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"Por favor, leia devagar." (Ferreira Gullar)

29 setembro, 2010

O difícil voto majoritário

Tenho ouvido muita gente boa dizendo que está sem opção para votar, é verdade, as candidaturas majoritárias postas para ganhar e perder, com honradas exceções ideológicas, basicamente reproduzem o mesmo discurso, afinal, qual a diferença das palavras da Dilma para o Serra, e Marina então, onde está a marcante diferença esperada?

No âmbito estadual, Cabral corre solto pela raia de dentro, afinal, os “nanicos” radicalizaram no discurso, mas não conseguiram convencer e reverter uma tendência de dominação, moldada inteligentemente já há bastante tempo, além do que a prévia indicação midiática dos escolhidos à competição de fato, destruiu qualquer tentativa de conscientização política que se pretenda.

A propósito, pode até não parecer, mas para muitos partidos que estão no pleito o mais importante é a divulgação de suas idéias e propostas que qualquer expectativa de vitória, portanto, quando se alija do debate político partido ou candidato, se diminui a amplitude da proposta democrática, o que não por coincidência, favorece ao status quo.

Ao Senado dois votos, ai fica um pouco, só um pouco, mais fácil a escolha, dá para votar com alguma identidade mais assumida, o discurso tem que fugir das questões domésticas e os candidatos, ainda que não queiram, se oferecem mais ideológicos, embora as máquinas estadual e federal esteja queimando “combustível aditivado”, de um lado o “lindinho” é o menino “dela”, no outro lado da aliança o “coroa” é o apoiado pelo garotão, correndo por fora, vivendo do passado e querendo valer o ditado “a Cesar o que é de Cesar”, um provável azarão.

Quanto ao voto proporcional, Deputados Federais e Estaduais, cada vez mais o eleitor aplica o voto regional, a representação se municipaliza eleição após eleição, os candidatos se oferecem às suas bases centralizadas em cidades específicas, ou se valem de práticas “coronelistas”, garimpando votos com prefeitos afilhados e aliados pelo interior. O voto distrital, puro ou misto bem poderia facilitar ou legitimar o que o eleitor já vem realizando na prática, mas a pauta da reforma eleitoral não comporta discussão tão ameaçadora.

As propostas dos candidatos ao executivo (estadual e federal) são estranhamente coincidentes, acompanhe-se apológicas manifestações de continuidade e manutenção de certas políticas públicas, das Unidades de Polícia Pacificadoras - UPP, Lei Seca, novos ou aparelhamentos de Unidades de Pronto Atendimento - UPAs, de escolas e tantas outras do gênero, para cada vez mais se ficar convencido que o discurso é o da gestão, ou melhor, da falta de gestão.

Assim, a questão da governabilidade é posta em plano principal, a tecnologia de governo é que dará realização e plenitude aos ideais de segurança, justiça, oportunidades e tudo mais, o que está errado não é a sociedade, suas desigualdades agudas, suas lutas de classes, o que falta é gestão e obviamente, todos se oferecem igualmente competentes.

Para nossos futuros governantes, por exemplo, a violência está associada à ausência de Estado, prosseguindo ao final desse raciocínio, quanto mais Estado presente (polícia) mais segurança, menos violência; não precisa se pensar muito para concluir que essa proposta desembocará, não muito longe, num Estado policial, autoritário e truculento.

Aplicando o mesmo raciocínio, quanto menos álcool, menos mortes, quanto mais empresas, mais trabalho, quanto mais escolas mais empregados e assim por diante. Os indivíduos, as causas, a organização social, as relações, o modelo político e econômico não influem nos resultados, ou seja, não há fatores, o mundo da vida não existe, o que há são "coisas" a serem geridas; todos os discursos no final se confundem e justificam a confusão dos eleitores.

Não há relações entre os seres humanos e as coisas, o que há são relações entre homens e homens (sentido lato). As "coisas" foram feitas para ser possuídas, dominadas e alteradas conforme a vontade do ser humano, “coisificar” as pessoas como técnica, acreditando que as questões políticas passem por mera gestão dessas é transformá-las em objetos, onde os candidatos se oferecem e se preparam à futuros proprietários de seus eleitores.

Um comentário:

Patrick Adm disse...

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