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"Por favor, leia devagar." (Ferreira Gullar)

25 fevereiro, 2006

Leviandades

“Em março de 1994, a mídia paulistana denunciou seis pessoas por envolvimento no abuso sexual de crianças alunas da Escola Base, no Bairro Aclimação, em São Paulo. Baseou-se em fontes oficiais (polícia e laudos médicos) e em pessoas próximas (pais de alunos). O fato simplesmente não existiu, mas a mídia, em vários momentos e veículos, exagerou e liquidou projetos profissionais e pessoais dos acusados, todos mais tarde inocentados. Houve um jornal que não entrou na cobertura: o Diário Popular. Por isso, recebeu acusações de estar com o "rabo preso" à Escola e aos envolvidos e ocultar informação de interesse público”. Leia Mais
Acusações levianas e descabidas destroem imagens, famílias, patrimônios e não raras vezes, tiram a vida dos inocentes apontados.

Assim foi também com um dos personagem mais polêmicos da música popular brasileira, o cantor Wilson Simonal. Descoberto por um produtor famoso na década de 60, Carlos Imperial, a carreira de Wilson Simonal entrou em declínio a partir de 1972, quando foi acusado de delação e colaboração com o regime militar. Seus discos dessa época ficaram marginalizados, e seu nome passou de ídolo a traidor. A “pilantragem”, que era seu estilo, acabou virando seu maior defeito. O artista sempre negou todas as acusações, morreu negando, mas ninguém acreditava na sua palavra.

O patrulhamento ideológico associado a mentirosas acusações provoca estragos irreparáveis, e caso do Simonal é mais um desses, o verme destruidor da patrulha se encarregou de destruir a carreira e a vida pessoal do artista, que durante todo o “processo” acusatório não tinha outra coisa a fazer senão negar as acusações de seus detratores. Afinal, até mesmo por uma questão lógica, provar que não fizemos alguma coisa é quase impossível, devemos nos defender sempre de acusações concretas e respaldadas em um lastro probatório mínimo, que justifique tal imputação.


A propósito, vítimas das patrulhas esquerdistas nunca faltaram e Simonal foi mais uma num rol incalculável de nomes. Mais recentemente na história ainda podemos lembrar de Marília Pêra e Regina Duarte, que por apoiarem respectivamente as candidaturas de Fernando Collor e José Serra, foram execradas pela classe artística, pela mídia em geral e afastadas dos holofotes globais, o que representou quase a morte das artistas, que sempre viveram dos contratos de exclusividade com aquela emissora, tudo por não concordarem com as idéias dominantes no mundo artístico. Equivocadas ou não em suas posições políticas, não foram respeitadas pelos democratas de ocasião.



Pois bem, hoje lendo o noticiário, descobri que tardou, mas não falhou, a verdade veio à tona mais de trinta anos depois e foi reparado um erro histórico, que marcou a pessoa e a família do cantor Simonal. O Globo publicou na sua versão on line a seguinte matéria:


OAB: Wilson Simonal não era ‘dedo-duro’
Francisco Leali - O Globo
BRASÍLIA - Processo na Ordem dos Advogados do Brasil instaurado em 2002 concluiu que eram descabidas as suspeitas de que o cantor Wilson Simonal, já falecido, era colaborador do regime militar. Segundo nota divulgada neste sábado pela OAB, levantamento nos arquivos do extinto SNI atestaram que Simonal não era "dedo-duro", como o cantor chegou a ser acusado.
A Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) da Ordem dos Advogados do Brasil examinou documentos do antigo SNI, da Polícia Federal, recolheu depoimentos de pessoas que conviveram com Simonal e analisou material jornalístico do começo dos anos 70. Em 1972, Wilson Simonal foi acusado de participação em um seqüestro e de ter delatado aos órgãos repressores do governo militar uma série de pessoas ligadas ao meio musical. O cantor sempre negou ser um colaboracionista. Simonal completaria neste domingo 67 anos de idade.
- A Comissão não é um tribunal para decidir sobre a questão formulada, mas proferiu sua conclusão baseada na força moral da OAB, entidade à qual se vincula - explicou o então conselheiro federal Rogério Portanova (SC).

Fica somente uma final pergunta: Quem foram os (ir)responsáveis que destruíram a carreira e a vida de Wilson Simonal?

12 comentários:

Marcos disse...

Caro Ozeas:

Muito boa a matéria, o caso da escola base é exemplo também de incompetência profissional da polícia de São Paulo, um dos principais algozes dos "inocentados" acusados do caso foi a Televiso "Aqui e Agora" um folhetim popular que passava no SBT e batia records de audiência, contra eles nada como sempre, já Simonal fica a pergunta : E se ele realmente não gostasse da esquerda (me parece que era apolitico)? era o suficiente para plantarem esta história?, mas citando o mestre Lenin: "O fim justificam os meios" não é, abçs e bom domingo para você

Nat disse...

Ozeas,

Excelente post! A patrulha ideológica esquerdista age em todos os lugares, não só no meio artístico. Tentaram destruir José Guilherme Melchior no passado e mais recentemente, Eduardo Jorge. Elba Ramanho se disse contra a transposição do velho Chico e está sendo boicotada na Paraiba.São tantos os exemplos...

Grande abraço!

Vera disse...

Mestre Ozéas: fiquei indignada pelo coitado ter sofrido e só agora, após sua morte é que nos revelam tal crueldade. É cruel demais!. :-) Bjs
P.S.: O negócio da China foi bem linkado! rsrs. Mais Beijos.

Alice disse...

Olá Ozeas já volto para comentar , mas agora convidando vc e a todos os amigos da Elaine , tem festinha prá ela no Alice ,pelo seu aniversário .
Brigada .

Lata Mágica disse...

Boas noticias amigos, conhecemos o Jornalista e Fotografo Paul Sullivan, que está no Recife para prestigiar o projeto Porto Musical. Ele levará nosso material fotográfico para uma exposição em Londres.

Agradecemos o apoio e incentivo de vocês.

Odilene & Willam

Serjão disse...

Ozeás...Que postagem! No caso do Simonal não tenho elementos para ter um juizo de valor. Sei que o Nélson Motta no seu "Noites cariocas" desmente esta estória. Também é comovente a batalha dos filhos Simoninha e Max de castro para limpar o nome do pai tanto musicalmente quanto politicamente. No caso da escola vc lembrou bem. Talvez eu seja um pouco ingênuo mas eu olhava aqueles japoneses e pensava com meus botôes "Essa gente não tem pinta disso, meu Deus" Sinceramente não me admirou eles serem inocentes. Mas, como vc disse o estrago estava feito e até a escola parece que foi depedrada e incendiada. Um absurdo que quando eu lembro me dói o coração de pena. No casos das artistas que vc citou foi até pior pois o que aconteceu foi cerceamento do direito de expresão. Já que não pensavam como os petralhas, porrada nelas. Outro absurdo. Mais uma vez, grande postagem. Um abraço
Em tempo: Também não sou muito chegado aos portenhos também não. Mas reconheço que eles têm algo que preste como o chorizzo no "La Estancia". Na música baiana já é mais difícil encontrar algo de bom. Abraços.

Santa disse...
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Santa disse...

Todo e qualquer cerceamento a livre expressão é hediondo.

No caso da Escola foi terrível:julgados por um crime que não cometeram, eram pessoas comuns e não tinham a mídia a seu favor. O Estado deve pagar pelos danos,o que não é fácil, geralmente recorre para não reconhecer o erro.

Bjs

Alice disse...

A midia é td ,tanto para levantar , como para acabar com a vida das pessoas . Agora cade as mães que acusaram ? cade os jornais ? o Delegado ? E no caso das atrizes aposto que tem muita gente ,que deve estar arrependido de pedra .
Qto ao Simonal , sinto deve ser duro , ter de provar o que não fez .
Vamos ver quem será a próxima vítima de midia ou melhor quem a midia vai levantar , colocar goela abaixo para engolirmos .
Bom dia
Beijo

Nemerson Lavoura disse...

Ozeas, este post está soberbo.
Aliás, você é um caso que deveria ser estudado pela ciência: é tricolor, mas é inteligente. :)
Abraços.

Elaine disse...

Ótimo post amigo!
O que aconteceu com a escola base foi um absurdo! É impressionante a capacidade da mídia de arrasar com as pessoas mesmo sem as provas, por outro lado, tão grave ou mais grave quanto a mídia, foi irresponsábilidade dos investigadores e a da própria justiça que permitiram o achincalhamento do donos da escola sem as devidas provas para o andamento do processo. Esse foi um caso de verdadeira vergonha para o nosso país.
Quanto aos artistas citados acho que não preciso me aprofundar tendo em vista que estamos vendo com esse atual des(governo)o que eles são capazes!
Que Deus nos livre dessa gente o mais rápido possível!
Sds...Elaine Paiva

Walter Carrilho disse...

O casa da escola base tem uns lances que parecem d epiada. O advogado dizendo que a prova do crime é a própria existência do inquérito, por exemplo...nem a de papagaio é tão absurda...

É bom alguém lembrar essas histórias. O dono da escola base agora tem uma copiadora xerox e tem uma cara amargurada...Viva a imprensa, né?
abs