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"Por favor, leia devagar." (Ferreira Gullar)

30 Junho, 2011

Cálculo renal

Gota de orvalho

Que escorre pela folha

Após uma noite de um inverno

Anunciando com sua leveza e intransparência

Um dia de agonia

.

A gota é pequena e leve,

quase não molha o lago

Embora a força de vontade à sua partida

pudesse mover um tsunami

Mas que nada, seu resultado embora inexpressivo,

se transforma em uma lágrima de dor

.

Como dói, como dói!

Não há sentir de amor perdido

comparável com tamanho sofrimento

Não há rolar na cama noites em claro

sequer semelhante,

porém choro, por não querer me abandonar

.

Eu não sou você, tão pouco tu me pertences

Ocupastes um espaço inútil de meu interior,

insististes em crescer em algum de meus vazios,

sem minha autorização ou querer

Não te possuo, tu que me tens e me consomes

Me deixa, não fomos feitos um para o outro

.

Rebelo-me contra ti

Drogo-me na esperança de sequer lhe perceber,

ocupo-me dos meus sonhos,

evito falar seu nome

Mas mesmo assim, tu insistes e chamar-me a atenção

Cruel o que fazes comigo

.

Porém, é chegada sua hora de partir,

Segue teu caminho, conduzido pela gota

do orvalho que pinga da folha

como um choro de dor.

.

Nessa manhã fria de inverno

Abandona-me, deixa eu seguir em paz,

atira-te num lago profundo e não me atormentes mais

Aceito pela última vez uma lágrima por ti

Mas por favor, nunca mais

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