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"Por favor, leia devagar." (Ferreira Gullar)

12 março, 2006

Não é a solução


Lendo a matéria publicada na coluna da jornalista Lillian Witte Fibe (é só clicar no nome), sobre a questão da tomada dos morros cariocas pelo Exército, me aproximo mais do desalento quanto a segurança pública, que da suposta tranqüilidade que estão propalando por ai, depois que a operação militar começou.

A matéria ataca o ponto principal da questão. A ocupação militar não é sinônimo de segurança pública, mas sim de confronto. A mim mais parece uma daquelas brigas de rua, em que o irmão mais forte é chamado as pressas e vem para rua em defesa de seu dileto caçula, dá uma surra pontual no menino maior e depois vai embora. O que será do caçula quando seu defensor voltar para casa?

Defendem os mais exaltados uma ocupação permanente, mesmo após a recuperação dos dez fuzis e da pistola, roubados de dentro de uma unidade militar do Exército. Argumentam os imediatistas de plantão, que a ocupação das favelas e fechamento dos pontos de acesso ao Rio de Janeiro reduziu significativamente os índices de criminalidade na cidade. Mas até quando?

A convivência das Forças Armadas com a população civil nos moldes da operação desencadeada, pode até inicialmente dar certo, representando um aumento de simpatia do cidadão ordeiro e trabalhador para com essa política de sufocamento do crime organizado, mas até quando se aceitará o toque de recolher, as revistas sumárias, as detenções nas entradas dos morros para averiguações, a ordem unida para saída e chegada ao trabalho?

Não é esse o trabalho das Forças Armadas, não é e não deve ser. Expor os garantidores da integridade nacional aos conflitos criminosos de uma cidade é chamá-los à corrupção e a parceria com o crime. A história prova que o envolvimento das Forças Armadas em segurança pública nunca deu certo, sob o ponto de vista de cidadania e efetividade.

Admitindo a hipótese da permanência do Exercito no patrulhamento diário da cidade, ficarão outras interrogações: como reagirá a sociedade diante de eventuais derrotas da Força diante desse inimigo que não tem regras ou manuais para seguir? Quais serão as medidas de revides afirmativas de sua supremacia? Quais serão os limites na imposição de suas teorias de paz e tranqüilidade?

No Rio de janeiro existe um “bicheiro”, de carteirinha, sentença transitada em julgado e confirmação social, chama-se Ailton Jorge Guimarães, conhecido pelo vulgo de “Capitão Guimarães”. A patente do contraventor não é fictícia ou de indicação jocosa, é fruto de sua carreira militar no Exército brasileiro. Na ativa durante a ditadura militar de 1964, o “Capitão Guimarães” se envolveu com diversas práticas criminosas e contravencionais e, valendo-se de sua farda e “imunidade” quase que absoluta, articulou com o crime organizado da época para enriquecer. Um dia descoberto e preso, foi expulso da corporação, perdeu a patente de oficial e foi colocado de volta à vida civil. Já era tarde, os tentáculos do crime organizado já o tinham cooptado, ele se tornou mais um deles. Quem quiser ver o “Capitão Guimarães” em pessoa, é só ligar a televisão durante os desfiles das Escolas de Samba no Rio de Janeiro, ou fazer uma visitinha na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, entidade da qual participam outros “bicheiros” e da qual ele é presidente.

6 comentários:

Vera disse...

Mestre Ozéas: acabo de postar uma entrevista imperdível do R Jefferson "Okamotto. É o Fiat Elba de Lula", grata pela visita. :-) Bjs de fãzona.

Gusta disse...

Teria o Capitão Guimarães recebido aulas dos terroristas presos na Ilha Grande, que ensinaram o beabá de guerrilha para os marginais???

Nat disse...

Ozéas,

Confesso que ainda não tenho opinião formada sobre o tema. Não seria melhor uitilizar o exército para um patrulhamento mais eficaz de nossas fronteiras? Secando a fonte, talvez tivéssemos alguma esperança.

Grande abraço!

Blogue da Magui disse...

Qd aperta o cerco no Rio sobra para o ES. Desde Brasil col�nia.Estamos preocupados.se demorar mt vai come�ar o aue aqui.
Esse Capitao Guimaraes manda por aqui .Ele esteve preso e mesmo assim mandou matar dois ou tres comparsas daqui que o deduraram.

Alice disse...

Olá OZéas :) .
Eu estou matando um leão por dia , antes que ele me mate .
Estou numa corrida louca ,mas prometo voltar a postar e visitar todos vcs .
Tenham paciência comigo .
Com carinho, bjins .

Santa disse...

Ozéas, fiquei preocupada! Porque tantas horas de trabalho??

Quanto ao post (por sinal muito bom)acho que é mais uma manobra do governo pra dizer que atua fortemente contra o crime. Nada mais lamentável ver o exército brasileiro na barricada pra recuperar meia dúzia de armas.

Viu no Fantástico:
"uma operação de alto risco que não tem precedente... Pela primeira vez na história do Brasil..."

Onde vc já ouviu este discurso?