
Gota de orvalho
Que escorre pela folha
Após uma noite de um inverno
Anunciando com sua leveza e intransparência
Um dia de agonia
A gota é pequena e leve,
quase não molha o lago
Embora a força de vontade à sua partida
pudesse mover um tsunami
Mas que nada, seu resultado embora inexpressivo,
se transforma em uma lágrima de dor
Como dói, como dói!
Não há sentir de amor perdido
comparável com tamanho sofrimento
Não há rolar na cama noites em claro
sequer semelhante,
porém choro, por não querer me abandonar
Eu não sou você, tão pouco tu me pertences
Ocupastes um espaço inútil de meu interior,
insististes em crescer em algum de meus vazios,
sem minha autorização ou querer
Não te possuo, tu que me tens e me consomes
Me deixa, não fomos feitos um para o outro
Rebelo-me contra ti
Drogo-me na esperança de sequer lhe perceber,
ocupo-me dos meus sonhos,
evito falar seu nome
Mas mesmo assim, tu insistes e chamar-me a atenção
Cruel o que fazes comigo
Porém, é chegada sua hora de partir,
Segue teu caminho, conduzido pela gota
do orvalho que pinga da folha
como um choro de dor.
Nessa manhã fria de inverno
Abandona-me, deixa eu seguir em paz,
atira-te num lago profundo e não me atormentes mais
Aceito pela última vez uma lágrima por ti
Mas por favor, nunca mais