Minhas opiniões e publicações, expostas neste espaço, são reflexões acadêmicas de um cidadão-eleitor, publicadas ao abrigo do direito constitucional da liberdade de expressão

"Por favor, leia devagar." (Ferreira Gullar)

08 dezembro, 2007

Vamos comemorar?

Terça-feira vou estar presente ao evento comemorativo do 59º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, patrocinado pela Subseccional da OAB de Niterói/RJ. Na qualidade de coordenador do Curso de Direito, é meu compromisso fazer o Centro Universitário representado, até porque o UNIPLI é uma das instituições patrocinadoras.

A propósito do tema Direitos Humanos, este se vincula umbilicalmente ao conceito de segurança e sua atuação, que por sua vez deságua nos cárceres, representação da vergonha social, que teremos que justificar um dia aos nossos sucessores.

Durante muitos anos no Brasil se mentiu para a sociedade, atribuindo-se inicialmente o monopólio da violência aos governos militares, que sem dúvida em muito contribuíram para manchar com sangue, as páginas da história do país em seus porões, como também o fez a guerrilha em lado oposto.

Mais tarde, já com governantes eleitos pelo voto direto, o “modelo” continuava apontado pela oposição, como o grande culpado pelas mazelas da segurança e do desrespeito aos direitos humanos, entretanto, nada como o tempo e a história para dar a cada um o que é seu.

Quando na oposição, em todas as oportunidades, a esquerda exigia a modificação do “modelo” racista, excludente de cidadania, preconceituoso e ineficiente, que era atribuído aos governos instalados pela burguesia liberal, como se as práticas atacadas fossem verdadeiros projetos de estado.

No momento que se comemora o 59º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a barbárie continua, ontem mesmo foi destaque nos
jornais a agressão sofrida pelo estudante Ferúcio Silvestre, de 19 anos, após sair de uma boate gay, portanto, a violência permanece, independente do rótulo de esquerda ou direita seus governantes.

Também foi destaque recente a história da jovem que ficou presa durante um mês com mais de 20 homens numa cela, como não poderia se esperar diferente, foi estuprada e diminuída a menor condição humana. Após essa absurda revelação, aflorou que o caso não era isolado, muito pelo contrário, era mais comum do que parecia no estado do Pará, governado por uma mulher “de esquerda”. Na Bahia, tal como no Pará, também sob a administração de um governo de esquerda, petista, apareceram denúncias imediatamente abafadas, dando conta que mulheres também dividiam celas com homens, em total desrespeito a dignidade da pessoa humana.

Para não dizer que as violações ao princípio constitucional, contido já no art. 1º, I da Carta Magna, é prerrogativa petista, seus aliados também andam aprontando, exemplo foi a denúncia dos acorrentados em Santa Catarina
(Portal G1), que para mim ficou muito bem resumida na frase da delegada Andréa Pacheco, responsável pela cautela dos presos: "Ou eu amarro no pilar ou eu solto. Não tem alternativa. Levar para casa é que eu não vou".
Na semana que se comemora o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, chamo a atenção aos mais recentes acontecimentos, para finalmente concluir através da foto de Luiz Morier, publicada no JB em 1982, que em 25 de anos nada mudou, não importando quem está no poder ou a ideologia que representa.

5 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Concordo em toda a linha só faltou citar as regras para passar a mão na cabeça de sujeitos como os que arrastaram o guri aí no Rio.

Santa disse...

Ozéas,

Como sempre os grandes temas com profundidade e conhecimento de causa. Beijos.



OS: não tem link para o teu blog nos comentários lá...

Dayse disse...

Cheguei aqui através do Blog da Santa. Estou impressionada! Parabéns pelo texto.

Saramar disse...

ozeas, na realidade, nenhum governo parece se interessar pela segurança pública.
Será apenas desinteresse ou será covardia?

beijos, boa semana para você.

Luiz Xavier da Silva Junior disse...

O Brasil está entregue em mãos irresponsáveis. Em cada Estado uma barbárie particular. Sem cuidar da segurança, o governo doa dinheiro para escolas de samba onde muitas delas são financiadas pelo narcotráfico.