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"Por favor, leia devagar." (Ferreira Gullar)

20 novembro, 2007

“Balinha” com incentivo fiscal

Não sou um “careta” nem faço parte das patrulhas de plantão, daqueles que procuram os “antigos” e verdadeiros caminhos da cultura, da arte ou da chamada boa música. Para quem gosta e para quem não gosta, dia 8 de dezembro estou lá no Maracanã, “The Police – Live in Rio”, cadeira azul lateral, cento e noventa “contos” bem gastos.

Sei que além das minhas caprichadas doses de Red Label e uns goles de “Sol”, o que fazer, mas é a cerveja patrocinadora do evento, também se farão presentes aos que gostam, o velho e antigo “baseado” e mesmo a própria cocaína, vilões que alegram a classe média nos shows de Rock and Roll, a propósito, muito bem denunciados em Tropa de Elite, filme hoje renegado pelo seu Diretor José Padilha, que prefere com suas declarações tomar um banho de creolina de esquerda e se purificar das acusações de fascista, mas isso é assunto para outro post, se me der vontade de falar.

Há muito tempo não vou a um show do tamanho esperado em The Police, até porque já tenho 47 anos e passei da idade de me contentar com purpurinas, espelhinhos ou efeitos digitalizados, que escondam a falta de talento de muitas das novas “descobertas”, ainda me surpreendo com o rock dos anos 70.

A propósito da faltas de talento e criatividade, me permito questionar os propalados eventos raves, chamo de evento porque se nomeio de festa, limito a uma casa ou bar, os PVTs "private" (festa privada), se chamo de show parece que tem alguém se apresentando, o que não é verdadeiro, até porque os únicos responsáveis pelo som que sai de dos equipamentos, são os DJ’s, meus conceitos de apresentação ainda não alcançaram tal grau flexibilidade.

Nas raves se dança ao som de música eletrônica, repetitivas e intermináveis, com compassos de marcação contínuos e hipnóticos. A música pode ser ouvida ao longo de 36 ou 48 horas, não sendo raros os casos de pessoas que permanecem durante todo o evento acordadas e “dançando” em frente a uma das gigantescas caixas de som, em movimentos contínuos e descontrolados, movido por um único combustível, metilenodioximetanfetamina (MDMA), o ecstasy.

Na definição do Wikipedia, o ecstasy é uma droga sintética que causa euforia e bem-estar, nada diferente nesse esse aspecto quanto a boa parte das drogas já inventadas e utilizadas, deixando outras curiosidades quanto a sua composição e efeitos para pesquisa do leitor, inclusive no próprio link destacado.


Volta e meia o noticiário retorna manchetes de violações sexuais “permitidas”, overdoses de ecstasy e do tráfico das “balas”, vulgo da droga na classe média. Notícias repetidas que durante cinco ou sete dias ganham destaques, quando não vira papel para embrulhar peixe um pouco antes, bastando que algum senador seja descoberto em mais uma imoralidade, para tudo ser esquecido e a classe média retornar ao seu estado de torpor natural.

Mas o post que já vai longe e começa a cansar, não é sobre gosto musical ou satisfação dos pequenos burgueses que querem destruir seus poucos neurônios restantes, o post quer chamar a atenção para a política de estímulo cultural do Estado do Rio de Janeiro, que através de incentivos fiscais pode atribuir a empresa patrocinadora do evento rave, isenção de até 5/6 do valor contribuído na forma de liberação de recolhimento de ICMS. Assim, quando a Skol, a Pepsi, a Philip Morris, a Red Bull entre outras hasteiam suas bandeiras, buscam mais que consumidores, buscam através de incentivos públicos a elisão fiscal. Conheça a matéria através do site da Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro.

Para melhor entendimento, exemplificando em números reais, a última rave de Armação de Búzios, em 22 de agosto, teve um custo operacional de R$ 280.000,00 para sua realização, ocorre que foram vendidos 4.000 ingresso, ao preço médio unitário de R$ 50,00, resultando assim uma receita de R$ 200.000,00. Com prejuízo que era aparentemente certo, estima-se que o lucro final do realizador do evento tenha sido na ordem de R$ 150.000,00. A fonte dos gastos é do próprio produtor do evento, que como bom “falastrão” volta e meia deixa escapar os números.


Observe-se que o lucro realizado é “estimado”, até porque não há instrumentos reais de acompanhamento desses ganhos, a bilheteria não emite cupom fiscal, os valores são escriturados pela produção do evento e não há fiscalização presente das Receitas, como também não são seguras as fontes quantos aos valores aplicados pelas empresas patrocinadoras que buscam a isenção de ICMS, ou seja, tanto no lucro apurado, quanto no valor patrocinado, é o próprio cachorro quem toma conta da salsicha.


Assim, o lucro obtido no final tem nome, “incentivo cultural” e o sobrenome “governo do Estado do Rio de Janeiro”, que através de uma política desconexa, por um lado patrocina com o dinheiro público a realização das raves e por outro, combate com um discurso demagógico e falacioso a realização dos mesmos eventos sob a alegação de serem encontros destinados ao consumo de drogas sintéticas.


Por fim, seria bastante interessante se verificar os borderôs dos eventos e nem precisa ser com lente de precisão, além das necessárias fiscalizações dos recolhimentos previdenciários e das garantias trabalhistas aos que participam dos circos, montados em grandes áreas, preferencialmente isolados e distantes do controle do poder público. Como também, que a Polícia Militar e a Delegacia de Repressão ao Entorpecente do Estado se fizessem mais presente nos eventos, afinal, ao que parece não falta interesse do Estado no assunto.

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Fotos: Blog do Ozéas - montagem rave de Búzios

2 comentários:

Star disse...

Ozéas, também não me importo com os jovens que cozinham seus parcos neurônios, nossa geração conheceu as drogas e como dizia meu pai, a dele também. Tive inúmeros amigos que usaram todas, os que ficaram vivos, ainda pagam o preço, tem um preço, tudo na vida tem, mas... Agora, incentivo do Estado pra promover "isso"...
Vou procurar saber se em São Paulo o Estado também incentiva "isso".

Anônimo disse...

Pooo pod se até usar drogas em raves, mais lhe pergunto: onde ñ se usa?? um exemplo classico são nossas prisões. Na rua, na praia, na favela(sem comentarios), em qlq lugar! Agora vem julgar as raves por causa disso...k d um tem sua kbeça e sab mto bem o q eh errado q o eh certo!! Por causa de meia duzia de pessoas q usam drogas as pessoas ja kerem generalizar...pelo amor de deus!! apos q vc q posto isso nunk foi numa rave!! ih se foi acho q num eh legal e fica flando besteira na net!! por favor!!! vem fla q so tem drogado!! po mta gente vai pra curti a festa!! mta gente vai pq gosta do som, e ñ precisa necessariamente ficar colado na caixa de som!!

vai curti seu bar, sua vidinha futil d ser!! e deixa as raves pra kem gosta!!

abs