Minhas opiniões e publicações, expostas neste espaço, são reflexões acadêmicas de um cidadão-eleitor, publicadas ao abrigo do direito constitucional da liberdade de expressão

"Por favor, leia devagar." (Ferreira Gullar)

17 setembro, 2011

Vocês conhecem o Clarimar?

Com 83 anos, pilotando sua Harley-Davidson, modelo Electra Glide ano 78 - devidamente equipada com uma marcha ré - nosso amigo Clarimar é o motociclista em atividade mais antigo no Rio de Janeiro, isso porque, desde 1947, quando comprou sua primeira Harley na então Mesbla de Niterói, não mais abandonou o “vício”, passando a registrar desde então, mais de 80 mil quilômetros percorridos pelas estradas asfaltadas e da vida.

É assim que se define Clarimar, que já teve entre outras, uma Panhead Harley e uma Deluxe 1600 cilindradas mais recentemente: “Ando de moto desde os 16 anos. Hoje, quando subo na moto, esqueço que tenho 80 anos. Parece que voltei a ser jovem. Me transformo em jovem de novo”.

Pois é, além de “harlista’, Clarimar me traz outra profunda e deliciosa recordação. Nosso eternamente jovem estradeiro foi parceiro de motocicleta do meu pai, numa época em que a diversão dos motociclistas era passar com uma Harley, de mais de 300kg, por sobre os trilhos dos bondes pela maior distância possível; numa época que se fazia graça trocando piloto e passageiro com a moto andando, em plena praia de Icaraí, só para chamar a atenção das meninas, que enlouqueciam com os loucos audazes; numa época que se saia para um fim de semana sem destino e esse fim de semana nunca terminava.

Hoje dei novamente um abraço no Clarimar, foi lá no café da manhã da Rio Harley-Davidson, no Recreio dos Bandeirantes; lúcido como sempre, não deixou de falar do seu “parceiro predileto”, meu querido Ozéas (pai); foi uma manhã especial para mim, matei a minha saudade, na saudade viva que me abraçou. Retrocedendo no tempo podemos constatar que o tempo não passa, mas as pessoas é que transitam por ele, porque as histórias se repetem, as paixões são as mesmas e, as memórias se materializam nas amizades que deixamos.

09 setembro, 2011

Dez anos que não se passaram

Depois de amanhã, muita gente vai postar várias observações quanto aos dez anos do onze de setembro; o que já está acontecendo nos principais portais da internet.

Nos mesmo dez anos passados, li um texto que me causou um impacto semelhante ao impacto nas torres gêmeas, mas que, porém, mesmo depois de tanto tempo, continua reflexivamente atual.

Não vou esperar dois dias, até porque acho que o Fritz Utzeri merece certo destaque.


Jornal do Brasil - 17/09/01-FRITZ UTZERI

Quem cria lobos...

''Mamãezinha, minhas mãozinhas vão crescer de novo?'' Jamais esquecerei a cena que vi, na TV francesa, de uma menina da Costa do Marfim falando com a enfermeira que trocava os curativos de seus dois cotos de braços. Era uma criança linda, de quatro anos, a face da inocência martirizada e que em seu sofrimento não conseguia imaginar a extensão do mal que lhe haviam feito. Não entendia e ainda tinha esperanças.

E não era caso isolado. Milhares de crianças daquele país foram selvagemente mutiladas por... (como qualificar quem faz isso?) ...em conseqüência de mais uma guerra, resultado tardio do colonialismo, ao criar na África países inviáveis abrigando etnias rivais, exacerbadas pelos colonizadores e massacrando-se com armas que sua gente não produz, vendidas por americanos, russos, europeus, israelenses e outros ''civilizados'' de boa consciência e que avaliam seus lucros em lugares como o World Trade Center. Isso para não falar do Pentágono.

Justifica-se um atentado terrorista como o de Nova Iorque? Jamais! Temos visto, dia após dia, pela TV, cenas de destruição, tristeza e desespero. Os aviões continuam entrando nas torres provocando uma espécie de anestesia e de vidogueimezação muito comuns à nossa era eletrônica e voyerista. Fala-se em ''ataque à civilização'' e dá frio na espinha ouvir o semitonto presidente Bush falar em ''eliminar'' nações. Estamos todos tristes, mas tristeza e indignação são grandes porque os atentados ocorreram em Nova Iorque. Já estive várias vezes naquelas torres como turista ou a trabalho. Não gostava delas, mas eram uma referência. É estranho imaginar que não estão mais lá. Dói.

Mas veja uma foto de Cabul, a capital desse Afeganistão mártir de guerras que não são suas e vítima do mais terrível fanatismo religioso. É uma ruína só. Parece aquelas cidades arrasadas na Segunda Guerra, para não falar de Hiroshima e Nagasaki. Mas como em Cabul não há Quinta Avenida nem Central Parque, e como ninguém vai lá comprar tênis, videogames ou dar uma esticada depois de passear na Disney, ninguém se lixa para os milhões de mortos que quase 30 anos de guerras infringiram àquele triste lugar.

A verdade verdadeira é que não somos todos iguais. Uma bomba em Nova Iorque, em Londres ou em Paris desperta a dor do mundo. Mas quando tutsis e utus se trucidam em Ruanda, e morrem 1 milhão de africanos numa guerra, o assunto é pé de página dos jornais e os negócios das industrias de armas continuam de vento em popa. Que tal fazer cadeia mundial da CNN para mostrar freiras e padres negros mandando homens, mulheres e crianças entrarem em igrejas e depois darem gasolina para que soldados de etnia inimiga toquem fogo e assem todos vivos? Quem sabe aí o sangue de um negro, de um afegão ou de palestino possa se aproximar um pouco do valor do sangue ''civilizado''?

A grande verdade é que o mundo em que vivemos foi largamente forjado por essa ''civilização'' que agora se diz atacada e clama contra a barbárie. Quem cria lobos não espere viver com ovelhas. Bin Laden é made in USA, treinado e financiado pela CIA. O mesmo vale para o Talibã, milícia perversa e ginecófoba. E quem criou Saddam Hussein, hoje inimigo mortal dos americanos? Quando geraram esses lobos, durante a Guerra Fria, para lutar contra uma ideologia política, os alquimistas da inteligência (?) americana alimentaram uma ideologia religiosa e soltaram o diabo da garrafa. E agora?

Ao longo da história, o homem ''civilizado'' globalizou todas as suas mazelas. A Europa nos explorou vergonhosamente. Ouro do Brasil e prata da Bolívia financiaram a revolução industrial a custo zero. Exterminaram povos que aqui viviam, escravizaram milhões de africanos e chegaram a fazer guerra aos chineses para obrigá-los a fumar ópio. O século 20 foi uma seqüência de genocídios. Em nosso continente uma sucessão de ditaduras sangrentas, sustentados pelo Big Stick, só geraram morte, fome, injustiça social, atraso e dependência. No Oriente, essa política arrogante e predatória transformou o islã, uma religião de paz e tolerância, dando origem a um fanatismo doentio e letal que não encontra guarida ou justificação no Corão, envolvendo parte dos muçulmanos numa ''guerra santa'' (Jihad) de pobres contra ricos, pessoas dispostas a imolar-se e que acreditam numa recompensa eterna por seus atos. Eles têm uma fé, por mais doentia que seja, e dão a vida por ela. O que temos nós a contrapor a gente assim? Nós, hedonistas, materialistas, cínicos e poderosos. Cristãos de nome, mas incapazes de aprender ou de seguir um só versículo do que disse Jesus. O que nos tornamos? Que mundo construímos?

Na era da globalização, em que o neoliberalismo institui o deus mercado que tudo resolve, surgem os efeitos demonstração. Primeiro: o Estado é fraco, impotente. É possível hoje a um grupo de indivíduos determinados pôr de joelhos o maior poder sobre a Terra. Basta saber pilotar, arranjar alguns estiletes, armas vulgares, de revolta de cadeia e dar início ao apocalipse. Quem é o inimigo? O que vai fazer Bush? Arrasar o Afeganistão? Matar centenas de milhares de inocentes? Invadir o Indo Kush, onde se refugia Bin Laden e levar à morte milhares de jovens americanos? Indo Kush quer dizer matador de indianos. Ali, ao longo dos séculos, desapareceram impérios inteiros. Foi nessas terras quase lunares que Alexandre enlouqueceu e morreu acreditando-se um deus.

O segundo efeito é a globalização da guerra. Desde a batalha de Gettysburg, na Guerra Civil, que os Estados Unidos, não sabem o que é ter conflito em casa. Para eles a guerra só chegava pelo cinema, pela TV, como no Vietnam, ou ainda pelas bandeiras envolvendo os caixões dos jovens soldados mortos além mar. Cresci com minha mãe contando como corria para salvar-se de 1.500 bombardeiros americanos e ingleses que vinham despejar sua carga assassina contra Berlim em 1944. Três vezes por dia! Era horror puro. O mundo estava em guerra, o nazismo era o mal absoluto e tinha de ser erradicado, mas os aviões não queriam aniquilar chefões nazistas, tropas ou objetivos militares. Queriam era matar a minha mãe e os milhões de cidadãos de Berlim que nada tinham com os crimes do nazismo e que só podiam correr e rezar.

Talvez estejamos apenas assistindo ao começo de um ciclo que poderá nos levar de volta à barbárie. Hoje o terror usa aviões, amanhã poderá usar bombas atômicas ''esquecidas'' em contâineres. Não há limites para a irracionalidade humana. Mas entrando no caminho do ''olho por olho'' vamos todos acabar cegos, segundo dizia Gandhi. E não nos iludamos. A história da humanidade não é uma linha ascensional contínua em direção à luz ou à razão. Podemos muito bem caminhar para trás, apesar (ou talvez por causa) de nossa imensa tecnologia e nosso poder. Roma e o mundo romano em seu auge eram muito melhores do que a Europa em grande parte da Idade Média.

Como manter a paz num planeta onde boa parte da humanidade não tem acesso às necessidade básicas mais elementares? Como impedir que os que vivem um cotidiano de guerra e destruição, de sangue e ódio, sentindo-se oprimidos e injustiçados, não comemorem? Como reduzir o abismo entre o camponês afegão, a criança faminta do Sudão, o Severino da cesta básica e o corretor de Wall Street? Como explicar ao menino de Bagdá que morre por falta de remédios, bloqueados pelo Ocidente, que o mal se abateu sobre Manhattan? Como dizer aos chechenos que o que aconteceu nos Estados Unidos é um absurdo? Vejam Grozny, a capital da Chechênia, arrasada pelos russos. Alguém se incomodou com o sofrimentos e as milhares de vítimas civis, inocentes, desse massacre? Ou como explicar à menina da Costa do Marfim o sentido da palavra ''civilização'' quando ela descobrir que suas mãos não crescerão jamais?

Fritz Utzeri é jornalista

07 setembro, 2011

Visitando a Bienal (dicas de sobrevivência)

Ontem resolvi dar um passeio pela XV Bienal do Livro, que está acontecendo até dia 11 no Riocentro, Barra da Tijuca.


Deixando algumas coisas bem claras: 1) não gosto desse tipo de evento, até porque, bienal de livro soa para mim com uma conotação que livro deve ser visitado a cada dois anos, assim como a gente vez por outra se lembra, que existe um zoológico na cidade, o que por sua vez não nos torna biólogos, com nossos olhares curiosos e espantados em nossas visitas esporádicas; 2) não gosto desse tipo de evento, onde se aglomeram as pessoas em multidão, creio, honestamente, que toda multidão passa por um processo de mediocrização instantânea, mais ou menos, como se todos os neurônios presentes na ocasião se tornassem num grande sistema pensante, porém, com o equilíbrio mediano de seus contribuintes de suas inteligências, infelizmente, multidão e livros no Brasil, não são coisa tão intimas e harmônicas, me causa certa reserva ver uma pessoa comprando livros a 4 X R$ 10,00, só para dizer que consome cultura, mas na verdade está comprando “estante a metro”; 3) por fim, não gosto desse tipo de evento, onde as escolas numa demonstração de legitimação de suas ações, perante a família e direções, entopem ônibus com crianças e as enviam para o “centro da cultura”, entretanto, desprovidas de guias preparados ou sem paciência (professores) para lhes dar um caminho a ser percorrido, as deixam limitadas às bancas de revistas repletas de “Rebeldes”, “Glees”, “Capricho”, “Todateen”, ou dependendo da idade, aos livrinhos pintados em cores reluzentes com estórias repetidas e copiadas em série, num processo sem criatividade nenhuma, mas prontas a serem consumidas a preços baixos como se fossem algo de valor inestimável, assim como os hambúrgueres, crepes e pizzas que disputam o espaço do evento nas enormes “praças de alimentação”.


Poderia ficar listando outros exemplos de minhas reservas, mas não é bem esse o propósito dessas parcas linhas, até porque, visitei o evento, com dia e horário escolhidos criteriosamente; quem em sã consciência estaria numa terça-feira, entre 18 e 22h, véspera de feriado, caminhando pelos três enormes pavilhões e seus expositores além de uma meia dúzia de gatos pingados, que quisessem pacientemente examinar algumas prateleiras invisitáveis no feriado e final de semana? Acertei na mosca, sem problemas para estacionar, da mesma forma para comprar a entrada (R$ 12,00 a inteira e R$ 6,00 a meia), bem como para entrar e caminhar por avenidas largas e despovoadas daquela multidão consumista, que certamente vai invadir o local nos próximos dias.


Na companhia de meu amigo e co-autor em alguns artigos, o Ricardo Ventura, iniciamos nossa jornada pela Editora da Universidade Federal de Minas Gerais, bons indícios se prenunciavam, encontrei “O Sacramento da Linguagem” do Agambem por R$ 22,00; mais a frente no Instituto Piaget outra jóia “Direito e Moral” de Jüngen Habermas por R$ 23,00; tudo indicava que nosso garimpo seria profícuo e nossa ida não teria sido em vão. Qual nada, logo depois desses primeiros achados, muita decepção.


Os editores responsáveis por publicações mais “encorpadas”, além de alguns raros, não estão presentes na feira, muito pelo contrário, em matéria de publicações, as universidades públicas é que diferem no evento, no mais o que se pode notar é a presença de muitos distribuidores comuns e fáceis de serem encontrados pela internet (Travessa, Saraiva etc.), onde inclusive, expõem seus produtos de forma mais organizada e até com preços mais em conta, mesmo considerando o frete.


Ou seja, a Bienal ficou com cara de um grande encontro de livrarias, que disputam o mercado em um grande Shopping Center, verdadeira “indústria cultural”, onde as presenças “marcantes” ficam por conta dos livros de auto ajuda, estorinhas infantis plagiadas e sem direitos autorais a serem pagos e, metade de um pavilhão disputado pelas editoras religiosas (evangélicas, católicas e afro-religiosas).


O contraste entre grandes e pequenas livrarias também é marcante, algumas ocupam posição central nos pavilhões, com área equivalente a dezenas de pequenos livreiros, perdidos em cantos ou espremidos entre os gigantes.


Sem dúvida, que em razão do dia e horário escolhido, os encontros e palestras com os escritores que por lá aparecerão ficou prejudicado de avaliação, mas no todo, o evento deixa muito a desejar.


Por outro lado, não perdendo a viagem e aproveitando o espírito consumista a que se propõe o evento, aproveitei para adicionar em minhas prateleiras alguns autores que realmente já me eram devidos, que decorrente da pouca procura de massa, puderam ser “achados” por preços convidativos (Thoreau, Stuart Mill, Comte, Engels, Nietzsche e Hunter Thompson), no total não gastei mais de R$ 150,00 em treze obras; nesse saldo de balanço fica meu elogio ao encontro.


No mais, não duvido do que será o final do evento até domingo, muita gente, muita gente, muita gente mesmo, andando de um lado para o outro, disputando cada centímetro de espaço na sua caminhada pelos expositores, porém sem o conforto que tive devido a escolha do dia para minha ida e sem a condição de pacientemente, poder bulinar em cada estante alguma coisa que seja de seu interesse.


Para quem não teve a oportunidade de ir, fica minha sugestão: “não sei” se vale a pena ou não essa maratona a partir de sexta-feira, talvez quinta ainda dê para fugir dessa grande “visita ao parque” (com direito a cachorro quente, pipoca e coca-cola), que se tornará o Riocentro de final de semana; é possível que quinta, nesse horário noturno do “macarrão com galinha”, ainda seja viável uma fugida do furacão que aquilo se tornará, porém, jamais recomendaria o sábado e muito menos domingo, a relação o custo benefício é profundamente deficitária e, a XV Bienal do Livro no Rio de Janeiro deixa muito a desejar para tanto sacrifício.

09 agosto, 2011

Um mundo linear e finito



“A história das coisas” é um mini documentário, imperdível, para qualquer um que acha que a responsabilidade é sempre do Estado, porém, não se dá conta do quanto possa estar sendo manipulado e legitimando todas as ações, que são praticadas nesse mundo “inventado” para o consumo.

21 julho, 2011

Sempre as cores da paixão

O jovem meia, Manuel Lanzini, vindo do River (Argentina), que assinou com o Fluminense, também é mais um dos reforços contratados para temporada, que passaram a integrar a galeria de ídolos tricolores do Blog.

Na ritualística das contratações internacionais, o Blog se sente honrado em ter sempre e exclusivamente, a primeira assinatura de “compromisso” dos hermanos.

Como no caso de Martinuccio, Lanzini primeiro firmou sobre a bandeira tricolor seu compromisso, na forma de um autógrafo, para somente depois, ter sua situação legalizada junto ao Clube.

Parabéns Fluminense, nesse dia em que comemoramos 109 anos de pura tradição campeã.

19 julho, 2011

As cores e a paixão em primeiro lugar

Hoje (19/07/11), às 10h, o meia meia-atacante argentino, Alejandro Martinuccio, antes de assinar o contrato com o clube, já tinha assinado formalmente a bandeira do Fluminense a pedido deste blogeiro.

Nesse simbólico ato, o mais novo reforço das Laranjeiras, confiante no desenrolar das negociações, demonstrava que não é no papel que se firmam as paixões, mas principalmente, nas cores do time que pretende honrar.

Vindo do Peñarol, vice-campeão da libertadores, Martinuccio se mostrou satisfeito em vestir a camisa tricolor, mais ainda o autor do Blog; entretanto, a notícia teve que ficar guardada até o último momento, afinal, olho-grande e interesse de outros clubes é o que não faltavam.

Bem vindo hermano!

06 julho, 2011

As frustrações da modernidade

Ninguém abre mão de seu corpo, liberdade e opinião; mas todos querem a proteção e certeza que “além do horizonte deve ter, algum lugar bonito e tranqüilo, pra viver em paz”.

Ninguém quer ser tolhido, vigiado e regulado por uma ordem superior; mas todos querem a segurança e o colo provedor, nas horas de aflição.

Ninguém gosta de um pai durão, repressor, autoritário e acusador, de dedo em riste na mão; mas todos querem a certeza de voltar pra casa a noite e não ter que se preocupar com “o que será do amanhã”.

E por ai vai..., são as contradições existenciais que a modernidade nos trouxe. Por um lado a certeza que podemos construir nossos destinos, que temos “o mundo em nossas mãos”; porém, logo descobrimos que há um preço a pagar por nos tornarmos senhores de nossos destinos.

O ser, moderno e racional é construtor de seus próprios caminhos, todavia, também sujeito aos riscos que essa autonomia lhe dá; na sua emancipadora modernidade, não tem mais como se socorrer da providência divina, na hora que a coisa não anda lá como esperada; como diz um amigo, “a banca paga, mas a banca cobra”.

A modernidade, inventada pela razão, abandonou os mistério do mundo e suas superstições; entretanto, ao se descolar dos dogmas e tradições infundadas, jogou fora junto com toda água suja, as esperanças de que “amanhã vai ser outro dia”.

É uma tremenda frustração viver na era moderna, ainda mais quando se está em pleno período de transição, quando ainda não bem se sabe, ser “barro ou tijolo”.

Não somos “os últimos dos tempos”, somos os primeiros de uma era, cercada de insegurança por todos os lados; de riscos por todos os cantos; de encantos que desencantam num clique de mouse; “navegadores dos sete mares”, que ainda não sabem sequer, quantos mares existem para ser descobertos e cartografados.

Nosso tempo, pela primeira vez na existência humana, é contado de trás para diante, temos pressa de viver, porque descobrimos que nascemos contando a chegada de nosso fim; precisamos realizar tudo em minutos e segundos, não há tempo para esperar, a banda tem que ser “larga”, a imagem em “high definition”, o som tem que ser “polifônico”, os contatos tem que ser globalizados, enfim, nossa modernidade exige tudo ao mesmo tempo e na sua maior intensidade, ainda que por vezes isso se torne tarefa impossível.

Não realizar tornou-se sinônimo de fracasso; não conquistar, de derrota; não avançar, de retrocesso; perdemos a noção simplória do aprendizado com nossos erros, não há mais tempo a perder com o aprender. Se antes, “o que não nos matava nos fortalecia”, agora o que nos causa é uma sensação de impotência e incapacidade.

Diante das angustias, ainda ajoelhamos olhando para o Universo, pedido socorro aos deuses que matamos com nossas razões, porém, que não queremos mais de volta, afinal, pela primeira vez somos senhores de nossos corpos, “corações e mentes”. Somos nossos deuses, mas também nossas desilusões; verdadeiros reis, “João Sem Terra”, num latifúndio que sequer conhecemos o tamanho.

As frustrações e desencantos são “as conseqüências da modernidade”, afinal, se não há mais o dedo moral apontado e nossa direção, também, perdemos o colo protetor da segurança ao retornarmos para casa.

A modernidade nos fez órfãos e abandonados, “sem parente importante e vindo do interior”, sem sobrenome de família e despossuídos de qualquer bem; assim, temos que viver e sobreviver todos os dias, da melhor e possível forma, nessa cidade grande que se apelidamos de mundo, carregando nossa bagagem de mão repleta de interrogações, caminhando na direção da construção de nossas identidades, porém, sem perder a perspectiva de “Viver! E não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar. A beleza de ser um eterno aprendiz”

30 junho, 2011

Cálculo renal

Gota de orvalho

Que escorre pela folha

Após uma noite de um inverno

Anunciando com sua leveza e intransparência

Um dia de agonia

.

A gota é pequena e leve,

quase não molha o lago

Embora a força de vontade à sua partida

pudesse mover um tsunami

Mas que nada, seu resultado embora inexpressivo,

se transforma em uma lágrima de dor

.

Como dói, como dói!

Não há sentir de amor perdido

comparável com tamanho sofrimento

Não há rolar na cama noites em claro

sequer semelhante,

porém choro, por não querer me abandonar

.

Eu não sou você, tão pouco tu me pertences

Ocupastes um espaço inútil de meu interior,

insististes em crescer em algum de meus vazios,

sem minha autorização ou querer

Não te possuo, tu que me tens e me consomes

Me deixa, não fomos feitos um para o outro

.

Rebelo-me contra ti

Drogo-me na esperança de sequer lhe perceber,

ocupo-me dos meus sonhos,

evito falar seu nome

Mas mesmo assim, tu insistes e chamar-me a atenção

Cruel o que fazes comigo

.

Porém, é chegada sua hora de partir,

Segue teu caminho, conduzido pela gota

do orvalho que pinga da folha

como um choro de dor.

.

Nessa manhã fria de inverno

Abandona-me, deixa eu seguir em paz,

atira-te num lago profundo e não me atormentes mais

Aceito pela última vez uma lágrima por ti

Mas por favor, nunca mais

28 junho, 2011

Uma guerra de interesses não revelados

Em sete páginas fiz uma breve (!) abordagem sobre um tema pulsante, o fim do combate militar às drogas e da descriminalização de seu uso, que ora disponibilizo aos amigos e principalmente aos meus alunos, estudiosos do Direito Penal.

Devido ao seu tamanho e formatação, ofereço o texto através dos links skydrive ou 4shared (é só clicar), que afinal, mais que uma proposta de artigo, é uma tomada de posição.

26 junho, 2011

Uma nova linguagem revolucionária



A respeito das recentes e constantes invasões nos sites governamentais no Brasil – fenômeno político com expressão internacional em todos os níveis, privados ou públicos - tive a oportunidade de reproduzir o breve texto que segue, na minha página da rede social Facebook, como também o vídeo do denominado grupo “Anonymous”, que ora partilho aqui no Blog.

De um modo geral, as pessoas ainda não se deram conta do processo em curso; a crise de legitimidade do modelo mundial (Estado-nação, representação política, descrédito institucional etc.) tem provocado reações, aparentemente isoladas, porém, que além de possuírem uma dimensão muito maior que a grande mídia divulga (por óbvios interesses), tem influído e alterado significativamente algumas tomadas de decisões dos detentores do poder pelo planeta.

A globalização, como “intensificação das relações sociais em escala mundial, que ligam localidades distantes de tal maneira que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de distancia e vice-versa” (Giddens), alterou a forma de ver o mundo, revelando que os problemas não são localizados ou particulares, mas pertencentes a todos; assim, multi-identificação entre dos atores globais, vem servindo de estopim à reações das mais diversa, ainda que sem prévio ajuste, ideologias definidas ou metas claras a serem alcançadas; é fato, que as mais recentes insurreições sociais (Síria, Líbano, Iêmen, Grécia, Espanha), comandadas por convocações anônimas vias redes sociais (Twitter, MSN, Facebook...), são a clara demonstração de uma revolução silenciosa que está acontece por toda circunferência global.

É cada vez mais evidente o confronto entre poder e os apoderados, porém, com substancial mudança na linguagem desse embate.

Outra forma de expressão desse embate tem se dado dentro da própria internet, através daquilo que se simplificou como ação de “hackers”, que em breve, tão logo sejam erigidos à condição de inimigos dos Estados, não duvido, serão denominados somente de “ciberterroristas”.

Há em curso uma revisão paradigmática, provocada pela ineficiência e distanciamento do poder soberano e seus súditos, resultante da tensão entre a facticidade (acontecimentos) e validade (legitimidade). O que emergirá desse embate ainda é uma incógnita, porém, não se pode desprezar ou tratar como mero ato de rebeldia individual, ações aparentemente pontuais, que, entretanto, possuem uma forte carga explosivo-transformadora.

27 novembro, 2010

Somos o que somos

Somos publicamente pela paz, mas não deixamos de torcer pelo confronto, mais ou menos como naquela tese de que as pessoas assistem corridas de automóveis ou motocicletas, torcendo por um acidentezinho, só pra dar um pouco mais de emoção.

Somos publicamente pela vida, não queremos nenhum morto ou ferido, mas sabemos como é importante quebrar alguns dos ovos para fazer as omeletes, ainda mais quando esses não são das nossas caixas, mas que se dane a vida alheia, o que importa é a nossa afinal.

Somos publicamente pelas garantias democráticas, das liberdades, do devido processo legal, entretanto, só aceitamos transigir a isso quando o direito em jogo não é o nosso, particular e individual, quando o direito atingido é o “dele”, que aqui pra nós, faço questão de desconhecer.

Somos publicamente contra a guerra no Golfo, no Iraque, na Palestina, na Coréia, acreditamos que a razão e a inteligência humana é maior que o confronto e sempre há outra saída, que não seja a custo de vidas, mas não abrimos mão de nossa guerra doméstica, afinal, a nossa sem dúvida nenhuma tem razão de ser.

Somos publicamente preocupados com as questões sociais e entendemos que alguma coisa urgente tem que ser feita, porém, nossa melhor sugestão no momento é a deflagração total do processo, a aniquilação geral, quem sabe mesmo com o emprego de napalm.

Somos publicamente hipócritas, porque privadamente somos exatamente assim.

30 outubro, 2010

Convite

Dia 10 de novembro o autor do Blog estará na Ordem dos Advogados de Niterói proferindo palestras aos alunos de Direito e filiados daquela entidade.

Escolhido pela Comissão de Ensino Jurídico da OAB de Niterói, o tema será: INQUÉRITO POLICIAL. Procedimento inquisitivo ou acusatório pela nova Constituição? Se acusatório, admite ou não o contraditório?

O horário marcado para abertura dos trabalhos está previsto para 17:45, com previsão de encerramento às 21h

A OAB de Niterói,fica na Av. Ernani do Amaral Peixoto, nº 507 - 11 andar.

29 outubro, 2010

Renato Gaúcho, o eterno falastrão

Tá bom, devemos um campeonato sobre nosso arqui-rival no Rio de Janeiro por uma barrigada (sem trocadilho, por favor) do seu Portaluppi, bem como, na condição de técnico uma Copa Brasil; também vamos ser justos, aquela Libertadores perdidas nos pênaltis, fica registrada como uma das maiores injustiças (se existe no futebol) que já vimos acontecer, mas daí pra frente, como técnico Renato foi uma tragédia, não só no Fluminense, mas por outros times ai a fora.

O rebaixamento na vida de Renato, o fanfarrão, se tornou aquela nuvenzinha de desenho animado, que acompanha o personagem azarado para onde quer que vá.

Agora no Grêmio, depois de amargar as sandálias da humildade como técnico desempregado e de segunda divisão, de verdade, acertou o time gaúcho, cumprindo só agora o que prometeu no passado, lá no Fluminense, “vamos passear no brasileirao”.

O Grêmio hoje muito parece Flamengo de 2009, destruído e destroçado, semi-rebaixado no primeiro turno, que embalou e faz a melhor campanha do segundo, esse meteoro com cauda de minuano, até que vinha bem, calando com resultados as bocas coloradas (cada um tem o Lex Luthor que merece), provando que se jornalista entendesse tanto assim de futebol, todos estariam ricos com a Loteria Esportiva.

Acontece que ontem, o que seu Renato Portaluppi não esperava, ou não lembrava é que enfrentaria um clube de futebol de verdade, uma tradição em superações, um clube que conhece o céu (campeão mundial de 52) e o inferno (terceira divisão em 99), um clube que tem times onde se forjam guerreiros e uma torcida que está se impondo por sua condição e responsabilidade, convencida que é ela a principal responsável por qualquer vitória ou título.

Renato Gaúcho ontem foi surpreendido, esperava jogar contra um time desfalcado e desfigurado, onde seu artilheiro e único atacante em condição de jogo, não marca um gol a uma dezena de jogos, pior, quando o faz é contra sua própria meta.

Renato esqueceu que o Fluminense joga esse campeonato com 13 jogadores, os 11 inscritos regularmente, a torcida e o Conca, que vale por dois craques de qualquer time.

Renato falastrão, cometido em suas palavras esse ano, veio ao Rio e Janeiro para voltar o Sul com as palavras de falsa humildades prontas a serem ditas na entrevista coletiva após o jogo, imagino como seria: “O Grêmio vem conseguindo se superar e agora podemos sonhar com o título, por que não?”. Não queimou sua língua porque o Fluminense não deixou, mas queimou seus pensamentos e o resultado foi a desdenha e parlapatice própria dos arrogantes derrotados, “ser campeão assim é mole” (http://bit.ly/amMkgm).

Ser campeão contra a vontade de uma CBF, que quer por que quer o Corinthians com o título, não é mole não Renato, ainda mais depois da humilhação que seu não menos arrogante Presidente Ricardo Teixeira passou, ao anunciar o que não tinha para entregar, o Muricy Ramalho na sua seleção; Ser campeão com um time que aprende a jogar a cada partida, porque não consegue formas cabeça, tronco e membros (defesa, meio e ataque) iguais em seqüência mínima de dois jogos, não é mole não Renato; Ser campeão quando não se joga mais uma partida como mandante depois do arbitrário fechamento do Maracanã, não é mole não Renato.

Pois é ontem o Fluminense mais uma vez superou todas as expectativas e calou as vozes agourentas e invejosas, fez mais, devolveu para o Sul o Renato Falastrão, com a cabeça inchada e uma puta dor e cotovelo.

26 outubro, 2010

Concentração do poder

Quem vota na Dilma te lá suas razões, deve-se aceitar e respeitar esse voto e a recíproca, pelo menos, deveria ser verdadeira para quem escolhe a oposição, afinal a democracia moderna sustenta-se sobre os pilares da tolerância e diversidade.

Entretanto, não pode passar sem registro a ameaça real que representa à democracia a eleição da candidata governista, considerando o aspecto referente a concentração do poder político em uma só direção, ou seja, “nunca antes na história desse país” republicano, existiu a possibilidade de tanto poder concentrado em uma só direção, sob o manto de uma legalidade/legitimidade questionável.

Observando-se os números do recém-eleito Congresso Nacional, pode-se constatar um significativo aumento da base governista.

Segundo informa a impressa, recepcionados os números sem outros questionamentos, até porque qualquer oscilação não significaria profundas alterações na tese desenvolvida, 470 dos 513 deputados federais e 57 dos 81 senadores que comporão o próximo parlamento, estariam alinhados ao atual governo.

Conforme preceitua o texto constitucional no seu artigo 60, § , quanto à tramitação e aprovação de uma Emenda Constitucional, “A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.”

Assim, observados os congressistas eleitos, em ambas as Casas (Câmara e Senado) o atual governo e, na hipótese, a sua sucessora teria confortável maioria qualificada de 3/5 alcançada, para a aprovação de qualquer projeto de alteração da Carta Constituinte.

Poder-se-ia retrucar, ao argumento que alguns temas estariam “blindados” pelo princípio das cláusulas pétreas previstas no mesmo artigo em parágrafo subseqüente[1], ou seja, conforme a própria Constituição de 1988, algumas questões estariam imunes a tentativa de alteração através de Emendas, visando à garantia e estabilidade da sociedade democrática.

Em réplica, conforme o artigo 102 da Constituição, qualquer ação direta ou declaratória de constitucionalidade, bem como, em última instância, o questionamento da inconstitucionalidade de uma Lei ou Emenda num caso concreto, através de Recurso Extraordinário, será sempre julgado pelo Supremo Tribunal Federal, ou seja, a última palavra sobre qualquer modificação no texto constitucional recai sobre 11 Ministros do STF.

Portanto, é lícito ponderar que embora não seja a princípio o caso, entretanto, em tese, o atual órgão encarregado de julgamento das questões constitucionais, STF, não seria o paradigma de segurança numa análise isenta e descompromissada, frente a qualquer alteração violadora da Carta Magna, considerando que o próximo governo, eleito em 31 de outubro, terá como herança do atual 9 de 11 Ministros do Supremo, indicados nos dois últimos mandatos pelo atual presidente.

Considerando-se, ainda que por hipótese, que a candidatura da Dilma representa mais que um projeto de governo, mas verdadeiramente um projeto de poder, os referenciais de qualquer argumentação mudam e, não se poderia descartar a possibilidade de que a própria Corte Constitucional do país, já há algum tempo venha sendo constituída para os fins agora evidenciados.

Finalizando, são valida duas reflexões produzidas por Giorgio Agamben em sua obra “Estado de Exceção”:

"Isso significa que o princípio democrático da divisão dos poderes hoje está caduco e que o poder executivo absorveu de fato, ao menos em parte, o poder legislativo. O Parlamento não é mais o órgão soberano a quem compete o poder exclusivo de obrigar os cidadãos pela lei: ele se limita a ratificar os decretos emanados do poder executivo. Em sentido técnico, a República não é mais parlamentar e, sim, governamental."

"Uma das características essenciais do estado de exceção - abolição provisória da distinção entre poder legislativo, executivo e judiciário - mostra, aqui, sua tendência a transformar-se em prática duradoura de governo."



[1] § 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:

I - a forma federativa de Estado;

II - o voto direto, secreto, universal e periódico;

III - a separação dos Poderes;

IV - os direitos e garantias individuais.

11 outubro, 2010

Declaração de voto

Ontem assisti ao debate na Band entre o Serra e a Dilma, confesso, acho que o país merecia muito mais que chegar a uma final plebiscitária, entre uma proposta neoliberal refundada e outra conservadora de esquerda.

Juro, olho para Dilma e vejo o próprio Chávez, com todas as suas teimosias e certezas que todos estão errados, menos ele é claro; também tenho no Serra a lembrança de personagens e práticas que possibilitaram que essa tropa de salteadores, mensaleiros e marqueteiros chegasse ao poder, FHC tem lá sua responsabilidade omissiva.

A discussão ideológica há muito deixou de existir, Dilma não pode “xingar” o Serra de neoliberal afinal, ela e seu ventríloquo custearam às expensas públicas o enriquecimento dos bancos e do capital parasitário internacional pelos últimos oito anos, numa fúria que deixaria qualquer Chicago Boy orgulhoso, ainda mais se soubesse que o palanque eleitoral foi construído com um discurso socialista.

Por outro lado, o Serra não assume defenestrar as promessas ou práticas da Dilma e seu ParTido, ontem mesmo no debate afirmou da necessidade estatizante dos Correios, CEF, Banco do Brasil, Petrobras, etc, etc, etc.; garantiu a continuidade das políticas públicas assistencialistas e sabe lá, sua própria expansão eleitoreira, no final, ficou parecendo tudo farinha do mesmo saco, ou como bem vociferou o candidato de Plínio de Arruda no primeiro turno, “Dilma, Serra, vocês são todos iguais”.

Concordo em parte com o vovô candidato (carinhosamente, por favor), quando em verdade repetiu com outras palavras a célebre frase “o rei está nu”.

A parte do Plínio que aceito como verdadeira é a que se refere a igualdade de propostas para soluções dos problemas, Dilma e Serra se oferecem como gestores, ou equipados com as melhores equipes para a gestão nacional, como se nossos problemas econômicos, educacionais, habitacionais, de segurança, de saúde, de emprego etc, estivesse apenas esperando pela contratação de um encarregado, com equipe própria para administra uma empresa.

Sob a ótica apresentada, portanto, nossa eleição está mais para a contratação de um novo zelador, que deve ter como qualidades, ser honesto, dedicado, austero, simpático e preferencialmente, dormir no prédio.

O que acho que o Plínio não viu, ou não quis dizer, está ligado a questão do projeto de poder, é ai que “a porca torce o rabo”. Na definição de quem pretende “o que” e “por quanto tempo”, pode estar o limite exato entre a possibilidade de alternância de poder e a conseqüente manutenção da democracia no país.

O ParTido da Dilma não parece ser muito confiável nesse ponto, as ameaças se tornam permanentes e cada vez mais comuns quando a questão envolve as liberdades individuais, quando por exemplo o governo acusa e busca regulamentar controle sob a imprensa que não faz a propaganda “chapa branca”; quando interfere diretamente usando de sua “tropa de choque” (Renan, Collor, Salgado) na defesa de seu protegido Senador Sarney; quando invadem sigilos bancários e fiscais, prática a propósito bastante comum nos dois mandados do Luis, etc, etc, etc.

Aqui a pontuação decisiva vai para o Serra, que pertence a um partido que mesmo depois de oito anos acostumados ao Palácio do Planalto, realizou uma transparente e colaboradora transição, a propósito, jamais realizada com tanta dignidade no país, como também, não houve registros durante o mesmo período, de qualquer intenção ou ameaça às instituições democráticas por parte do poder estabelecido.

A questão passa então pelas práticas no exercício do poder. Já tive oportunidade em outra ocasião quando escrevi, aos meus dois únicos e fieis leitores, de afirmar que a grande diferença entre o Serra e a Dilma está no fato, de caso o governo do primeiro não seja aprovado, em quatro anos se poderá escolher a segunda como opção, entretanto, caso não se aprove um eventual governo da Dilma, sempre ficará a dúvida se existirá essa mesma oportunidade de alternância.

O Serra não é meu candidato Ideal, não me representa integralmente, tão pouco acredito que possa realizar 50% de suas promessas, mas na conjuntura é o que tenho de mais capacitado é o melhor, sob todos os ângulos, especialmente o das liberdades democráticas.

As dúvidas que existiam em momentos iniciais, já foram afastadas, sei que tenho que “dar um passo atrás para conseguir dar dois em frente”, ou como uma vez entendi com o então líder Hércules Correia, durante a campanha derrotada de Miro Teixeira ao Governo do Estado (1982).

O problema residia na formação de uma frente popular pela redemocratização do país, em confronto de consciência com o populismo chaguista carioca, quando bradou então Hércules justificando o apoio ao Miro: “tem que enfiar a mão na merda, embaixo tem água limpa”.

09 outubro, 2010

Blog em campanha

Depois vão dizer que quem puxou a campanha pra baixo foi a oposição



Mas com um coordenador desse do meu lado, não preciso de mais nenhum inimigo

07 outubro, 2010

Mario Vargas Llosa

Li com muita satisfação que o escritor Mario Vargas Llosa é o ganhador do Nobel de literatura 2010, engrandecendo a galeria de escritores que foram homenageados com o título, figurando agora ao lado de nomes como Jean-Paul Sartre, Pablo Neruda, Gabriel Garcia Marques, José Saramargo e Günter Grass, só para citar os mais conhecidos

O autor, com 74 anos é escritor, jornalista, ensaísta e político no Péru, onde inclusive, concorreu à presidência da República em 1990, quando foi derrotado por Alberto Fujimori.

Do autor vencedor de 2010, tive a oportunidade de ler “Batismo de fogo”, “Conversa na Catedral”, “Pantaleón e as visitadoras” e “A guerra do fim do mundo”, confesso, cada um melhor que o outro nas suas propostas, que tramitam dos sentimentos cinza de uma escola militar, passando pelo cotidiano e político peruano, singrando pelo Rio Amazonas em estória de magnífico humor, onde um rigoroso capitão gerencia um grupo especial de prostitutas para as tropas de fronteiras até, quem sabe, a melhor narrativa da Guerra de Canudos já escrita, revelando-se Llosa brilhante brasilianista.

De Mario Vargas Llosa também guardo uma das melhores frases que já ouvi e acredito: Só um idiota pode ser totalmente feliz

01 outubro, 2010

Huelga general

José Luis Rodríguez Zapatero, oriundo do Partido dos Trabalhadores Socialistas Espanhol (PSOE), do qual inclusive já foi secretário geral, em 17 de abril de 2004, foi reconhecido pelo Rei Juan Carlo presidente do governo da Espanha, cargo equivalente a Primeiro Ministro em outros países.

Seu partido que constituiu maioria nas eleições legislativas espanhola de 2004, configurou seu governo sem coligações, considerando os 42,5% dos votos obtidos, ou 164 cadeiras no parlamento, contra 37,64% do Partido Popular, equivalente a 148 cadeiras.

Eleito através de uma plataforma socialista, Zapateiro sentiu na pele a fúria dos trabalhadores no último dia 29, quando foi deflagrada uma greve geral, primeira em oito anos, pelas principais centrais sindicais espanholas, que afirmam mais de 10 milhões de trabalhadores parados, além de repercussão internacional com protestos por outras capitais da Europa. Leia mais aqui

Motivo da greve, os socialistas europeus não são mais os mesmos, agora por lá, ao que parece, na interpretação neo-socialista, quem salvará a economia e a própria União Européia é o clássico capitalismo, ou “a mão invisível do mercado”.

“MADRI — O governo socialista espanhol apresentou nesta quinta-feira ao Parlamento o seu orçamento para 2011, marcado pela austeridade, após uma semana em que enfrentou uma greve geral e a degradação da nota de sua dívida pela agência Moody's”. Leia mais aqui

Creio valer a leitura do manifesto expedido pelo comando de greve, que mobilizou 70% dos trabalhadores daquele país, qualquer semelhança não será mera coincidência com algumas coisas que conhecemos por aqui.

Manifiesto Huelga general 29 de septiembre 2010

Las confederaciones sindicales de Comisiones Obreras y de la Unión General de Trabajadores hemos adoptado la decisión de iniciar un proceso de movilizaciones, que culminará con la celebración de una Huelga General el próximo 29 de septiembre, para expresar el contundente rechazo de los trabajadores y trabajadoras de este país a las políticas de recortes sociales y supresión de derechos de los trabajadores decretadas por el Gobierno, bajo amparo y excusa de directrices europeas.Lei na integra o manifesto

Está com problemas no espanhol, não se faça de rogado, use o translate do google copie e cole e traduza o texto.

Agora eu entendi...