Minhas opiniões e publicações, expostas neste espaço, são reflexões acadêmicas de um cidadão-eleitor, publicadas ao abrigo do direito constitucional da liberdade de expressão

"Por favor, leia devagar." (Ferreira Gullar)

03 maio, 2013

Good Morning, Vietnã!



Good Morning, Vietnã! Refletindo há algum tempo, pesando prós e contras, causas e consequência, ontem no meu Twitter (@ozeaslopes), anunciei uma drástica decisão, resolvi me associar a turma da Fundação Organizacional De Assistência - Sociedade Ecumênica, que para quem não conhece é só ler as inicias da entidade, logo virá à mente que seus propósitos são os mais recomendáveis para saúde física e mental.

Pois é, não bastassem as contas mensais, que em profissão de fé são sagradamente pagas, ainda que para isso tenha que me virar como servidor público, sem reajuste ao longo de seis anos, e, ter de atuar como docente no período noturno, o que equivale portanto, a uma carga horaria de trabalho superior a proteção constitucional, ainda tenho as cobranças subjetivas, inerentes aos posicionamentos de vida que resolvi adotar.

O preço é caro, entretanto, não me arrependo, dá certa autonomia, até para dizer pra todo mundo, que a Fundação Organizacional De Assistência - Sociedade Ecumênica é uma opção, principalmente, quando os discos estrangulam os nervos e a coluna dói (e hoje está doendo!); ainda que isso pouco importe para a maioria das pessoas, de certo preocupadas com suas justas necessidades.

Sei que não é fácil, até porque olho para trás e vejo o filho de uma telefonista com escriturário, que nunca parou de bater as pernas e dar braçadas, do contrário o afogamento seria inevitável; ser fruto da falta de uma pensão vitalícia, de um espólio polpudo ou de um negócio de família, embora  não consiga negar que seja um grande incentivo para início de vida, tem lá suas vantagens, ensina pra gente que só há um caminho que se pode seguir, qual seja, o que nós escolhemos e construímos.

Vez por outra me pergunto: por que algumas pessoas não batem suas pernas e sacolejam seus braços? Por que, podendo, não escolhem ou traçam caminhos que lhes resgatem as autonomias? Acho que isso é de cada um, ou como ouvi certa vez na travessia das barcas Rio-Niterói: “cada qual é cada um”.

Dessa forma, como falava lá no início, independente dos “carnês nossos de cada dia”, há também o que nos imputam como déficits sociais; em tom de cobrança subjetiva, algumas pessoas costumam me perguntar: “afinal, de que lado você está?”

Sem dúvida, assumidamente, sou tendencioso, parcial e suspeito de apoiar e seguir algumas direções.

Por exemplo, sou contra presos políticos, de qualquer dos lados, portanto, contra a incriminação dos delitos de opinião; sou contra atos de terrorismo, praticados por grupos, pessoas ou pelo Estado, qualquer que seja o motivo, utopicamente ainda acredito no diálogo, na tolerância e compreensão; sou contra canalhas que roubam comidas e remédios de idosos e crianças, valendo-se de fraudulentas licitações, da mesma maneira que sou contra uma arma apontada na cabeça de um pai de família, interceptado quando volta para casa depois do trabalho; sou contra a hipocrisia moralista ao aborto alheio, mas que leva filhas e sobrinhas até clínicas clandestinas, disponíveis com segurança somente à quem pode pagar consideráveis quantias; sou contra o fundamentalismo sexual, religioso, político, na verdade, sou contra a qualquer forma fundamentalista de interpretar o mundo; sou contra Fidel, que prende e mata seus filhos da pátria, da mesma forma que sou contra Obama, que prende e mata seus filhos e os filhos de outras pátrias; sou contra a Al Qaeda, a CIA, o Mossad, as Brigadas Izz al-Din al-Qassam ou qualquer grupo, organização e instituição que promova, incentive ou declare a morte como solução dos conflitos; sou contra a Justiça, o MP e a polícia quando atuam de maneira seletiva, porém a favor da Justiça, do MP e da polícia quando enxergam do outro lado o Direito, a sociedade, o cidadão; sou contra prender, internar, culpar ou incriminar usuários de drogas, mas também, contra o traficante que explora a miséria do vício e que mata para preservar seu nefasto negócio; sou contra maus-tratos aos animais e a favor da dignidade humana; sou contra a agressão,  o desrespeito e a exploração das mulheres, da mesma forma que a favor que se emancipem por suas próprias pernas, braços e razões; sou contra a especulação financeira, a exploração do trabalho, a mais-valia, o trabalho infantil ou escravo, também detesto vagabundos, principalmente os salvadores do mundo, que se esparramam nos sofás dos papais e mamães e vivem de proselitismo de caixa de sucrilhos, dizendo qual o melhor caminho para a sociedade, mas que sequer sabem que horas começa ou termina a jornada de um trabalhador; sou contra as sextas-feiras para quem não labutou desde a segunda; sou contra o domingo, porque logo vem a segunda-feira e seus dias de trabalho subsequentes; sou contra a pena de morte, estabelecida em lei ou executada por criminosos, em especial contra a defendida pelos irracionais úteis ao sistema, que na maioria das vezes também sou contra; sou contra a diminuição da menoridade penal, porém a favor da educação e assistência pré-natal, infantil e adolescente; sou contra a mídia vendida e a mídia independente filiada a qualquer corrente, me faz falta a verdade, ainda que utópica; sou contra movimentos sociais aparelhados e a falta de movimentação cidadã na sociedade; sou contra o flamengo e a favor do Fluminense; enfim, sou contra muitas outras coisas ou questões, porém a favor de tudo que represente ser contrário a elas.

Portanto, quando sou perguntado de que lado estou, a resposta pode ser resumida assim: estou do lado daquilo que acredito, só me cobrem coerência.

No mais, antes que me exijam outras coisas ou soluções, até porque o que não me falta são compromissos, recomendo: procurem a Fundação Organizacional De Assistência - Sociedade Ecumênica, faz um bem danado pro corpo e coração, principalmente quando a coluna dói.

Um comentário:

Unknown disse...

“estou do lado daquilo que acredito, só me cobrem coerência”... acredito sempre nisso.