras tantas de segurança, mas uma em especial chamava a atenção dos estagiários de primeira viagem, a recomendação de não levar sabonetes, perfumes, desodorantes ou qualquer outra forma de essência que regularmente pudéssemos usar.

A curiosidade quanto aos perfumes nos foi esclarecida como questão de segurança, explico, é que na alimentação dos presos, tinha entre seus componentes carnes secas e salgadas (peixe, porco ou boi), por outro lado, os presos eram proibidos de usar qualquer tipo de aroma, isso associado a poucos banhos, que quando tomados eram com sabão de côco, o que criava um cheiro especial, diferenciado, facilmente detectado pelo faro dos vira-latas responsáveis pela vigilância ao redor do presídio.

A propósito desses cachorros, quando chegávamos ao presídio, era um abano de rabo só, bem conheciam os animais os cheiros que deviam agradar, por outro lado, pude presenciar uns bons rosnados dos mesmos animais, quando se aproximavam alguns detentos de “confiança” para nos ajudar descarregando alguns materiais que transportávamos. Daí surge a expressão dita dentro do presídio, éramos os “cheirosos”. Assim, por mais que estivéssemos ali para levar ajuda na forma das nossas leis, não fazíamos parte de daquele mundo, que tinha suas leis próprias.

22 novembro, 2007

Pero no demasiado loco

“O Presidente da República considera terminadas a facilitação da senadora Piedad Córdoba e a mediação do Presidente Hugo Chávez, agradecendo-lhes pela sua ajuda”.

Com uma curta nota divulgada pelo seu porta-voz, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, dispensou a “ajuda” do neoditador venezuelano Hugo Chávez, da tarefa de intermediar a trocar 45 reféns, que estão em posse das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), por 500 guerrilheiros presos pelo estado colombiano.

Sob a alegação de ingerência em assuntos do estado, posto que apesar de solicitado diretamente por Uribe, que Chávez não contatasse diretamente os altos escalões de sua administração, particularmente seus generais, a intermediação foi suspensa porque o “convidado” tabulou diretamente, por telefone, com o comandante do Exército colombiano, o general Mário Montoya, ponderações sobre as negociações em curso.

A atitude desrespeitosa da soberania colombiana, não é nada perto do que Chávez é capaz de fazer, é um homem sem controle, sem modos ou respeito a qualquer outra autoridade internacional ou direito que não sejam os traçados em sua megalômana trajetória.

Através de 69 emendas constitucionais submetidas a questionável manifestação popular, em vias de vencer o plebiscito, que nas suas palavras aprofundará o "socialismo boliviariano", mas na verdade representará a possibilidade de sua perpetuação no poder, posto que ficará autorizado constitucionalmente a se reeleger quantas vezes quiser, bem como distribuir benesses e poder político aos seus aliados, Chávez se tornará absoluto e incontrolável.

Bem a propósito do tema, o Blog lembra através do artigo de
Carlos Alberto Montaner, publicado em outubro do ano passado, os verdadeiros propósitos desse ditador continental, que se forma livremente sobre nossos olhares.
LOS LOCOS TAMBIÉN MATAN
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Hugo Chávez construirá 20 bases militares en Bolivia. Las bases estarán situadas en las cinco fronteras de que dispone el país: Chile, Perú, Paraguay, Argentina y Brasil. Esas instalaciones quedarán bajo el control de militares venezolanos y cubanos en complicidad con los soldados bolivianos. Seguramente los cubanos tendrán pasaporte e identidad de Venezuela. No es fácil distinguirlos. Son parecidos hasta en las virtudes y defectos. El costo de los nuevos armamentos venezolanos ascenderá a treinta mil millones de dólares. Venezuela se ha convertido en el primer comprador internacional de armas y equipos militares.


El plan recoge un viejo sueño y una antigua concepción estratégica de Fidel Castro y Che Guevara: convertir a Bolivia, situada en el corazón de América Latina, en el bastión subversivo de Sudamérica. Esa convicción le costó la vida al Che en 1967. Es un país desde el que se puede desestabilizar toda la región andina alentando los conflictos étnicos. Es un país --pronto con bases adecuadas-- desde el que podrán operar los nuevos aviones de combate adquiridos por Chávez en Rusia. Supongo que los chilenos, primer blanco en la mirilla del coronel venezolano dispuesto a ''bañarse en el mar boliviano'', habrán tomado nota del enorme peligro que a medio plazo se cierne sobre ellos. (Leia mais)

21 novembro, 2007

Cambista Brasilis



Para aqueles que ainda não sabem, “sou tricolor de coração / sou de um clube tantas vezes campeão...” portanto, certamente no Blog do Ozéas não haveria nenhum comentário sobre outro clube carioca, menos por respeito e mais por princípio de torcedor fanático que sou, mas essa não deixos passar.

Acontece que com meu time já classificado para a Copa Libertadores da América de 2008, certame que pelo menos outros seis clubes ainda disputam uma vaga através do Campeonato Brasileiro de 2007, ficou meio sem graça a competição para o Fluminense, que mesmo campeão do torneio em curso não conseguiria mais do que já conseguiu ao ser campeão da Copa Brasil de 2007, a sonhada vaga para a copa internacional e, quem sabe, o passaporte para o campeonato mundial interclubes.

Assim, na falta do que fazer, ouvindo uma das intermináveis resenhas de futebol pelo rádio (AM), descubro um fato no mínimo inédito e com a cara do Brasil.

Explico, acontece que o time do flamengo (com letra minúscula mesmo), depois de ter conseguido chegar próximo da classificação para a Copa Libertadores da América, isso porque matematicamente tem chances de disputar uma de duas últimas vagas de classificação, resolveu mobilizar a sua torcida através de inteligente manobra de marketing esportivo, ou seja, apoiado na promoção da empresa suíça Nestlé, disponibilizou 32.730 ingressos de arquibancada para quem levasse uma lata do produto Neston, em troca de um dos ingressos.

Sem querer discorrer sobre a desorganização para a troca do produto pelo ingresso, que até agora ainda não aconteceu, muito pelo contrário, alguns torcedores já passaram duas noites sem sucesso nas filas que se instalaram nas bilheterias do Maracanã, o que mais me chamou a atenção foi o fato de que o farináceo Neston, custa em torno de R$ 5,00 nos supermercados, mas já apareceram nas filas de espera os mais malandros, que vendem a iguaria de 10 a 20 reais.
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Depois de ser denunciado recentemente um falsário pela internet, que já estava vendendo ingressos para os jogos da Copa de 2014 no Brasil, surgem esses novos especialistas de mercado, os “cambistas de latas”.

20 novembro, 2007

Qual o caminho?

“- O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde você quer ir, respondeu o Gato.
- Não me importo muito para onde..., retrucou Alice.
- Então não importa o caminho que você escolha, disse o Gato”.

LEWIS CARROLL
Alice no país das maravilhas

Acabamos de acompanhar o noticiário internacional que dá conta que uma mulher foi condenada ao açoite e a prisão após ser estuprada por uma gangue (O Globo). Nossas indignações ocidentais consumiram linhas e foram fartas em palavras contra a decisão da corte saudita, ficamos envergonhados pela cultura daquela sociedade que trata suas mulheres como verdadeiros animais dos séculos passados, até porque em nossa legislação pátria, é crime os maus tratos aos animais.

Nem tomamos fôlego diante da barbárie internacional e o país é atropelado pelo Estado violando a dignidade humana de uma suas mulheres.

Uma adolescente de 15 anos, acusada de furto, ficou presa numa cela com 20 homens por um mês. As justificativas passam desde a ausência de cela especial para mulheres na delegacia, até a dúvida quanto a real idade da jovem. (Portal G1)

Quando se tenta explicar o injustificável a coisa fica pior que já estava.

“Balinha” com incentivo fiscal

Não sou um “careta” nem faço parte das patrulhas de plantão, daqueles que procuram os “antigos” e verdadeiros caminhos da cultura, da arte ou da chamada boa música. Para quem gosta e para quem não gosta, dia 8 de dezembro estou lá no Maracanã, “The Police – Live in Rio”, cadeira azul lateral, cento e noventa “contos” bem gastos.

Sei que além das minhas caprichadas doses de Red Label e uns goles de “Sol”, o que fazer, mas é a cerveja patrocinadora do evento, também se farão presentes aos que gostam, o velho e antigo “baseado” e mesmo a própria cocaína, vilões que alegram a classe média nos shows de Rock and Roll, a propósito, muito bem denunciados em Tropa de Elite, filme hoje renegado pelo seu Diretor José Padilha, que prefere com suas declarações tomar um banho de creolina de esquerda e se purificar das acusações de fascista, mas isso é assunto para outro post, se me der vontade de falar.

Há muito tempo não vou a um show do tamanho esperado em The Police, até porque já tenho 47 anos e passei da idade de me contentar com purpurinas, espelhinhos ou efeitos digitalizados, que escondam a falta de talento de muitas das novas “descobertas”, ainda me surpreendo com o rock dos anos 70.

A propósito da faltas de talento e criatividade, me permito questionar os propalados eventos raves, chamo de evento porque se nomeio de festa, limito a uma casa ou bar, os PVTs "private" (festa privada), se chamo de show parece que tem alguém se apresentando, o que não é verdadeiro, até porque os únicos responsáveis pelo som que sai de dos equipamentos, são os DJ’s, meus conceitos de apresentação ainda não alcançaram tal grau flexibilidade.

Nas raves se dança ao som de música eletrônica, repetitivas e intermináveis, com compassos de marcação contínuos e hipnóticos. A música pode ser ouvida ao longo de 36 ou 48 horas, não sendo raros os casos de pessoas que permanecem durante todo o evento acordadas e “dançando” em frente a uma das gigantescas caixas de som, em movimentos contínuos e descontrolados, movido por um único combustível, metilenodioximetanfetamina (MDMA), o ecstasy.

Na definição do Wikipedia, o ecstasy é uma droga sintética que causa euforia e bem-estar, nada diferente nesse esse aspecto quanto a boa parte das drogas já inventadas e utilizadas, deixando outras curiosidades quanto a sua composição e efeitos para pesquisa do leitor, inclusive no próprio link destacado.


Volta e meia o noticiário retorna manchetes de violações sexuais “permitidas”, overdoses de ecstasy e do tráfico das “balas”, vulgo da droga na classe média. Notícias repetidas que durante cinco ou sete dias ganham destaques, quando não vira papel para embrulhar peixe um pouco antes, bastando que algum senador seja descoberto em mais uma imoralidade, para tudo ser esquecido e a classe média retornar ao seu estado de torpor natural.

Mas o post que já vai longe e começa a cansar, não é sobre gosto musical ou satisfação dos pequenos burgueses que querem destruir seus poucos neurônios restantes, o post quer chamar a atenção para a política de estímulo cultural do Estado do Rio de Janeiro, que através de incentivos fiscais pode atribuir a empresa patrocinadora do evento rave, isenção de até 5/6 do valor contribuído na forma de liberação de recolhimento de ICMS. Assim, quando a Skol, a Pepsi, a Philip Morris, a Red Bull entre outras hasteiam suas bandeiras, buscam mais que consumidores, buscam através de incentivos públicos a elisão fiscal. Conheça a matéria através do site da Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro.

Para melhor entendimento, exemplificando em números reais, a última rave de Armação de Búzios, em 22 de agosto, teve um custo operacional de R$ 280.000,00 para sua realização, ocorre que foram vendidos 4.000 ingresso, ao preço médio unitário de R$ 50,00, resultando assim uma receita de R$ 200.000,00. Com prejuízo que era aparentemente certo, estima-se que o lucro final do realizador do evento tenha sido na ordem de R$ 150.000,00. A fonte dos gastos é do próprio produtor do evento, que como bom “falastrão” volta e meia deixa escapar os números.


Observe-se que o lucro realizado é “estimado”, até porque não há instrumentos reais de acompanhamento desses ganhos, a bilheteria não emite cupom fiscal, os valores são escriturados pela produção do evento e não há fiscalização presente das Receitas, como também não são seguras as fontes quantos aos valores aplicados pelas empresas patrocinadoras que buscam a isenção de ICMS, ou seja, tanto no lucro apurado, quanto no valor patrocinado, é o próprio cachorro quem toma conta da salsicha.


Assim, o lucro obtido no final tem nome, “incentivo cultural” e o sobrenome “governo do Estado do Rio de Janeiro”, que através de uma política desconexa, por um lado patrocina com o dinheiro público a realização das raves e por outro, combate com um discurso demagógico e falacioso a realização dos mesmos eventos sob a alegação de serem encontros destinados ao consumo de drogas sintéticas.


Por fim, seria bastante interessante se verificar os borderôs dos eventos e nem precisa ser com lente de precisão, além das necessárias fiscalizações dos recolhimentos previdenciários e das garantias trabalhistas aos que participam dos circos, montados em grandes áreas, preferencialmente isolados e distantes do controle do poder público. Como também, que a Polícia Militar e a Delegacia de Repressão ao Entorpecente do Estado se fizessem mais presente nos eventos, afinal, ao que parece não falta interesse do Estado no assunto.

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Fotos: Blog do Ozéas - montagem rave de Búzios

15 novembro, 2007

"I'll be back"

Terminando a descontaminação

23 dezembro, 2006

É Natal!

Meus amigos sinto saudades de todos, agradeço o carinho demonstrado e informo que breve o Blog voltará a ser atualizado.

Retribuo as palavras gentis e imerecidas que me são dirigidas, elevando meu pensamento ao Pai em nome de cada um de vocês nesse Natal.

Também não poderia deixar de postar a oração que segue, para mim de autoria desconhecida, rogando que no ano que vem tudo seja melhor.

FELIZ NATAL!

"Pelo projeto político do deputado Clodovil
Pelo "espetáculo do crescimento" que até hoje ninguém viu
Pelas explicações sucintas do ministro Gilberto Gil
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Senhor, tende piedade de nós.
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Pelo jeitinho brejeiro da nossa juíza
Pelo perigo constante quando Lula improvisa
Pelas toneladas de botox da Dona Marisa
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Senhor, tende piedade de nós
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Pelo Marcos Valério e o Banco Rural
Pela casa de praia do Sérgio Cabral
Pelo dia em que Lula usará o plural
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Senhor, tende piedade de nós
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Pelo nosso Delúbio e Valdomiro Diniz
Pelo "nunca antes nesse país"
Pelo povo brasileiro que acabou pedindo bis
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela Cicarelli na praia namorando sem vergonha
Pela Dilma Rousseff sempre tão risonha
Pelo Gabeira que jurou que não fuma mais maconha
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela importante missão do astronauta brasileiro
Pelos tempos que Lorenzetti era só marca de chuveiro
Pelo Freud que "não explica" a origem do dinheiro
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Senhor, tende piedade de nós
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Pelo casal Garotinho e sua cria
Pelos pijamas de seda do "nosso guia"
Pela desculpa de que "o presidente não sabia"
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela jogada milionária do Lulinha com a Telemar
Pelo espírito pacato e conciliador do Itamar
Pelo dia em que finalmente Dona Marisa vai falar
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela "queima do arquivo" Celso Daniel
Pela compra do dossiê no quarto de hotel
Pelos "hermanos compañeros" Evo, Chaves e Fidel
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Senhor, tende piedade de nós
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Pelas opiniões do prefeito César Maia
Pela turma de Ribeirão que caía na gandaia
Pela primeira dama catando conchinha na praia
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Senhor, tende piedade de nós
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Pelo escândalo na compra de ambulâncias da Planam
Pelos aplausos "roubados" do Kofi Annan
Pelo lindo amor do "sapo barbudo" por sua "rã"
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela Heloisa Helena nua em pêlo
Pela Jandira Feghali e seu cabelo
Pelo charme irresistível do Aldo Rebelo
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela greve de fome que engordou o Garotinho
Pela Denise Frossard de colar e terninho
Pelas aulas de subtração do professor Luizinho
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela volta triunfal do "caçador de marajás"
Pelo Duda Mendonça e os paraísos fiscais
Pelo Galvão Bueno que ninguém agüenta mais
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela eterna farra dos nossos banqueiros
Pela quebra do sigilo do pobre caseiro
Pelo Jader Barbalho que virou "conselheiro"
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela máfia dos "vampiros" e "sanguessugas"
Pelas malas de dinheiro do Suassuna
Pelo Lula na praia com sua sunga
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Senhor, tende piedade de nós
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Pelos "meninos aloprados" envolvidos na lambança
Pelo plenário do Congresso que virou pista de dança
Pelo compadre Okamotto que empresta sem cobrança
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela família Maluf e suas contas secretas
Pelo dólar na cueca e pela máfia da Loteca
Pela mãe do presidente que nasceu analfabeta
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela invejável cultura da Adriana Galisteu
Pelo "picolé de xuxu" que esquentou e derreteu
Pela infinita bondade do comandante Zé Dirceu
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela eterna desculpa da "herança maldita"
Pelo "chefe" abusar da birita
Pelo novo penteado da companheira Benedita
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Senhor, tende piedade de nós
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Pela refinaria brasileira que hoje é boliviana
Pelo "compañero" Evo Morales que nos deu uma banana
Pela mulher do presidente que virou italiana
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Senhor, tende piedade de nós
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Pelo MST e pela volta da Sudene
Pelo filho do prefeito e pelo neto do ACM
Pelo político brasileiro que coloca a mão na "m"
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Senhor, tende piedade de nós
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Pelo Ali Babá e sua quadrilha
Pelo Gushiken e sua cartilha
Pelo Zé Sarney e sua filha
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Senhor, tende piedade de nós
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Pelas balas perdidas na Linha Amarela
Pela conta bancária do bispo Crivella
Pela cafetina de Brasília e sua clientela
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Senhor, tende piedade de nós
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Pelo crescimento do PIB igual do Haití
Pelo Doutor Enéas e pela senhorita Suely
Pela décima plástica da Marta Suplicy
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Senhor, tende piedade de nós
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Por fim, para que possamos festejar juntos os próximos natais
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Senhor, dai-nos a paz"

04 novembro, 2006

Monstros marinhos

Ainda travado na garganta o resultado eleitoral, o autor do Blog do Ozéas passou a ler um pouco mais, na tentativa de entender como a maioria de uma sociedade permite ser espoliada e tratada como gente de segunda classe, vivendo de benesses populistas ou as custas do aparelho governamental, enganada por poderosos que se apropriam do Estado em nome do povo.

O que mais incomoda não é o modelo econômico que restará provado como fracassado no final da estória, mas a moeda de troca nessa barganha eleitoral, pão por liberdade. É a vitória da presença máxima do Estado em detrimento do mínimo de espaço individual.

Quanto à liberdade e o Estado, texto bastante interessante é o de Michael Alexandrovich Bakunin, Deus e o Estado, nele o seu autor já em 1871 tecia considerações sobre a liberdade individual e alertava sobre os riscos do Estado como produtor do bem, o Blog segue reproduzindo duas reflexões do autor:

“Enfim, o homem isolado não pode ter a consciência de sua liberdade. Ser livre para o homem, significa ser reconhecido, considerado e tratado como tal por um outro homem, por todos os homens que o circundam. A liberdade não é, pois, um fato de isolamento, mas de reflexão mútua, não de exclusão, mas de ligação...”

“A revolta é muito mais fácil contra o Estado, porque há na natureza do Estado alguma coisa que leva à revolta. O Estado é a autoridade, é a força, é a ostentação e a enfatuação da força. Ele não se insinua, não procura converter: sempre que interfere, o faz de mau jeito, pois suas natureza não é de persuadir, mas de impor-se, de forçar. Inutilmente tenta mascarar esta natureza de violador legal da vontade dos homens, de negação permanente de sua liberdade. Então, mesmo que determine o bem, ele o estraga, precisamente porque ordena, e porque toda ordem provoca e suscita revoltas legítimas da liberdade; e porque o bem, no momento, da moral humana, não divina, do ponto de vista do respeito humano e da liberdade, torna-se um mal.”

01 novembro, 2006

Rompendo o silêncio

Nos negócios internacionais a escolha do foro para dirimir conflitos resultantes da relação entre os dois países envolvidos, de regra, é algum outro Estado estranho ao empreendimento, amigo comum e com regramentos apropriados às duas partes.

Celebrado algum contrato internacional, portanto, escolhe-se como instância mediadora ou arbitral, outro Estado, para que lá em melhor condição de neutralidade e com compromisso arbitral previamente firmado, em cláusulas satisfatórias aos envolvidos, possa-se chegar ao mais próximo do justo e do espírito do empreendimento.

Certas questões nos chamam atenção, particularmente quando a coisa fica tão evidente nos seus “paraguaçianos finalmentes”. A propósito das informações prestadas ontem pelo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, que esclareceu ser o foro competente para arbitrar eventuais conflitos relativos ao contrato assinado pela Petrobrás com a Bolívia, a justiça boliviana.

A justiça boliviana certamente não é a mais indicada para mediar, conciliar e principalmente arbitrar qualquer negócio entre o Estado de Evo Morales e a Petrobrás, a indicação prenuncia arremedo de justiça e entre outras argumentações, legitima qualquer medida futura de consolidação das expropriações.

Pergunta-se: é caso de má gestão ou de má fé?

29 outubro, 2006

11 outubro, 2006

Coerência...

Negar o apoio de Garotinho, ACM ou mesmo do Horcades (presidente do Fluminense), é pura ingenuidade política.

A hora é de vencer o jogo, virar o placar e marcar aos 45 do segundo tempo, com gol de mão, de preferência.

Do lado de lá ninguém nega voto, venha de onde vier.

"O Delfim é um dos homens mais fortes deste país. Não se elegeu deputado federal porque acharam que ele foi um traidor. Ele não foi eleito por vingança de um conjunto, de uma elite de São Paulo, porque ele defendia a nossa política"

“Ajuda o Sarney lá que eu preciso dele para me ajudar a continuar governando este país”

"Eu tenho plena consciência de que o Lula é um homem limpo e correto. O Lula teve coragem de demitir os seus melhores amigos, porque cometeram erros"

"Nesse quadro aí, em que nada se comprove contra Lula, voto em Lula"

09 outubro, 2006

Quem é o candidato?

Em 2002 votei nele, já fiz mea culpa, ajoelhei no milho, usei chapéu de burro, fique de cara virada para parede e escrevi mil vezes a frase, “prometo votar melhor nas próximas eleições, prometo votar melhor nas próximas eleições, prometo votar melhor nas próximas eleições, prometo votar melhor nas próximas eleições...”

Minha opção naqueles tempos pelo voto na esquerda (?), eram por um Brasil mais digno e por um país mais justo. Condenei com meu voto o entreguismo do PSDB nas privatizações; neguei legitimidade e continuidade na política do “é dando que se recebe”, patrocinadora da emenda da reeleição; condenei um ciclo de impunidades sabidas e não apuradas pelas obstruções palacianas e a influência direta de “FHC Primeiro e Único” para a não realização das devidas CPIs.

Votei no operário-meu-patrão com a plena consciência de meu ato, sabia que votava na esquerda, que por vezes derrapava nas curvas “esquerdistas” do PT, que a propósito, como diria o próprio Lênin, sofria da “doença infantil do comunismo”. Votei no apedeuta e me arrependo disso; votei na esperança de um Brasil melhor que não vi sequer nascer nos últimos quatro anos; votei pela ética e por tudo que representava a incansável luta daquele operário, que dizia ser diferente e faria do poder o instrumento transformador necessário, às praticas políticas viciadas que sempre dominaram o Estado brasileiro.

Errei, fui enganado, ludibriado, tungado, avacalhado, lesado, destituído de esperança, traído e sacaneado. Não posso reclamar, agora é tarde, só me resta reverter meu voto e tentar mudar aquilo que não me perdôo de ter contribuído. Queria a saída de FHC e fui contemplado, agora quero Sr. Geraldo Presidente e vou continuar insistindo nisso.

De caso bem pensado, o operário-meu-patrão no enfrentamento eleitoral estabeleceu seu inimigo de campanha, e esse não é o Sr. Geraldo. O apedeuta projeta seus ataques no passado e não fala do presente, oferecendo-se ao povo como verdadeira alternativa ao poder, criando uma cortina de fumaça, escondendo sua real condição de governo, ataca FHC como se esse ainda fosse o mandatário a ser destituído, posiciona-se com sagacidade e verdadeira malandragem no campo da oposição, quando lhe convém, e na hora dos louros vitoriosos de qualquer de seus projetos, se apresenta como transformador das antigas relações de poder. De maneira bastante escorregadia, pego com a boca na botija, inverte as questões éticas, dizendo que tudo começou lá trás com FHC e o PSDB, mas este já teve seu julgamento em 2002, quando não elegeu Serra seu sucessor escolhido. FHC não ocupa mais a cadeira de Chefe do Executivo, quem despacha no Palácio do Planalto agora é o operário-meu-patrão, ele é governo e a oposição é o Sr. Geraldo.

Se nos oito anos de governo do PSDB existiram falcatruas, mensalões e sanguessugas, o voto no apedeuta foi dado exatamente para não continuar a existir, no governo prometido da ética e decência do PT. Por tudo FHC foi julgado e pelo voto popular foi derrotado.

Agora o que vejo é o operário-meu-patrão se recusando a enfrentar seu real adversário político nessa eleição, o Sr. Geraldo, prefere o combate com aquele que já derrotou e conhece seus pontos fracos, FHC. Não vou votar no FHC, escolhi dessa vez o Sr. Geraldo por várias razões já postadas no Blog, portanto, não aceito que o debate político se de contra quem não é candidato.

02 outubro, 2006

Governabilidade, estabilidade e transformações


As reformas políticas, tributárias, previdenciárias e trabalhistas estão na pauta do próximo governo, não podem ser adiadas, o processo eleitoral e a vida partidária exigem incisões profundas, o Brasil precisa voltar a crescer, gera empregos, riquezas e melhorar sensivelmente sua distribuição. O que está em jogo é a governabilidade e a estabilidade do Estado.

As transformações que se fazem necessárias e urgentes, entretanto, só acontecerão se o chefe do executivo possuir legitimidade nas urnas, credibilidade da população e respaldo parlamentar. Para se modificar o Estado nos pontos indicados, não basta a lei, é necessário que sejam alterados diversos artigos da Constituição.

O operário-meu-patrão saiu derrotado já no primeiro embate eleitoral, qualquer que seja o resultado do segundo turno. Afirmo isso após conhecer a nova composição das bancadas no Congresso Nacional.

Reproduzo os números indicativos do Congresso, grifando os partidos que no pleito de 1º de outubro se apresentaram como oposição ao governo, demonstrando após, as reais dificuldades de governabilidade e a impossibilidade de modificação do Estado, numa eventual vitória do apedeuta no segundo turno.

Os números são os seguintes:

Bancadas no Senado Federal
PFL 18;
PMDB 15; PSDB 15; PT 11; PDT 5; PTB 4; PSB 3; PL 3; PRB 2; PCdoB 2; PP 1; PPS 1; PRTB 1.
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Bancadas na Câmara de Deputados
PMDB 89;. PT 83; PFL 65; PSDB 65; PP 42; PSB 27; PDT 24; PL 23; PTB 22; PPS 21; PV 13; PCdoB 13; PSC 9; PTC 4; PSOL 3; PMN 3; PRONA 2; PHS 1; PAN 1; PRB 1; PTdoB 1.

De forma prática, quanto a possibilidade de uma proposta governista de Emenda Constitucional, cito a fórmula contida no art. 60, § 2º da Constituição Federal: “A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros”.

Assim, dos 513 deputados que integram a Câmara, para que se possa aprovar uma EC, são necessários pelo menos 308 votos (3/5 dos deputados), em dois turnos de votação.

Se forem somadas somente as bancadas dos cinco partidos (grifados), que se apresentaram como oposição nessa eleição, encontramos o número de 217 parlamentares.

Subtraindo-se dos 513 deputados que totalizam a Casa, a bancada de oposição, 217, encontramos o número máximo de 296 deputados possíveis. Portanto, ainda que TODOS os demais membros da Câmara (296), venham a integrar uma ampla frente governista e, votem a favor da suposta EC, essa não passaria, faltariam pelo menos 12 votos.

Situação não menos grave também se registra no Senado Federal, onde a oposição montou uma bancada de 40 dos 81 senadores. Na mesma hipótese de EC, supondo que também TODOS os demais membros do Senado, não integrante dos cinco partidos indicados como oposição, votem em bloco com o governo, não passariam de 41, ou seja, 08 votos aquém dos necessários (49) para a aprovação da proposta naquela Casa do Congresso.

Equivocadamente dirão os defensores do amputado-fujão: “pelos números apresentados o Sr. Geraldo também não conseguiria alterar a estrutura do Estado, pela via constitucional”.

A vitória da oposição no segundo turno detonaria uma migração em massa do PMDB e outros partidos menores para a base governista do Sr. Geraldo, enquanto a recíproca não é verdadeira, a vitória do apedeuta não atrairia aqueles que já se declararam no canto oposto do ringue.

Portanto, qualquer projeto significativo de transformação passa pela oposição, fora dela não haverá avanços.

01 outubro, 2006

O primeiro turno já foi, agora é guerra total


Usando as próprias palavras dos derrotados, ou como diria a musa da esquerda, La Pasionaria , Dolores Iabarruri, “Non Passaran”.

29 setembro, 2006

O caminho das pedras

O Ricardo Berzoini queria tirar da web as fotos do dinheiro do PT, o TSE negou.

O propósito da quadrilha em esconder as imagens, talvez nem tanto pelo impacto da “grana”, que nessas horas realmente constrange o bandido que é pego na carreira, quem sabe, é mais pelas “cintas de segurança” que envolvem os reais apreendidos, todas da Caixa Econômica Federal.
Seria tão evidente assim o caminho pelo qual passaram os reais?

Ao que parece o banco deixou de ser social, há muito já se tornou o “banco do pessoal”.

26 setembro, 2006

Espada na Eleição

O titular do Blog do Ozéas é assinante do “Ex-Blog do Cesar Maia”, menos por convicções políticas e mais por informação.
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O alcaide da cidade do Rio de Janeiro, já nas primeiras horas de seu governo, posicionou-se contrário ao operário-meu-patrão, atitude que ganhou meu respeito e, pela forma contundente de suas declarações, por vezes até admiração.
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César, primeiro e único imperador perpétuo da cidade maravilhosa, além de hábil político, também é um entusiasta por números, gosta como poucos da arte de contar e projetar resultados, principalmente se estão relacionados a gestão e orçamento.
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Outra faceta do “prefeito maluquinho”, ao que mais parece ser um hobbie, pela forma efusiva que trata, é valer-se de seus estudos para análises das estatísticas eleitorais. César Maia desde o inicio da campanha presidencial, a mais ou menos cinco meses, afirmava que o apedeuta maior não resistiria ao processo eleitoral, sucumbiria diante do mar de lama, formado pela poeira vermelha existente no Planalto, misturada com a chuva de denuncias que cairia sobre sua cabeça.
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Crítico feroz da campanha morna que vinha sendo desenvolvida pelo Sr. Geraldo, que inicialmente mais parecia ser campanha para diretor de colégio confessional, de algum tempo vem tecendo elogios públicos à guinada de postura do principal candidato das oposições, conseqüentemente, vem comentando os índices cada dia mais favoráveis, que apontam o crescimento daquele único postulante à Presidência da República, com reais possibilidades de bater o operário-meu-patrão e sua quadrilha.
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Permita-me o blogueiro de primeira, Serjão, que toda semana indica o “bundão da semana”, em usar sua idéia de premiação, ainda que em reverso, e ofertar o título de “Espada na Eleição” ao prefeito do Rio de Janeiro, que nunca deixou de provar numericamente a tese da vitória oposicionista. César Maia aposta e dá como “favas contadas” o segundo turno, avançando na sua análise, aponta a derrota final do molusco amputado na segunda etapa do pleito.
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O Blog do Ozéas segue publicando na integra a mais recente análise de César Maia, enviada hoje por e-mail de seu “Ex-Blog”, quem tem dúvidas quanto ao merecimento da inédita premiação, tem a oportunidade de ler agora suas razões.
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"ALCKMIN x LULA !
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1. Os furiosos ataques de Lula contra sua equipe mostram apenas que ele já conhece os números das pesquisas regionais neste fim de semana. Na verdade ataca porque foram pegos em flagrante e não porque fizeram. Lula já foi informado que o segundo turno são favas contadas. E que se não se estivesse a cinco dias da eleição, o próprio resultado do primeiro turno poderia ser outro, pois daria tempo para os fatos chegarem a todas as camadas sociais e regionais. Por isso Lula a partir de ontem, faz uma tournée de programas de rádio, tentando evitar que isso ocorra ainda dentro do primeiro turno. E já começa a pensar o que será melhor: ir ou não ao debate na TV Globo.
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2. As pesquisas do fim de semana em cada Estado do Sul, S.Paulo e Mato Grosso do Sul, mostram Alckmin na frente uns 10 pontos. E se somado aos demais adversários de Lula, esta diferença ultrapassa 20 pontos. No Estado do Rio Lula ainda é salvo pela Baixada Fluminense, mas assim mesmo já ocorreria segundo turno. No centro-oeste a diferença a favor do segundo turno se amplia, assim como na Amazônia ocidental. Em Minas Gerais a diferença a favor de Lula diminui. E mesmo no Nordeste-Norte essa diferença não são mais os abissais 50 pontos. As pesquisas no fim de semana em alguns Estados mostram Lula mais perto dos 60% e os demais somados, mais perto dos 30%.
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3. Somando Nordeste e Norte, e aplicando essa diferença de 30% teremos 9% sobre o eleitorado nacional. O Sul, S.Paulo e Mato Grosso do Sul, juntos já descontam essa diferença. Em Minas Lula ainda tem 10 pontos de vantagem sobre os demais, ou 1% sobre o eleitorado total, numero superado pela diferença na soma do Centro-Oeste e Amazonia Ocidental.
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4. O que angustia e alopra Lula, é saber que essa é uma sangria que ainda não cessou e que se não for estancada no próprio primeiro turno, se pode ter uma surpresa inimaginável dez dias atrás. Basta para isso o interior do Nordeste ser atingido como tem sido o interior pelo Brasil afora. Esse é um fato novo já que a força maior de Lula -estava e está- no Interior. Lula que queria ser um candidato majestático a presidente, desceu do poleiro e está cacarejando pelas rádios regionais de maior audiência , constrangendo-as com o peso prometido da publicidade das estatais.
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5. O jogo do segundo turno já virou e Alckmin sabe que a possibilidade de virar ainda no primeiro turno, já não é mais uma utopia, embora continue a depender da velocidade e contundência com que os fatos cheguem ao Nordeste. Uma eleição morna, de repente esquenta. E como. Lula castiga sua equipe. Quer desesperadamente se desconectar da fiação petista que produziu esse curto circuito na campanha. Nunca a republica dos pelegos esteve tão angustiada, vendo seu estado arrecadador lhe fugir das mãos".

21 setembro, 2006

"Quadra psicodélica"

Mais uma vez o operário-meu-patrão não sabia de nada, os escândalos que assolam o país passam pelas portas vizinhas do gabinete presidencial, e ele se afirma ignorante completo dos acontecimentos. Repetem-se as indicações de envolvimento dos lideres do partido do governo nas “maracutaias”, e o apedeuta insiste na tese da máxima distância dos fatos.

O operário-meu-patrão afasta os envolvidos no crime de compra do dossiê, com conteúdo contrário aos seus principais opositores, incluindo na lista dos “contaminados”, até o nome de Ricardo Berzoini, presidente do Partido dos Trabalhadores e seu coordenador de campanha, mas não desiste do discurso negatório de participação.

Diante do Princípio da eficiência na administração pública, muito bem lembrado pelo Prof. Manoel Martins Júnior, não basta que ele não saiba para se eximir da responsabilidade, é necessário que ele como governante, se articule para não deixar que aconteça; diante do princípio da moralidade na administração pública, se souber, não basta que ele faça de contas que desconhecia, exige a Constituição que ele não seja conivente ao saber.

O Ministro do Supremo Tribunal Federal e Presidente do Tribunal Superior Eleitoral Marco Aurélio Mello, nova vítima revelada dos “arapongas”, consegue se indignar como nunca antes o fez, nem quando seu primo Fernando Collor de Mello encontrava-se enterrado no lamaçal das denúncias de corrupção: "Isso aí (o grampo) preocupa, mas revela a quadra que estamos vivendo", prossegue, "uma quadra que eu diria quase que psicodélica, com escândalos aflorando dia a dia. Quando imaginamos que todos já surgiram, surge mais um, e ficamos perplexos”.

Confesso aos amigos-leitores do Blog do Ozéas que não sei o que escrever, há dias tento traçar alguns comentários, que são por mim mesmo, sumariamente deletados por suas obviedades, o que dizer? O REI ESTÁ NÚ! Mas disso todos já sabemos. Recuso a bater na mesma tecla, me respeito o suficiente para não tentar convencer ninguém através do grito ou da insistência.

Finalmente, quanto aos escândalos me vem a lembrança o comentário de Arnaldo Jabor, que muito bem ironizou, ao dizer que no Brasil até o escândalo está desmoralizado.

12 setembro, 2006

La dolce vita

Imagine um belo final de semana na ilha de Comandatuba/BA, com deslocamento aéreo e marítimo, hospedagem em hotel de luxo, com campo de golf, esportes náuticos, livre consumação em qualquer despesa e no final da noite programação de eventos selecionados. Quanto custa o pacote? Nada, ou melhor, somente o seu compromisso de participar em horários criteriosamente escolhidos, de um seminário na sua área de atividade profissional.

Você aceita? Então venha para o melhor dos seminários jurídico da ocasião! Você não recebeu um convite oficial? Isso também não é problema, é só entrar em contato com o patrocinador do evento, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), com toda certeza você também será lembrado na próxima lista de convidados.

Se você ainda tem dúvidas sobre a qualidade das palestras, entre em contato com quem já participou e saiba de suas opiniões, entre eles, o Ministro Pádua Ribeiro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), também Corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além de quinze outros Ministros, também do STJ e mais 31 Desembargadores de sete estados.

A propósito, sobre o tema: “A pedido de dois conselheiros, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) vai discutir se aprova resolução proibindo juízes de viajar para participar de congressos com despesas de hospedagem e transporte pagas por entidades que tenham interesse em causas judiciais”.

A matéria foi publicada na Folha de São Paulo e reproduzida no site da Federação Nacional dos Policiais Federais – FENAPEF (
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