Minhas opiniões e publicações, expostas neste espaço, são reflexões acadêmicas de um cidadão-eleitor, publicadas ao abrigo do direito constitucional da liberdade de expressão

"Por favor, leia devagar." (Ferreira Gullar)

26 junho, 2006

Bagdá


Depois que tiveram seu “Caveirão”, blindado usado para operações especiais, danificado por três granadas, os policiais da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil – CORE, tiveram que descer o “Complexo do Alemão”, conjunto de morros do Rio de Janeiro com intenso movimento de drogas, a bordo de uma Kombi de frete, até que reforços da Polícia Militar chegassem ao local (leia mais).

Fico imaginando um turista buscando uma rota de descanso e lazer para suas férias, quando de repente dá de cara com essa foto estampada nos jornais e sites pelo mundo afora.

Tudo bem que não é a regra, mas não podemos deixar de ver a exceção, ou seria humilhação?

Um mito

A propósito do comentário do blogueiro de primeira Marco Aurélio, no post logo abaixo, onde manifesta sua preocupação com a possível vitória brasileira na Copa do Mundo, vir a influenciar no resultado eleitoral de outubro, indicando inclusive razões em um post de sua autoria que vale a pena ser lido, aproveito para ponderar de maneira diferente.

Marco Aurélio não é voz isolada em achar que o campeonato mundial pode vir a ajudar o operário-meu-patrão, já ouvi outras pessoas com a mesma linha de raciocínio, mas permito-me discordar analisando a história, através das Copas conquistadas e seus respectivos efeitos eleitorais.

Nossa primeira Copa foi conquistada em 1958, quando o Presidente da República eleito era Juscelino Kubitschek (PSD), para o período de 31/01/56 a 31/01/61. Juscelino não fez seu sucessor eleitoral o marechal Henrique Lott (coligação PTB/PSD), sendo eleito Jânio Quadros (UDN) para o período de 31/01/61 a 31/01/65, que em razão de sua renúncia, passou menos de sete meses na presidência.

Nossa segunda Copa foi conquistada em 1962, quando o Presidente da República era João Goulart (PTB), que cumpriu seu mandato entre 08/09/61 a 24/01/1963, sucedendo Jânio Quadros (UDN) após sua renúncia, vindo a dividir o poder por certo tempo com o Primeiro-Ministro Tancredo Neves (PSD). A conquista da Copa, portanto, não influenciou positivamente na continuidade no governo de Jango, que foi deposto pelos militares em 31/03/64.

Nosso tricampeonato foi conquistado em 1970, em plena ditadura militar, sob o governo do general Emílio Médici, governante no período compreendido entre 30/10/1969 e 15/03/74. Sem dúvidas a ditadura colheu frutos do campeonato mundial, que ajudou a mascarar o momento mais duro do período autoritário, as manifestações populistas/ufanistas que marcaram o governo do general Médici, entretanto, também não o ajudaram a fazer seu sucessor preferido, que era o general Silvio Frota, tendo que ao final compor e aceitar a indicação do general Ernesto Geisel, ligado à linha “castelista”, onde se encontrava Golbery do Couto e Silva.

A Copa de 1994, a quarta, foi conquistada durante o governo sucessório de Itamar Franco (PRN), período compreendido entre 02/10/92 e 01/01/95. Itamar ocupava a presidência face ao impeachment de Fernando Collor, este com mandato iniciado em 15/03/90. Itamar não tinha governo próprio, ou seja, sua composição representava uma coalizão de partidos para a “governabilidade” do país após a cassação de Collor. Este Presidente também não fez seu sucessor ideal, sendo vencedor no pleito seguinte ao seu mandato, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que embora apoiado “oficialmente” pelo Planalto, tinha em Itamar um de seus principais críticos, vale-se lembrar inclusive que em 1998, ainda no primeiro mandato de Fernando Henrique, ao assumir o Governo de Minas Gerais, Itamar Franco decretou moratória daquele Estado, brigou com o presidente do Banco Central Armínio Fraga, além de se posicionar contra as privatizações, sendo um verdadeiro adversário político de Fernando Henrique.

O “penta” foi conquistado em 2002, quando o Presidente da República em seu segundo mandato era Fernando Henrique (PSDB), período compreendido entre 01/01/99 a 01/01/03. Mesmo com a conquista da Copa poucos meses antes das eleições, não conseguiu fazer seu sucessor José Serra (PSDB), sendo eleito então o operário-meu-patrão (PT).

Portanto, observadas as datas de conquista dos campeonatos mundiais e a linha sucessória presidencial, pode-se verificar que somente o general Médici deu continuidade política e ideológica a um projeto de Estado, com a assunção de outro general, mas que nem era o seu escolhido e nem pensava como ele.

No mais, ou o povo sabe muito bem não misturar as coisas, política e futebol, ou ser campeão do mundo dá um baita azar para quem quer se reeleger.

25 junho, 2006

A propósito do jogo de hoje: Portugal X Holanda

CARTA DO “ FAIR PLAY ”
INSTITUÍDO PELO PANATHLON INTERNACIONAL

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"QUALQUER QUE SEJA O MEU PAPEL NO ESPORTE, MESMO AQUELE DE ESPECTADOR, EMPENHO-ME EM:
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- Fazer de cada meeting esportivo, pouco importando o prêmio em jogo e a importância do acontecimento, um momento especial, uma espécie de festa;
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- Adequar-me às regras e ao espírito do esporte praticado;
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- Respeitar meus adversários como a mim mesmo;
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- Aceitar a decisão dos árbitros sabendo que, como eu, possuem direito de errar, mas que fazem de tudo para evitá-lo;
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- Evitar a deslealdade e as agressões nos meus atos, nas minhas palavras ou no que escrevo;
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- Não usar artifícios nem subterfúgios para obter o sucesso;
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- Manter a dignidade tanto na vitória quanto na derrota;
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- Ajudar a todos com minha presença, minha experiência e minha compreensão;
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- Socorrer qualquer esportista contundido ou cuja vida estiver em perigo;
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- Ser realmente um embaixador do esporte, ajudando a fazer respeitar, no meu ambiente, os princípios aqui firmados.
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DE ACORDO COM ESSE COMPROMISSO POSSO CONSIDERAR-ME UM VERDADEIRO ESPORTISTA".

Paris, 1 de janeiro de 1863
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Pierre de Fredi, Barão de Coubertin, precusor dos Jogos Olímpicos da Era Moderna

23 junho, 2006

República virtual

Fazemos parte de um novo tempo, o das janelas abertas ao mundo, onde a informação vence todos os dias a tirania e a liberdade se espalha como água, por frestas de portas mal fechadas pelos déspotas, a esperança é reproduzida numa velocidade que nunca se viu. Vivemos em uma nova soberania internacional, que me permito chamar de “República da Blogosfera”.

Fazemos parte de um novo mundo, onde a informação revoluciona, desnuda crendices, derruba mitos e não se prende mais aos tradicionais e oficiais veículos de poucos anos atrás, renovamos e melhoramos a qualidade das informações, não há espaços para verdades ocultas ou mentiras sem conseqüências.

Em seu livro “
La revolución de los blogs” o professor José Luis Orihuela, da Faculdade de Comunicação da Universidad de Navarra na Espanha, afirma que os Blogs são “o meio que mais rapidamente tem crescido na história das comunicações”. Conta o Dr. Orihuela que já somos mais de quarenta e oito milhões de Blogs espalhados pelos continentes, e nos duplicamos a cada seis meses. Fundamos um “Estado Virtual”.

Blogamos porque gostamos, essa é nossa diversão, por vezes cheia de responsabilidades e compromissos. Nossas palavras se somam a outras milhões de idéias postadas. Nossas convicções se espalham e transformam o mundo. A bandeira de nossa “nação” tem a forma e a cor representada em cada post.

CNMP suspende concurso para MP do Rio

Primeiro deu no site do Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP, hoje saiu publicado no O Globo. O Plenário do CNMP determinou na sessão de 19 de junho, a suspensão do concurso para Promotor de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Acatando proposta do relator, conselheiro Paulo Prata, o CNMP concedeu liminar suspendendo o concurso e vai convocar por edital os eventuais interessados para se manifestarem sobre o assunto, no prazo de 15 dias.
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Conforme o site do CNMP, o Procurador-Geral de Justiça do MP do Rio de Janeiro, Marfan Martins, que estava presente na sessão, comprometeu-se a enviar ao Conselho documento declarando se os membros da Comissão e da Banca Examinadora do Concurso têm ou não parentes entre os candidatos inscritos.

A questão não é bem essa, vai mais longe um pouco do que parece. Conforme foi divulgado na imprensa e aqui mesmo no Blog do Ozéas em 9 de maio passado, quando publicou o post
“Será que vale a pena?”, “dos 17 aprovados nas provas específicas do Ministério Público, dez são parentes de procuradores e promotores — tem filhos, sobrinhos e até uma nora”.

Quando o Procurador-Geral do MP/RJ desvia o foco para provar que os membros da Banca Examinadora não têm parentes entre os candidatos, não responde se as acusações iniciais são procedentes, ou seja, se 10 dos 17 são parentes ou não de promotores ou procuradores do Estado do Rio de Janeiro, real motivo das suspeitas de fraude.

Se a pergunta é “qual o seu nome?”, a resposta não pode ser “45 anos”, a lógica não é bem essa.

“A doce vingança”

O texto a seguir data de 5 de junho, mas como só ontem tive a oportunidade de ver a seleção brasileira entrar em campo (de verdade), acho que é mais tempestivo do que nunca.

Agradeço a colaboração do “amigo-mestre” pelo seu envio e passo a repartir com os amigos do Blog.


A doce vingança

Finalmente está chegando a hora. Em poucos dias, vai começar a Copa do Mundo. Nós, os amantes do futebol, que nos desesperamos o ano inteiro, nos campeonatos estaduais, nas batalhas para subir à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro (e por lá ficar uns bons anos); nós que arrancamos os cabelos em um jogo contra o Centro Limoeirense, na reta final do primeiro turno (em Limoeiro); nós, que saímos caçando um boteco que transmita um jogo do nosso time numa quarta-feira chuvosa, um tal de Malutron, pela Copa do Brasil; nós, que somos acusados de loucos, obcecados, dependentes, viciados em futebol; enfim, nós que escutamos comentários do tipo "não sei pra que sofrer tanto por causa de um time" ou "não sei qual a graça que vocês vêem no futebol", e coisas do tipo.
Aqui vai uma confissão: para nós, amantes do futebol de janeiro a dezembro, nós que passamos pelo céu e inferno com nosso clube de coração, a Copa do Mundo é a nossa redenção.
Ah, que maravilha ver aquela tia ranzinza, que não vê graça nenhuma em "ver um bocado de homens correndo atrás de uma bola", vestida de Brasil, dos pés à cabeça, segurando a mão da filha, com o coração na boca.
Ah, que felicidade do sujeito casado, que escuta gracinhas do tipo "parece que morreu um parente teu", quando o time perde um campeonato, ver a esposa ajoelhada, na hora da cobrança dos pênaltis, fazendo promessas a São Expedito, São Apolinário, São Tomé, e outros santos que desconheço a origem e identidade, pedindo que pelo amor de Deus "essa bola tem que entrar, que o Brasil precisa muito deste título..."
Ah, que gozo supremo, ver aquele Phd em Sociologia e Antropologia, que já ponderou diversas vezes sobre a alienação e mercantilização do futebol, fumando um cigarro atrás do outro, já na hora em que os jogadores ainda estão cantando o hino nacional, fazendo mandingas as mais diversas, alertando para começarmos "dando uma pressão total".
Ah, que alegria, amigos, que alegria vê-los inebriados, absortos, obcecados por cada jogo da Seleção Brasileira.
E nesta hora, surge do fundo da alma, de nós apaixonados por futebol, de nós, estádio-dependentes, uma espécie de benevolência. Nossa vingança é quase um ato de emancipação afetiva. Devolvemos com alegria o que nos foi dado em forma de frases contundentes, comentários ácidos, afirmativas dolorosas, quando mais precisávamos de apoio. A cada quatro anos, na Copa do Mundo, nós caneleiros, nós, da segunda divisão da vida, que comemos espetinho à beira dos estádios, que sofremos com os cambistas, que viramos dependentes de uma transmissão pelo rádio de pilha, devolvemos aos nossos detratores uma espécie de cordialidade mística.
Durante os jogos, explicamos vagarosamente o que é um volante. Fazemos verdadeiros tratados filosóficos, com exemplos desenhados na lousa, sobre o impedimento; dissertamos exaustivamente sobre a primeira fase da Copa, avisando que depois vai começar o mata-mata; tentamos, em vão, fundamentar sobre a importância histórica e mística do Zagalo no banco de reservas, ao lado do Parreira; explicamos, com uma ponta de rancor, por que o nosso zagueiro não subiu no cruzamento; relatamos, didaticamente, que Mineiro não é um jogador que veio de Minas...
A Copa do Mundo dá aos amantes cotidianos do futebol, como eu, um raro e estranho sabor de vingança. Diria que se trata de uma doce vingança. Durante um mês, nos sentimos os mais normais dos seres. Estranhamos aquela velha tia, caladona, quase uma santa, soltar uma coleção de palavrões, numa falta perigosa contra o Brasil. Descobrimos que ela sabe mais palavrões que a nossa torcida inteira. Ficamos meio sem jeito quando o moralista da família toma todas e começa a sambar, defronte à TV, ao som de "Voa, canarinho voa", uma música que é da Copa de 82...
Sentimos um orgasmo espiritual quando aquele vizinho rabugento, incapaz de um "bom dia", entra correndo pelo nosso portão, e pula em cima da nossa família, que se abraça entre lágrimas...
Ou seja: tudo o que fazemos, durante quatro anos, eles fazem em um mês. Então, perdoemos os exageros e admitamos, bem secretamente: a Copa é a nossa doce vingança.
Samarone Lima

21 junho, 2006

Frágil democracia


Não sei se os amigos do Blog do Ozéas conhecem o pronunciamento de ACM, proferido quando da recente invasão da Câmara dos Deputados pelos aliados do operário-meu-patrão.

ACM que nunca foi pilar das instituições democráticas, diga-se de passagem, em seu discurso faz uma análise bastante contundente do momento por que passa o Congresso Nacional e apresenta sua “solução”, convocando as Forças Armadas à reação.

Nossa democracia tida como consolidada e amadurecida, na verdade ainda é frágil. As “forças ocultas” que sempre circularam como sombras de velas que pouco iluminam, não morreram, apenas estão adormecidas.

É urgente a renovação completa do Poder Político, Executivo e Legislativo devem sofrer profundas alterações em outubro, pela via democrática, sob pena de degeneração institucional e conseqüente anunciada usurpação por golpistas de plantão.

O pronunciamento de ACM não é isolado e nem ele fala somente por sua voz, as palavras foram escolhidas e dirigidas às pessoas certas, quem conhece a história do velho senador sabe muito bem que ele não seria leviano de falar somente em nome pessoal
Clique aqui para ver e ouvir.

20 junho, 2006

Enquanto aprendo... (texto editado)


Não se assustem ao ouvirem vozes cantando o Hino Nacional, ou algo parecido com o tal. São os candidatos do programa “Ídolos” do SBT, desafiados pela banca de jurados, que deram um show à parte.

Enquanto vou quebrando a cabeça pra botar o Media Player aqui no post, com a ajuda por enquanto da Vera e da Star, quem quiser assistir as melancólicas imagens, é só clicar na “Telinha”.

18 junho, 2006

Menina-passarinho

Nossos filhos, não há nada mais importante para nós. Só depois de tê-los e que aprendemos verdadeiramente quem foram nossos pais e quem nos tornamos.

Nossos filhos, nosso reflexo, tal como somos dos nossos pais presentes ou ausentes.

Minha “menina” mais velha, 12 anos, tinha um sonho, voar. Não da maneira tradicional, comum e mais habitual, com bilhete, assento marcado e check-in em aeroporto. Queria voar como os pássaros, livre de roteiros estabelecidos, queria olhar a terra por um ângulo diferente, não tão alto que tudo perdesse a forma, não tão baixo que parecesse a janela de um prédio mais elevado, queria ser “menina-passarinho”, queria passear sobre os morros e sobre o mar, na verdade, só queria voar.

O Blog do Ozéas para de falar dos outros para falar dos seus, deixa as dificuldades, tristezas e angustias para amanhã, porque hoje ele quer é ver sua “menina” voar.

Voa “menina” que sua hora chegou.
Fotos: Teresa Vilhena e Ozéas

Dizem as más línguas...

No encarte “O Globo – Niterói”, do Jornal “O Globo” deste domingo, o colunista Gilson Monteiro, nosso Ibrahim Sued da terra de Araribóia, apresenta a seguinte notícia:

“O copo e a Copa

Duas jovens niteroienses foram convidadas para um fim de semana na casa de Ronaldo, em Madri, antes da Copa. Voltaram impressionadas: o camisa 9 mostrou também ser um fenômeno no copo. Além de entornar, não parava de fumar”.


Só por via das dúvidas e para não ficarem dizendo que peguei no pé do “gordo”, além de repetir a nota, mando cópia da coluna e ainda indico o endereço (
http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/gilson.asp).

17 junho, 2006

Quanto custa?


Em artigo do Engenheiro Amílcar Brunazo Filho, sob o título “A SEGURANÇA DO VOTO NA URNA ELETRÔNICA BRASILEIRA”, insistimos no debate quanto ao voto eletrônico.

O Blog já postou por duas vezes o assunto e, sem querer ser repetitivo, trás novamente o assunto a tona. Afinal de que adianta lutar, se no final corre-se o risco de já haver vencedor acertado com a compra de milhões de votos.

"O Brasil informatizou o voto em todas as etapas de uma eleição mas isto não indica que estamos na linha de frente no domínio desta tecnologia e sim que ultrapassamos esta linha de forma imprudente e precipitada. Neste artigo é feita uma análise da segurança do voto na urna eletrônica brasileira para demonstrar que esta não garante o direito do eleitor ao voto secreto e à apuração honesta. É uma questão tanto técnica quanto jurídica. Conclui-se que a implantação do voto eletrônico necessita de melhor debate no Brasil, como tem ocorrido no resto do mundo, e propõe-se que este assunto seja melhor discutido pela universidade brasileira".
Leia Mais

16 junho, 2006

A propósito...


Charge Paixão, Fenapef, origem Gazeta do Povo – PR

“O ovo da serpente”


O texto a seguir que é de Alexandre Garcia, foi escrito em 29 de janeiro de 2.002 e tem o título do post.

Atualíssimo, guardando pequenas ressalvas quanto a nomes e questões específicas que foram citadas, merece uma nova leitura, que nos faz ao final indagar: o que mudou?

"Há oito anos, quando pedia voto para ser presidente da República, FHC mostrava na mão espalmada suas cinco prioridades. Um dos dedos era o da segurança pública. Que só fez piorar. Tucanos e petistas estão colhendo os frutos de sua política de combate ao crime. Em vez de matarem a serpente, fertilizaram-na e ela se multiplicou. Tucanos e petistas, acostumados a ver a polícia como uma ameaça, nos seus tempos de comícios de esquerda, parece que se vingaram. Acostumados a ver militantes perseguidos, trataram de dar direitos os perseguidos - só que hoje eles são militantes do Comando Vermelho, do Comando da Capital, do tráfico de drogas, dos seqüestros, do contrabando de armas, do controle das prisões".
( Leia mais )

Técnica

No pugilismo é comum se ouvir que determinado lutador absorve bem os golpes recebidos. A expressão muitas vezes pode ser indicativa da própria vitória do contendor que mais tenha apanhado, até porque, por mais estranho que pareça, quem bate com muita força o tempo todo, mas sem precisão técnica, corre sério risco de perder a luta em um único soco, afinal, depois de bater por doze rounds consecutivos sem derrubar o adversário, termina por cansado e sem ar suficiente para agüentar um gancho de reação bem aplicado em seu queixo, indo parar na lona porque não soube aproveitar as oportunidades que lhe surgiram no combate.

Hoje a noite assisti ao programa político do “PeFeLe”, que não poupou esforços para atingir o operário-meu-patrão. Juntou as peças e demonstrou por A + B que a quadrilha que se instaurou no Palácio do Planalto, agia em ação combinada e com vontade livre e consciente para atingir determinados fins ilícitos, além de politicamente imorais.

O “PeFeLe” chamou todo mundo para dentro do caldeirão, Paulo Okamotto do SEBRAE, Bruno Maranhão do MLST, Delúbio e Zé Dirceu, que fazem parte do tempero do caldeirão que tenta cozinhar o operário-meu-patrão. Marcos Valério, Duda Mendonça, Antonio Palocci e Silvinho Pereira foram tratados em igual qualidade, foram abertamente chamados de bandidos, amigos e com ligações até mesmo empresarial com o mandatário maior da nação. Para o “PeFeLe” e para minha avó, “é tudo farinha do mesmo saco”.

O programa do Partido de maneira geral foi bom e não surpreendeu quanto aos ataques proferidos, muito pelo contrário, ficou até a sensação que tem muito mais por vir por ai, parece que o que vai faltar mesmo é tempo para tantas denuncias que estão para ser anunciadas.

A questão posta portanto é a seguinte, quanto tempo a oposição vai resistir batendo e, por quanto tempo o operário-meu-patrão vai absorver tantos golpes? Ao que indicam as pesquisas até agora anunciadas, já se passa um ano de jabs, uppers, ganchos, cruzados e diretos, mas o oponente continua de pé, chegou até a pedir um pouco d’água em certo momento, entretanto, reagiu bem e continua na luta.

Ao que parece, não bastará apenas bater com força contra o adversário, será necessário muita técnica para se acertar o ponto certo e, deverá se ter em conta um plano alternativo para levar a luta à prorrogação, quando então um novo combate se iniciará, desta feita com cicatrizes irreparáveis da primeira etapa.

Ainda estamos no primeiro round

14 junho, 2006

Quando o comentário é melhor que o post

No post de 11 de junho, mais abaixo um pouquinho, intitulado “Fraude eleitoral”, o Blog comenta alguns aspectos pertinentes de um inquérito policial federal, que investiga possíveis fraudes nas últimas eleições, e que foi objeto de matéria de capa do Jornal do Brasil do mesmo dia.

Pois bem, o blogueiro de qualidade
Sombr4 através de seus comentários, complementa a matéria com maestria, apresentando novas revelações não contidas no texto originário que merecem ser lidas.

13 junho, 2006

"Juízes sem rosto"


Esta saiu publicada no informativo por e-mail do Migalhas Jurídicas:

“A onda de ataques comandada por facções criminosas em São Paulo levou juízes e associações da categoria a implantarem esquemas de segurança para proteger a integridade dos magistrados. Mudanças de trajeto, trocas de placa nos carros oficiais e até a criação de uma central de inteligência estão entre as medidas adotadas pela classe, que estuda ainda propor a criação de "juízes sem rosto", com decisões nas quais o nome do magistrado não aparece”.

Mão à palmatória


Tenho que reconhecer, o operário-meu-patrão deu uma dentro, o “fenômeno” está gordo.

Na estréia do Brasil na Copa da Alemanha, nosso atacante-garoto-propaganda-nike teve um desempenho desastroso na sua função de atacante-jaqueira-parada. Com exceção da um único fruto lançado contra o gol croata, não serviu nem para fazer sombra dentro da área adversária.

11 junho, 2006

Fraude eleitoral

O falecido caudilho Leonel de Moura Brizola tinha lá suas implicâncias com o voto eletrônico, a propósito, sempre defendeu uma contra-fé do voto, que deveria ser impresso pela urna eletrônica, como forma de garantia e futuras conferências de possíveis fraudes eleitorais.

Sempre atacado em suas colocações, sendo até ridicularizado nas suas idéias, era tido como daqueles que acordavam assustados a noite para ver debaixo da cama se algum conspirador o vigiava no sono.

As urnas sempre foram consideradas “infraudáveis” e, a inicialização dos votos só se dava depois da “zerézima” (fantástico nome!) das máquinas, que após o encerramento da votação, seus dados eram encaminhados para o Judiciário Eleitoral, insuspeito e acima de qualquer interesse ou ideologia. Nesse ponto me permito, mas como diria o sambista, me engana que eu gosto!

Pois bem, a edição do Jornal do Brasil de hoje, trás em matéria exclusiva de capa o fantasma brizolista da fraude eleitoral.

Após a notícia sobre oferecimento de votos a candidatos em 2.003 a Delegacia Institucional da Polícia Federal inaugurou um Inquérito Policial para apurar as possíveis fraudes. Correndo em segredo de justiça a investigação, já teriam sido indiciados pelo menos um vereador e um ex-deputado do Rio de Janeiro e, já haveria provas suficientes para o indiciamento de mais três pessoas, entre elas o assessor de um juiz eleitoral e outro político.

Sigilos fiscais, telefônicos e bancários dos investigados já foram quebrados, e segundo a Polícia Federal, “há suspeitas de adulteração nas eleições de 1998, 2000 e 2002”.

Os chamados “flashcards” das urnas, cuja função é guardar os dados dos eleitores e dos candidatos, estão sob perícia do Instituto Nacional de Criminalística (DPF). Embora até o momento não tenha sido declarada efetiva a fraude, tal possibilidade não foi descartada tanto pela Polícia Federal, quanto pelo Tribunal Superior Eleitoral, que não garante em 100% a segurança do processo, inclusive, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro admite que as fraudes “poderiam ocorrer no TRE” e que, “são esses computadores que recebem a soma de votos das urnas. Mas a fiscalização também é intensa, e durante a totalização dos votos o sistema sofre dezenas de tentativas de invasões de hackers”.

Outra questão que teria intrigado os policiais encarregados da investigação, foi a demora do TRE/RJ na entrega dos cartões das urnas, que segundo a matéria do JB teriam sido solicitados em meados do ano passado e só entregues no início do ano em curso.

Dizem que uma mentira quando contada repetidamente e inquestionada, acaba virando verdade. Afirma-se a muito tempo que nossas urnas eleitorais são seguras e servem de exemplo para o resto do mundo. O engraçado é que vários países já solicitaram demonstrações e informações sobre nossa tecnologia eleitoral, mas até onde saibamos, a exceção da República Dominicana, nenhum outro resolveu adotar nosso seguro e rápido sistema. De concluir, das duas uma, ou todos os outros países estão errados, ou corremos sério risco de estarmos sendo enganados.

09 junho, 2006

Conclusão lógica


Indignado com a pergunta do operário-meu-patrão em uma videoconferência com a comissão técnica da seleção brasileira de futebol, onde era proibido que os seus integrantes perguntassem ao nosso palpiteiro-mandatário-maior, o atacante não deixou sem resposta a indagação de que ele estaria gordo:

"Eu também tenho coisas pra perguntar pra ele, mas avisaram a gente que era terminantemente proibido perguntar coisas para o presidente."

"Todo mundo diz que ele bebe pra caramba. Tanto é mentira que eu sou gordo como deve ser mentira que ele bebe pra caramba."

Como já é de conhecimento geral que o apedeuta “bebe pra caramba”, podemos concluir que o “fenômeno” deve estar pesando uma tonelada.

Um mês

Porque se vai, porque se volta, nunca saberemos.


Só nos resta contemplar as palavras e refletir com o poeta para tentarmos entender:

“Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpoe a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
”

Fernando Pessoa

Voltemos a navegar e enfrentemos os monstros marinhos, que nos ameaçam a desistir de nossas conquistas.

Quando as forças que nos animam são mais fortes que os canalhas que nos perseguem, nos resta a guerra como opção inexorável, único caminho a seguir.

Sun Tzu em “A arte da Guerra” ensinava:

“Exibe proveitos para atraí-los. Cria desordem em seus exércitos e toma-os.

Se forem sólidos, prepara-te para eles; se forem fortes, evita-os.

Se forem coléricos, irrita-os; sê o oposto para provocar sua arrogância.

Se estiverem descansados, força-os a se exaurirem.

Se forem unidos, faz com que separem.

Ataca onde eles não estão preparados.

Avança onde eles não esperam.

Esses são os meios porque os estrategistas militares são vitoriosos.
”

Meus amigos agradeço as palavras de carinho e incentivo, foram fundamentais em nossa decisão de continuar.

Embora limitado em nosso tempo e com disponibilidade restrita, não deixaremos de contribuir, ainda que somente com nossas palavras de incentivo aos verdadeiros vitoriosos, homens e mulheres de bem que criam e transformam todos os dias nossa realidade.

09 maio, 2006

Será que vale a pena?


Diante de minha ausência nos Blogs amigos e, cada vez mais raras minhas postagens no Blog do Ozéas, alguns amigos e blogueiros têm me perguntado se desisti da luta.

Acho que ainda não chegou o momento, apenas estou angustiado, reflexivo e cada dia mais frustrado.

A propósito, segue a nota do Ancelmo Góis, publicada no O Globo 08/05/2006:

Grande família
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Dos 17 aprovados nas provas específicas do Ministério Público, dez são parentes de procuradores e promotores — tem filhos, sobrinhos e até uma nora

04 maio, 2006

É grave o estado de Garotinho


Segundo boletim divulgado nesta manhã pelo seu médico, Garotinho já perdeu 2,6kg, embora seu estado de saúde seja estável, entretanto, nas palavras do profissional de saúde, “ele está LÚCIDO” (Leia mais).

Quem diria que essa greve de fome, ou spa político de conveniência, causaria tamanho mal ao pré-candidato do PMDB, esse estado de lucidez não é um bom sintoma no seu caso, contraria sua normalidade.

03 maio, 2006

02 maio, 2006

Quando o gato é manso, o rato deita e rola


Segurança nacional não é assunto para pessoas despreparadas ou preconceituosas, é matéria para ser tratada por gente séria e competente, que compreenda em toda sua dimensão o potencial estratégico que representa.

Por má gestão ou má fé, as Forças Armadas brasileiras vem sofrendo verdadeiro processo de sucateamento, desmoralização e desmotivação de sua tropa, diga-se a verdade, não só por parte desse (des)governo, que muito também tem contribuído para sua derrocada, mas já a alguns anos as Armas vem sendo colocadas de lado nas prioridades nacionais, ou por falta de entendimento de seu papel no que diz respeito a integridade nacional, garantia das instituições políticas e dos interesses internacionais do Brasil, como também, pelo medo de uma esquerda despreparada, que vê no principal contingente garantidor da soberania pátria, ameaça ou obstáculo aos seus projetos de perpetuação no poder.

Em qualquer das hipóteses aventadas, grosseiro é o equívoco, até porque nenhum projeto de autosuficiência (a palavra está na moda) econômica, ou político, podem ser garantidos se não houver a certeza do Poder do Estado, expressado por seu principal componente, a soberania.

Melhor diz o Cel Av Manuel Cambeses Junior: “O Brasil é um país guiado por um sentimento de paz. Não abriga nenhuma ambição territorial, não possui litígios em suas fronteiras e, tampouco, inimigos declarados. Toda ação por ele empreendida nas esferas diplomática e militar, busca, sistematicamente, a manutenção da paz. Porém, tem interesses a defender, responsabilidades a assumir, e um papel a desempenhar, no tocante à Segurança e Defesa, em níveis hemisférico e mundial, em face de sua estatura político-estratégica no concerto das nações.

O primeiro objetivo de nossa Política de Defesa, portanto, deve ser a de assegurar a defesa dos interesses vitais da Nação contra qualquer ameaça forânea. Não se pode precisar, a priori, a fronteira entre os interesses vitais e os interesses estratégicos. Os dois devem ser defendidos com ênfase e determinação. Essencialmente, os interesses estratégicos residem na manutenção da paz no continente sul-americano e nas regiões que o conformam e o rodeiam, bem como os espaços essenciais para a atividade econômica e para o livre comércio (Setentrião Oriental, Costão Andino, Cone Sul e Atlântico Sul)
”.

Depois da bravata xenofóbica de Evo Morales, apoiada pelo pretendente ao cargo de líder do hemisfério sul, Hugo Chaves, o que nos resta a fazer agora, senão recorrer aos organismos internacionais de comércio para “obrigar” a Bolívia a cumprir os contratos pactuados?

Esperar que Evo Morales trate diferenciadamente o Brasil no caso da nacionalização do seu gás, é como acreditar nas estórias da mula sem cabeça, ou do saci pererê, pura fantasia. O que restará pela falta de condição de se impor como país que deve ser respeitado, bem como seus interesses, são os minguados 18% de participação do que for explorado pela Petrobrás em solo boliviano(e olhe lá!), acompanhado de um pedido de “muito obrigado” do governo brasileiro, por não ter os 51% de nosso consumo de gás cortado.

Nas palavras do advogado Adelson Araújo, “A diplomacia é uma excelente ferramenta para homens civilizados, mas para índios, vence quem tem mais força, não é assim que eles escolhem seus chefes nas aldeias? E agora Brasil? Cadê sua força armada que sucatearam?”

01 maio, 2006

“O caminho do ouro”


Embora um pouco longa para postagem num Blog, como hoje é feriado, vale a pena sair da regra e presentear os leitores com a matéria de Xico Vargas, publicada no “no mínimo”, do portal IG, sob o título “O caminho do ouro”.

“01.05.2006 - Está sendo aberto para a passagem do Ministério Público o caminho que leva o dinheiro recolhido pelas delegacias de polícia do Rio para gabinetes da Assembléia Legislativa, onde 11 deputados são investigados por vertiginoso enriquecimento. Em torno disso há discreta, porém consistente, torcida de deputados da oposição para que as apurações desçam às entranhas dessa trilha do ouro e identifiquem a que donatário pertence cada capitania. Que delegacias sejam entidades arrecadadoras para caixas 2 de campanhas políticas não surpreende. Novidade é que estejam a serviço de deputados até há alguns anos proprietários de cartelas de nomeações para todas as secretarias de estado que desenvolvam alguma ação fiscalizadora. Eram, assim, os deputados (alguns ainda são) donos de fiscais de renda, de saúde, de diversões públicas e de outras tantas atividades que contemplem a possibilidade de multa.

De acordo com experiente observador dessa atividade, digamos, extraparlamentar, a voracidade de Silveirinha, aquele do dinheirinho na Suíça, e de sua trupe pode ter ampliado na atual fonte de receita a busca por dinheiro que não deixe traço. Hoje se fala sem rodeios na Assembléia que o presidente da Casa, Jorge Picciani, tem no bolso quatro delegacias, entre as quais a dos Crimes Contra a Saúde Pública. Outro informante, no entanto, atribui ao chefe de polícia a propriedade dessa rendosa máquina de fazer dinheiro. E por que rendosa? Porque semanalmente essa delegacia atende a duas, três pessoas que encontraram o chamado “corpo estranho” em garrafas de refrigerantes. Igual número de consumidores a procura porque encontrou larvas em chocolates comprados no comércio. É assim que funciona. Ganha um doce com a validade vencida quem souber quanto vale providenciar para que um episódio desses desapareça pelo ralo.

É um terreno minado, nem os remédios escapam. Quanto vale uma vista grossa da polícia sobre a rede de farmácias que vende medicamentos tarja-preta sem receita médica? Quem conhece o ramo sabe que o suborno dobra de tamanho se os remédios forem roubados. E o óleo de soja ou milho misturado ao azeite sem que o rótulo alerte o consumidor? Sem contar que qualquer inquérito, que depende de laudos da Polícia Técnica (onde faltam peritos) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (em Brasília), não vão à investigação antes de um ano. Dinheiro, então, é só acessório nessa operação.

De qualquer maneira, para policiais (os da banda boa) não há dúvida de que todas as delegacias têm dono e quotas de arrecadação. As mais valorizadas são as especializadas, como Roubos e Furtos de Automóveis, Roubos de Cargas, Fazendária, Meio Ambiente e que tais. Nessas, dependendo do período, pode-se chegar a uma arrecadação de 150 mil reais por mês. É a quota, por exemplo, da delegacia de Diversões Públicas entre o Natal e o Carnaval. De acordo com a área da cidade há também boas colheitas, ainda que a delegacia seja distrital. Em Copacabana, apesar de existirem duas delegacias, 12a e 13a, ambas contabilizam gorda arrecadação, graças à prostituição de rua, às casas de massagem instaladas em apartamentos, às termas, aos inferninhos, aos camelôs e ao jogo do bicho. Como se vê, é muito dinheiro circulando para que a polícia o deixe passar incólume.

Claro que há lugares miseráveis, como a 7ª delegacia, em Santa Teresa. Ali, com sorte, arruma-se algum do tráfico no morro da Coroa. Igual penúria vive quem trabalha na 167ª, em Paraty, ou nas de cidades miseráveis do interior, como a 140ª, de Natividade. Mas estes são lugares reservados para novatos, desiludidos da vida, rebeldes ou espertalhões que tentaram fazer justiça com as próprias mãos na hora de prestar contas do arrecadado. Policiais experientes contam que o mecanismo de arrecadação funciona assim: as equipes que vão à rua sabem qual a meta do mês e quanto falta para atingi-la. Do bolo, 30% ficam com o setor administrativo. O restante é rachunchado entre os achacadores.

Conta-se que na 10ª delegacia, em Botafogo, paraíso das clínicas de aborto (precisa dizer que são clandestinas?), quando lá estava o atual chefe do Departamento de Polícia do Interior, Rafik Louzada, a administração ficava com 50%. Pelo mesmo relato sabe-se que na Polinter, meses atrás, o volume arrecadado era tão grande que o pedágio havia caído para 20%. Pudera, até que a superlotada carceragem fosse desativada, cada visitante de preso pagava R$ 50 pelo ingresso. Cálculos comedidos estimam arrecadação de R$ 40 mil semanais no período.

Claro que nem todo o dinheiro que entra nas delegacias vem pelas mãos dos policiais. Dependendo da área da cidade há mensalidades fixadas de acordo com as estimativas de faturamento do contribuinte. É o caso do jogo do bicho, dos bingos, das máquinas caça-níqueis (muitas hoje já nas mãos de policiais) e das redes de casas de massagem.

Contudo, se alguém achou que a fortuna que circula nas delegacias engorda a conta bancária dos delegados errou feio. Nos dias que correm quem manda nas delegacias são os inspetores, principalmente porque a maioria dos delegados experientes está na varanda ou museu, espécie de depósito de graduados que caíram em desgraça por não concordar com método ou destino da arrecadação. Os inspetores recebem o dinheiro, enfiam uma fatia no bolso e remetem o pacote gordo para cima. A partir daí, o cofre que guarda a bufunfa costuma ser insondável. Sabe-se, porém, que, para baixo, algumas bondades são feitas no varejo. Por exemplo: em delegacias especializadas, cada funcionário administrativo ganha um pedacinho do butim. Em pelo menos uma delas isso significa algo entre 250 e 300 pratas mensais – em grana viva. Nessa ou em qualquer outra não é aconselhável discordar da distribuição de renda. A pena para os rebeldes de qualquer delegacia pode ser a temida transferência para Natividade ou Paraty, também conhecida como punição geográfica. É o desterro.

Por isso, talvez, ninguém na polícia abre a boca para revelar a exata dimensão do desastre que virou o projeto Delegacia Legal. Impecável no plano revelou-se uma tragédia. Do software, que exige quase duas horas para um simples registro, ao criminoso aluguel dos computadores. Não sabia? Pois anote: todos os equipamentos que servem às delegacias legais são alugados, os softwares foram desenvolvidos por empresa ligada à Uerj, a Universidade do Estado, e a manutenção é uma tragédia: seis meses é o tempo médio para qualquer conserto. Mas duro, mesmo é o preço: paga-se por um mouse (repetindo: um mouse) aluguel de 40 reais por mês. Sabe quanto custa um mouse em qualquer loja da cidade? Pois é: em torno de 40 reais.

Triste, não? Mas mais triste é saber pelos mesmos policiais que contam essas histórias que nada disso é novo. Antes de Marcello Alencar – lembra dele? – já existia, embora a participação de deputados fosse muito menor. Apenas ficou mais evidente com a impunidade disseminada na administração dos Garotinho. Bem antes do notório casal, no entanto, chefes de polícia e secretários de segurança também saíam dos cargos com o bolso bem fornido em direção a candidaturas a deputado. A favor de Marcello Itagiba - o último secretário de Segurança a tomar o caminho das urnas - dizem eles, registre-se que não foi dono de nenhuma delegacia, nem botou a mão no alheio. Ao contrário, perdeu o pé no pesado jogo interno e a maré o tragou. Alguém da platéia acha que algo do que aqui se falou tem jeito? Talvez refundando a polícia. Temos até outubro para pensar”.

30 abril, 2006

Essa nos já perdemos

A foto está publicada neste domingo pelo O Globo, mostra o exército boliviano “protegendo” as instalações de gás da Petrobrás, localizadas em San Antonio.

São mais de US$ 1.000.000.000 (um bilhão de dólares) investidos pela empresa, leia-se pelo Brasil, leia-se por nós, naquele país, que estão sendo defenestrados sob o olhar passivo do operário-meu-patrão. Estratégico e significativo patrimônio nacional que já nos parece perdido.

Alguns países no mundo chegariam ao ponto limite da ameaça de intervenção armada em solo alienígena, para garantir sua soberania e fazer valer contrato de investimento tão vultoso. Não defendemos ação tão rigorosa, mas também não admitimos assistir de maneira tão subordinada e negligente, a expropriação do patrimônio nacional, sob o argumento de proteção de reservas energéticas daquele país.

A ameaça xenofóbica boliviana deve ser tratada pelo Brasil não como um sonho continental de libertação, como vem sendo entendido até agora pelo operário-meu-patrão, muito pelo contrário.

O governo boliviano ao expulsar de seu país um investidor que pretendia a construção de termelétrica na fronteira com o Brasil (
leia mais), ou diante da expropriação das instalações da Petrobrás ora em curso, o que particularmente nos atinge como país interessado, sob o olhar inoperante do governo brasileiro, afugenta novos investimentos na América do Sul como um todo, alvejando por via oblíqua o crescimento brasileiro, que passa a ser confundindo no todo com um continente de risco para o capital produtivo internacional.

25 abril, 2006

Laranjal do Garotinho


Acompanhando as “Informações e opiniões” de Cesar Maia, difundidas por e-mail, desde que encerrou as atividades de seu Blog, destaco três notas sobre o pré-candidato pelo PMDB à Presidência da República, Antony Matheus GAROTINHO, envolvido até o pescoço com sua plantação de laranjas.
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1ª - VOCÊ CONHECE ALGUMA EMPRESA DE INFORMÁTICA QUE NÃO TENHA SITE NA INTERNET ?
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NÃO ?
AH.....AS TRÊS EMPRESAS DE INFORMÁTICA, DOADORAS DE DINHEIRO PARA O
GAROTINHO SÃO AS ÚNICAS DO MUNDO QUE NÃO TEM.
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SÃO ELAS:
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Inconsul Informática e Consultoria de Projetos
Virtual Line Projetos e Consultoria de Informática Ltda
Emprin Empresa de Projetos de Informática Ltda.
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2ª - Doadores de Garotinho têm sedes de fachada
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As quatro empresas que o PMDB diz terem doado R$ 650 mil para
financiar a campanha do pré-candidato Anthony Garotinho não prestam serviço ou
não funcionam nos endereços que forneceram. Uma delas informou ter
escritório no quinto andar de um prédio em Rio Bonito que só tem quatro
pavimentos. O PMDB diz já ter gastado R$ 723 mil na campanha.
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3ª - SOBRE O LARANJAL DO GAROTINHO ! COINCIDENTEMENTE EM RIO BONITO, EX-CAPITAL DA LARANJA !
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Ex-mulher de preso em Bangu diz que casal serviu de laranja; ele deixou a sociedade neste mês.
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Empresa de assaltante aparece entre doadoras a Garotinho.
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José Onésio Rodrigues Ferreira, 33, assaltante que cumpre pena no complexo penitenciário de Bangu (zona oeste do Rio), é fundador da empresa Virtual Line Projetos e Consultoria de Informática, que teria doado R$ 50 mil à pré-campanha de Anthony Garotinho (PMDB) à Presidência. Seu nome saiu da sociedade neste mês. A doação ocorreu em fevereiro, quando Ferreira era sócio. A Virtual faz parte de lista de empresas divulgadas como doadoras. Algumas têm endereços fictícios em Rio Bonito (70km do Rio), conforme publicou o jornal "O Globo" no domingo. Antes de ser preso, há dois meses, Ferreira morava em uma vila no pé do Tuiuti (São Cristóvão, zona norte), morro controlado pela facção criminosa Comando Vermelho. Sua ex-mulher, Sarajane Aparecida Luz Costa, também é ex-sócia da firma. Seu endereço residencial fica dentro da favela."Fomos laranjas. Não ganhei nada para fazer isso. Moro em um cômodo no porão da casa da minha mãe, na favela, com dois filhos. Sou depiladora e ganho R$ 385 por mês", disse Sarajane à Folha, em entrevista por telefone.

O mais engraçado é que até agora nenhum dos demais candidatos ao cargo de mandatário maior da República, resolveu botar a boca no trombone, denunciando com veemência o “caixa dois” fluminense.
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Do que se conclui que na verdade, todos sonham em dar uma boa golada do suco deste laranjal após a convenção do PMDB.

23 abril, 2006

Investigação parlamentar


“A CPI dos Bingos perdeu o objetivo inicial de suas investigações, comprometendo sua eficácia e sua base jurídica, podendo até mesmo acarretar na anulação de seu relatório final. Esta é a conclusão de uma consulta feita por Última Instância a três especialistas em direito constitucional, que comentaram as conseqüências a respeito da diversidade de assuntos abordados pela comissão.
Eles foram indagados se a CPI dos Bingos não está saindo de seu núcleo de apuração, e se tal fato não violaria artigos constitucionais. Todos responderam enfaticamente que sim, e citam, em voz unânime, o § 3º do artigo 58 da Constituição Federal, no trecho que diz: "As Comissões Parlamentares de Inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais (...) serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal (...) para a apuração de fato determinado e por prazo certo...".” (Leia Mais)

Sem dúvida, assiste parcial razão aos ilustres constitucionalistas em seus comentários, especificamente quanto a referência à apuração de “fato determinado”, entretanto, não entendemos da possibilidade anulatória do relatório final da CPI dos Bingos e, ainda que assim ocorresse, nenhuma conseqüência relevante ocorreria, no atual estagio que se encontra a investigação, qual seja, terminada e relatada.

A matéria assusta pelo emprego de expressões contundentes como “inconstitucionalidade”, “anulação” e “perda de eficácia”, mas não passa disso. Para ouvidos e leitores menos familiarizados, estaríamos diante do caos, da desmoralização completa e final, seria a prevalência da forma sobre a materialidade, ou mais ou menos como se o homicida escapasse de sua condenação porque seu nome fora grafado com “s” e não com “z” no processo, forma registrada em cartório. Discordamos da tese inicialmente apresentada pelos juristas e vamos dizer porque. (Leia no Escabinos)

22 abril, 2006

A esperança vencendo o medo


Nem tudo está perdido, afinal, o operário-meu-patrão começa a seguir os passos dos estadistas (Mercadante o classificou assim).
Na trilha de Getúlio Vargas besuntou a mão em óleo cru, quando anunciou a auto-suficiência brasileira em petróleo, no Rio de Janeiro.

Com um pouco de sorte a história se repete, e quem sabe, em breve teremos um suicídio pra comemorar.

Só para não passar em branco


Crime é crime e está acabado, o resto, é so encheção de lingüiça.
Advocacia administrativa:

"É um dos crimes praticados por funcionário público contra a adminstração em geral. Consiste em patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário. A pena prevista é de detenção, de 1 a 3 meses, ou multa. Se o interesse for ilegítimo, a pena será de detenção, de 3 meses a 1 ano, além da multa. Veja Art. 321 do Código Penal". (fonte: Dicionario Juridico - DireitoNet).

“OBRIGADO TÊLE”

“O Fio de Esperança” / Telê Santana

Pode-se dizer de tudo de Telê Santana: que foi o maior treinador de futebol dos últimos tempos, e não se estaria exagerando em nada; que comandou a mais bela das seleções que o Brasil já teve e que, apenas por um capricho do destino, não foi consagrada com o título de campeã mundial; que como bicampeão estadual em São Paulo, bicampeão da “Libertadores das Américas” e bicampeão mundial de clubes nos anos de 92/93, mostrou que o futebol pode ser mais que eficiente, pode ser bonito de se ver. Enfim, pode se falar tudo do Telê Santana, mas uma coisa para mim é fundamental, Telê era tricolor de coração.

Telê começou a carreira de jogador profissional em 1951 nas Laranjeiras. Torcedor confesso, permaneceu no Fluminense até 1960, ano que se transferiu para o Guarani. No final de carreira, em 1963, "O Fio de Esperança", como era carinhosamente chamado pela torcida do Flu, foi defender o Vasco da Gama, seu último clube. Mas as razões profissionais nunca afastaram seu coração do Tricolor das Laranjeiras, tendo retornado ao clube no final dos anos 60, para atuar desta feita como técnico.

Uma das formações do timaço que o Fluminense montou nos anos 50. Em pé: Píndaro, Jair Santana, Édson, Pinheiro, Castilho e Bigode. Agachados: mestre Telê Santana, o peruano Villalobos, Marinho, Róbson e Quincas.

A propósito, pela morte de Telê, o presidente do Fluminense Roberto Horcade decretou luto oficial de três dias e, como homenagem póstuma, os jogadores que entrarão hoje em campo com uma tarja preta nos seus uniformes, respeitarão um minuto de silêncio antes do jogo deste sábado entre Fluminense e Goiás, no Maracanã.

Todas as homenagens ao ex-desportista não serão suficientes para retribuir tudo que ele representou para o Fluminense, para o futebol, para o esporte e para o Brasil. Nesses tempos em que faltam os referenciais morais, em que mesmos os mais baixos valores de negociatas, são sempre superiores a própria dignidade, Telê é uma das poucas unanimidades nacionais, não só por sua postura profissional, como também por sua vida pessoal inatacável.

O Blog do Ozéas, tricolor declarado como seu titular, não poderia deixar de fazer esse registro, prestando homenagem a quem merece ser lembrado. Recordando uma singela faixa tricolor, esticada na mureta das arquibancadas do Maracanã, que dizia em poucas palavras todo o respeito e carinho da torcida, por tudo que representou, desde os tempos de atacante no juvenil do Fluminense até sua conquista do campeonato carioca de 1969, essa última como técnico: “OBRIGADO TÊLE”.
Campeâo Carioca de 1969: da esquerda para a direita: Claudio Garcia - Wilton - Félix - Samarone - Galhardo - Assis - Lulinha e Cafuringa.

18 abril, 2006

Se botar grade vira presídio, se subir o muro vira hospício, se cobrir com lona vira circo


Charge Paixão / Gazeta do Povo - Paraná

Cassino Brasil


A proibição do jogo no Brasil tem seu lado criativo, afinal todos jogam, nós jogamos, quem não joga?

É Raspadinha, Mega-Sena, Dupla-Sena, Quina, Loteria Federal e Estadual, Lotofácil, Lotogol, Loteca, To Rico, corrida de cavalo, jogo do bicho, bingo cantado ou na “maquineta” (com liminar), bingo nos campos de várzea (sem liminar), carteado e roleta clandestina, jogo das argolas e de dardos nos parques de diversão e outras mil modalidades de emoção...

Conforme a legislação em vigor, só quem pode explorar a “proibição” é o Estado, que teoricamente destina a “parte do leão” para o desenvolvimento esportivo-cultural-social-beneficente-escoteiro, o que tem gerado muitas dores de cabeça para os “investidores” do ramo, desde os mais clássicos “corretores zoológicos” até aos mais modernos “bingueiros”, que não conseguem avançar na concorrência e são jogados nos guetos da contravenção.

Todo mundo quer um pedaço do bolo, ou melhor, todos querem disputar uma mesinha de apostas, ainda que não seja de bacará ou de 7 ½, o que importa é participar desse bolão nacional.

A criatividade dos “investidores” brasileiros é digna de admiração em todas as partes do planeta, como exemplo e a propósito, apontamos a Tele Sena, que é na verdade uma aplicação em títulos de capitalização, um senhor investimento para seus fieis clientes, conseguindo ser o único título no mundo que atrai seu mercado com proposta firmada em contrato, no verso do título, de remuneração pela metade do valor da aplicação inicial, isso ainda no final de doze meses.

Melhor que isso só outro produto do mesmo grupo, o afamado carnê do Baú da Felicidade, onde são ignoradas todas as regras modernas de financiamento, quando o cliente retira o produto já no ato da compra (leasing, alienação fiduciária, CDC...), trocando por uma compra parcelada em que o bem só estará à disposição no final da quitação de todas as doze prestações. Também não importa ao comprador do Baú que o produto adquirido, ainda a ser escolhido em loja, de duvidoso gosto e limitado estoque, tenha seu preço por vezes majorado em mais de 100% ao praticado comumente pelo mercado.

O que esconde todo esse processo de investimentos negativos ou de retrocesso mercantil, não é nada mais nada menos que o jogo, disfarçado e embutido como “promoções” e “sorteios” de prêmios, patrocinado pela capitalização ou pelo bom comerciante que “presenteia” seus fieis clientes com casas, carros ou mesmo barras de ouro.

O negócio é bom e como diz o ditado, no prato onde se come um, comem dois ou mais. A Rede Globo, ética e sempre politicamente correta não poderia ficar de fora desse mercado, como verdadeiramente nunca deixou de fazer. Tal como seu concorrente mais popular o Senor Abravanel, também apresenta vez por outra sua Tele Sena premiada, com um pouco mais de glamour, brilho e missão.

Lembro bem da revista “Show de Gols” na Copa do Mundo de 2.002, alardeada e vendida pelo cansativo apresentador global Fausto Silva. Por R$ 2,90, vendeu mais de 10 milhões de exemplares (isso mesmo!), onde o cliente comprava “informações” sobre os jogos e ainda depositava um cupom que vinha encartado no “periódico” numa das milhares de urnas espalhadas pelo país, para concorrer durante as transmissões a uma centenas de carros zero quilometro. Jogo, puro jogo disfarçado, até porque ninguém nunca lia nenhuma matéria publicada no pseudo-informativo, e o mais engraçado ainda, não raras vezes o leitor comprava dezenas de revistas de uma mesma edição.

Pois bem, em mais um lance de criatividade, desta vez associada com tecnologia celular, a Rede Globo novamente se prepara para “informar” seus clientes e de quebra, prestigiar e premiar àqueles que sejam fanáticos por futebol e ávidos por suas noticias.

Assistindo a programação global neste domingo pascal, no intervalo do futebol, vejo uma “chamada” do Faustão para uma nova modalidade de “informação”, mas como disse o carismático apresentador, “só para quem tem celular”.

A brincadeira agora ficou mais simples e elimina o maior problema da antiga revista “Show de Gols”, logística e distribuição, até porque existiram em 2.002 casos de cobrança de ágil para compra dos cupons disfarçados de revista esportiva, o que atrapalhou a “promoção”.

Pelo que entendi, a novidade consistirá no envio de “torpedos” para operadoras de celulares, onde o “torcedor” solicitará um pacote de informações sobre os jogos, certamente o comprador das notícias, que também serão transmitidas por “torpedos”, receberá um número ou controle, e não por coincidência, estará concorrendo a milhões em prêmios. Tudo porque ama o futebol, ama a informação e ama o Brasil.

Jogo descarado e deslavado, isso é o que está embutido em mais essa “promoção milionária”, até porque TODOS agora poderão concorrer sem constrangimentos ou limitações, desde a vovó que não tem tempo ou saúde para sair de casa na disputa de um cupom, até a criança que possui um telefone móvel à disposição para emergências escolares ou domesticas, é o jogo liberado na era digital, sem restrições de idade, cultura e mesmo condição social, facilitado ao máximo e com autorização da Receita Federal.

Outra certeza é que se poderá comprar quantos pacotes informativos quiser e que se receberá pelo serviço, meia dúzia de “abobrinhas” sobre a competição além mar. Mas afinal o que importa é torcer pelo Brasil e ficar por dentro da Copa.

As regras do negócio ainda não foram divulgadas para a torcida verde-amarela, mas a novidade vai golear facilmente qualquer Mega Sena acumulada.

Nada mal para um país que tem mais de 60 milhões de aparelhos telefônicos celulares e que adora uma jogatina.

17 abril, 2006

Medida Provisória X Lei orçamentária


Leio nos jornais de hoje que o operário-meu-patrão “queixou-se do atraso do Congresso na votação do Orçamento deste ano e disse que o governo ‘não pode ficar parado’ diante dessa demora. Por isso, segundo ele, o Executivo precisou editar medidas provisórias para liberar verbas federais. ‘Afinal de contas, tem muita coisa em andamento no Brasil e nós precisamos de dinheiro para poder tocar as obras’, justificou-se.

Lula vem sendo criticado pela oposição por essa liberação de recursos via medida provisória que, até a semana passada, somou cerca de R$ 24 bilhões (para gastos de empresas estatais e ministérios). Depois de vários meses de entrave, a expectativa agora é de que a proposta orçamentária vá para votação nesta terça-feira”
Diário do ABC.

Assiste razão a oposição quanto a inconstitucionalidade das medidas adotadas, não tanto pela discussão de fundo ideológico ou mesmo eleitoral, mas por questões que são imperativas no estado de direito.

Examinando-se sucessivamente os artigos a seguir transcritos, onde tomamos o cuidado de grifar os pontos principais à correta interpretação e aplicação da Lei Maior, verifica-se mais uma vez, que o governo desconhece a vontade do legislador constituinte ou faz questão de ignora-la. O operário-meu-patrão atropela a Constituição, quando através do uso de instrumento impróprio, adotando Medida Provisória em matéria expressamente vedada, configura gritante inconstitucionalidade.

Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
...
III – os orçamentos anuais

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submete-las de imediato ao Congresso Nacional.

§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:

I – relativa a:
...
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;

art. 167. ...:
...
§ 3º A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública, observado o art. 62.(quanto à vedações - grifo nosso)

No
estado de direito a lei funciona como limitadora das atividades do governante de plantão, ou seja, o governante não está autorizado a fazer se não quando autorizado por lei, entendendo-se portanto, como estado de direito “aquele no qual a legalidade é critério observado pelo exercício do poder”.

Violar a Constituição federal sob o argumento da governabilidade seria o equivalente a autorizar atividades de grupos de extermínio, como forma de se conter a violência. Justificar a violação da Constituição sob o pretexto da paralisia que estaria sendo imposta à administração pública, é tão grave quanto justificar o fechamento do Congresso Nacional pela ausência de maioria governamental nas casas parlamentares.

Não há possibilidade de gastos governamentais senão através da lei orçamentária, salvo quando a própria constituição assim excepcionar, o que não é o caso em questão, sob pena de responsabilização do governante: “Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: ... VI – a lei orçamentária” (CR/88).

A questão vai longe ainda, ou pelo menos até que se aprove o orçamento desse ano. A questão é política e como tal deveria ser tratada, longe dos tribunais, ilegítimos à discussão apresentada, mas ao que tudo indica e se tem lido, será o Supremo Tribunal Federal quem novamente viabilizará a governabilidade do operário-meu-patrão.

16 abril, 2006

A bomba d'agua


Nesse dia de Páscoa visitando os amigos, dei uma passada no Outras Letras do Alexandre, onde achei o belo texto a seguir publicado. Não poderia deixar de repartir com todos a bela estória “A bomba d’agua”.

Um homem estava perdido no deserto, prestes a morrer de sede. Eis que ele chegou a uma cabana velha, quase caindo aos pedaços. Encontrou uma sombra onde se acomodou, fugindo do sol desértico.
Olhando ao redor, viu uma velha bomba de água, bem enferrujada. Ele se arrastou até a bomba, agarrou a manivela e começou a bombear, a bombear, a bombear sem parar. Nada aconteceu.
Desapontado, caiu prostrado, para trás.
Logo notou que ao seu lado havia uma velha garrafa. E, na garrafa tinha um recado que dizia: "Meu amigo, você precisa primeiro preparar a bomba derramando sobre ela toda água desta garrafa. Depois, faça o favor de encher a garrafa outra vez, para o próximo viajante."
O homem arrancou a rolha da garrafa e constatou que ela estava quase cheia!
De repente, o dilema. Se bebesse aquela água, poderia sobreviver. Mas, se despejasse a água na velha bomba enferrujada e ela não funcionasse morreria de sede. O que fazer? Despejar a água na velha bomba e esperar a água fresca ou beber a água da velha garrafa e desprezar a mensagem?
Com relutância, o homem resolveu despejar toda a água na bomba. Em seguida, agarrou a manivela e começou a bombear e a bombear. A velha bomba d’água pôs-se a ranger e a chiar sem fim. De repente, surgiu um fiozinho de água, depois um pequeno fluxo e, finalmente, a água jorrou com abundância!
O homem, aliviado, matou a sede com água fresca e cristalina e depois voltou a encher a garrafa para o próximo viajante. Encheu a garrafa até o gargalo, arrolhou e acrescentou a nota: "Creia, funciona. Você precisa dar toda a água antes de ter de volta."
Nós podemos extrair várias lições desta história.
Quantas vezes temos medo de iniciar um novo projeto, pois este demandará um enorme investimento de tempo, recursos, preparo e conhecimento?
Quem teme o desconhecido, ou se sentiu inseguro na hora da decisão?
Quantos ficam parados satisfazendo-se com pequenos resultados, quando poderiam conquistar significativas vitórias?
Quantos se satisfazem com a esmola, ao invés de buscarem a fonte de renda?
Quantos esperam receber o peixe e nunca tentaram ou foram estimulados a pescar?
Aproveitando o tema predileto do Presidente da República: num estádio de futebol quantos são aqueles que apenas VÊEM as coisas acontecerem e quantos são aqueles que FAZEM as coisas acontecerem?
E você? De qual lado está?
O que falta para despejar esta garrafa de água velha que você guarda e está prestes a beber e trocá-la pela possibilidade de conseguir água fresca em abundância de uma nova fonte?

15 abril, 2006

Feliz Páscoa


Na Páscoa celebramos a Ressurreição de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, imolado para salvação e libertação de todos os nossos pecados.
Deus amou o homem de tal maneira que deu seu filho como sacrifício, para que todos tenhamos vida, vida em abundância.
Nessa Páscoa mais que chocolates e presentes, troquemos a alegria da vida, por aquele que não mediu esforços para nos libertar.
Meus amigos, Feliz Páscoa para todos.

08 abril, 2006

Feijões

Não é novidade para ninguém que o envio do “cosmonauta” brasileiro Marcos Pontes a Estação Espacial Internacional (ISS), custou só de passagem na Soyuz (já incluída taxa de embarque) a bagatela de 10 milhões de dólares.

Sustentam os defensores do “Gagari” tupiniquim que sua façanha abrirá o caminho para muitos jovens brasileiros, pretendentes à pesquisa e a exploração científica, além do que, as experiências realizadas(?) por Marcos Pontes serão úteis ao conhecimento e avanço científico nacional.

Ao optar pela “conquista do espaço” o país abriu mão, por exemplo, da oportunidade de formar no mínimo 463 Pós-Doutores de nível internacional, nas mais diversas áreas do saber, isso em razão de uma política científica equivocada, ufanista e despreparada.

Explico, o valor pago pelo governo federal à um bolsista de Pós-Doutorado nos EUA (poderia ser em qualquer parte do mundo, com valores equivalentes), é de US$ 1.800 mensais (fonte:
tabela CNPQ), levando em conta que um curso de Pós-Doutorado tem duração média de seis a doze meses (fonte: normas CNPQ), um cientista formado nos EUA, custa ao Brasil US$ 1.800 X 12 meses, ou seja, US$ 21.600 dólares. Se dividirmos os US$ 10.000.000 pelo custo individual de cada bolsista, chegaremos aos equivalentes 463 formados. Portanto, a aventura brasileira no espaço poderia ter criado uma reserva científica significativa, nos mais variados campos de conhecimento e pesquisa.

Tal como nos contos de fadas, onde João trocou sua velha vaca por grãos mágicos de feijão, trocamos 463 cientistas top de linha, por meia dúzia de brotos germinados na gravidade zero. A diferença é que na estorinha a vaca era do João e no final havia uma galinha que botava ovos de ouro, pagando todo prejuízo de seus sonhos, aqui na realidade, quem acaba pagando a conta somos nós.

Cinema Nacional


Sem muito que comentar, afinal o cheiro é mesmo desde o início, de novo só as moscas. Coloco a disposição dos leitores do Blog dois filminhos para diversão no final de semana. É só Clicar Aqui, aproveitem antes que saia de cartaz.

07 abril, 2006

Golpismo


“MANIFESTO REPUBLICANO EM DEFESA DA CONSTITUIÇÃO: DENUNCIANDO O GOLPISMO DA PEC 157

Perigosamente ganha corpo a proposta de convocação de uma Assembléia Constituinte revisora. A tese avança – à socapa – através da “repristinação” de uma antiga PEC – Proposta de Emenda Constitucional (157), que pretensiosamente quer fazer do Congresso, a ser eleito em 2006, uma constituinte revisora, autorizada a proceder alterações ditas necessárias (sic), com o quorum de metade mais um (e não de 3/5, como exige a Constituição).

A tese, a par de ser absolutamente golpista, coloca por terra toda as conquistas democráticas que o constitucionalismo e a teoria da Constituição nos legaram. Motivo de perplexidade no resto do mundo, como explicaremos que o fundamento jurídico para a convocação é o de que “o poder constituinte é uma ficção”(sic), conforme consta no parecer do relator, Dep. Michel Temer? Em quase dezoito anos, passamos por crises econômicas, reformas constitucionais e um impeachment. Tudo na mais plena normalidade, exatamente porque vivemos em uma democracia. A democracia brasileira funciona. E funciona exatamente porque está sustentada em princípios democráticos, previstos na Constituição da República”. Leia todo manifesto

02 abril, 2006

“Barriga”


Conforme publicado no último post, o Blog do Ozéas denunciou a tentativa de armação do Palocci para continuar à frente do Ministério da Fazenda e não perder a prerrogativa de foro do Supremo Tribunal Federal. A propósito, tal tentativa não foi vislumbrada por nenhum órgão da chamada grande imprensa, que com habitual regularidade, confunde o leitor e é confundida pelos mais experiente da máfia palaciana no trato jurídico de seus atos.

A “carta de afastamento”, conforme agora ficou provado, tinha outra intenção, pretendia remediar e empurrar para baixo do tapete o desfecho da demissão e a conseqüente investigação, que só poderia ser procedida através de inquérito especial conduzida pelo Procurador-Geral da República. Acontece que o operário-meu-patrão não teve coragem de “bancar” mais essa aventura política e exonerou o ministro criminoso.
Leia toda a matéria

“Por telefone, Palocci chegou a pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que não fosse demitido, mas afastado temporariamente. Lula, porém, respondeu secamente que não dava. Havia acabado de ser informado de que não havia mais dúvida de que Palocci ordenara a violação do sigilo do caseiro, apesar de o então ministro ter negado isso várias vezes no decorrer do imbróglio”.

...

“O presidente disse a Palocci que, diante das circunstâncias, ele deveria deixar o governo. O auxiliar pediu que não fosse demitido, mas afastado, a fim de tentar provar sua eventual inocência e retornar ao posto. Lula não aceitou”.


O Blog do Ozéas após a publicação do post, acompanhando o desenrolar da estória, chegou a achar que tinha produzido uma “barriga” (no jornalismo é sinônimo de notícia ou informação falsa), mas volta satisfeito agora a comentar o assunto, afinal não eram infundadas suas razões iniciais. Com essa quadrilha, todo cuidado é pouco.