Minhas opiniões e publicações, expostas neste espaço, são reflexões acadêmicas de um cidadão-eleitor, publicadas ao abrigo do direito constitucional da liberdade de expressão

"Por favor, leia devagar." (Ferreira Gullar)

08 abril, 2006

Feijões

Não é novidade para ninguém que o envio do “cosmonauta” brasileiro Marcos Pontes a Estação Espacial Internacional (ISS), custou só de passagem na Soyuz (já incluída taxa de embarque) a bagatela de 10 milhões de dólares.

Sustentam os defensores do “Gagari” tupiniquim que sua façanha abrirá o caminho para muitos jovens brasileiros, pretendentes à pesquisa e a exploração científica, além do que, as experiências realizadas(?) por Marcos Pontes serão úteis ao conhecimento e avanço científico nacional.

Ao optar pela “conquista do espaço” o país abriu mão, por exemplo, da oportunidade de formar no mínimo 463 Pós-Doutores de nível internacional, nas mais diversas áreas do saber, isso em razão de uma política científica equivocada, ufanista e despreparada.

Explico, o valor pago pelo governo federal à um bolsista de Pós-Doutorado nos EUA (poderia ser em qualquer parte do mundo, com valores equivalentes), é de US$ 1.800 mensais (fonte:
tabela CNPQ), levando em conta que um curso de Pós-Doutorado tem duração média de seis a doze meses (fonte: normas CNPQ), um cientista formado nos EUA, custa ao Brasil US$ 1.800 X 12 meses, ou seja, US$ 21.600 dólares. Se dividirmos os US$ 10.000.000 pelo custo individual de cada bolsista, chegaremos aos equivalentes 463 formados. Portanto, a aventura brasileira no espaço poderia ter criado uma reserva científica significativa, nos mais variados campos de conhecimento e pesquisa.

Tal como nos contos de fadas, onde João trocou sua velha vaca por grãos mágicos de feijão, trocamos 463 cientistas top de linha, por meia dúzia de brotos germinados na gravidade zero. A diferença é que na estorinha a vaca era do João e no final havia uma galinha que botava ovos de ouro, pagando todo prejuízo de seus sonhos, aqui na realidade, quem acaba pagando a conta somos nós.

Cinema Nacional


Sem muito que comentar, afinal o cheiro é mesmo desde o início, de novo só as moscas. Coloco a disposição dos leitores do Blog dois filminhos para diversão no final de semana. É só Clicar Aqui, aproveitem antes que saia de cartaz.

07 abril, 2006

Golpismo


“MANIFESTO REPUBLICANO EM DEFESA DA CONSTITUIÇÃO: DENUNCIANDO O GOLPISMO DA PEC 157

Perigosamente ganha corpo a proposta de convocação de uma Assembléia Constituinte revisora. A tese avança – à socapa – através da “repristinação” de uma antiga PEC – Proposta de Emenda Constitucional (157), que pretensiosamente quer fazer do Congresso, a ser eleito em 2006, uma constituinte revisora, autorizada a proceder alterações ditas necessárias (sic), com o quorum de metade mais um (e não de 3/5, como exige a Constituição).

A tese, a par de ser absolutamente golpista, coloca por terra toda as conquistas democráticas que o constitucionalismo e a teoria da Constituição nos legaram. Motivo de perplexidade no resto do mundo, como explicaremos que o fundamento jurídico para a convocação é o de que “o poder constituinte é uma ficção”(sic), conforme consta no parecer do relator, Dep. Michel Temer? Em quase dezoito anos, passamos por crises econômicas, reformas constitucionais e um impeachment. Tudo na mais plena normalidade, exatamente porque vivemos em uma democracia. A democracia brasileira funciona. E funciona exatamente porque está sustentada em princípios democráticos, previstos na Constituição da República”. Leia todo manifesto

02 abril, 2006

“Barriga”


Conforme publicado no último post, o Blog do Ozéas denunciou a tentativa de armação do Palocci para continuar à frente do Ministério da Fazenda e não perder a prerrogativa de foro do Supremo Tribunal Federal. A propósito, tal tentativa não foi vislumbrada por nenhum órgão da chamada grande imprensa, que com habitual regularidade, confunde o leitor e é confundida pelos mais experiente da máfia palaciana no trato jurídico de seus atos.

A “carta de afastamento”, conforme agora ficou provado, tinha outra intenção, pretendia remediar e empurrar para baixo do tapete o desfecho da demissão e a conseqüente investigação, que só poderia ser procedida através de inquérito especial conduzida pelo Procurador-Geral da República. Acontece que o operário-meu-patrão não teve coragem de “bancar” mais essa aventura política e exonerou o ministro criminoso.
Leia toda a matéria

“Por telefone, Palocci chegou a pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que não fosse demitido, mas afastado temporariamente. Lula, porém, respondeu secamente que não dava. Havia acabado de ser informado de que não havia mais dúvida de que Palocci ordenara a violação do sigilo do caseiro, apesar de o então ministro ter negado isso várias vezes no decorrer do imbróglio”.

...

“O presidente disse a Palocci que, diante das circunstâncias, ele deveria deixar o governo. O auxiliar pediu que não fosse demitido, mas afastado, a fim de tentar provar sua eventual inocência e retornar ao posto. Lula não aceitou”.


O Blog do Ozéas após a publicação do post, acompanhando o desenrolar da estória, chegou a achar que tinha produzido uma “barriga” (no jornalismo é sinônimo de notícia ou informação falsa), mas volta satisfeito agora a comentar o assunto, afinal não eram infundadas suas razões iniciais. Com essa quadrilha, todo cuidado é pouco.

27 março, 2006

Falta coragem


"Tomo a decisão de pedir o meu afastamento com tranqüilidade. A consistência do trabalho feito e a solidez da economia brasileira me dão a certeza de que a estabilidade do país e de suas instituições não depende da pessoa do Ministro da Fazenda e sim das políticas definidas por Vossa Excelência...". (Grifo nosso)

Confirmada a redação da “carta de afastamento” publicada no site do Ministério da Fazenda, posso afirmar que Palocci não deixou de ser ministro, apenas está afastado de suas funções.

Qual a diferença?

O dispositivo constitucional a seguir transcrito:

Art. 102 - Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I – Processar e julgar originariamente:

...

c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica...

Ou seja, Palocci não pretende se expor a julgamentos por quaisquer de seus atos, inclusive os realizados quando Prefeito de Ribeirão Preto, perante qualquer órgão Judiciário, senão o Supremo Tribunal Federal.

Um pedido simples de demissão, implicaria na possibilidade de julgamento sem foro de prerrogativa. Preferiu sair do governo ficando nele.

A decisão do Ministro, afastado, não resolve a crise, apenas “abafa” o caso e deixa o “cadáver” no principal gabinete do Palácio do Planalto.
Conforme publicação no Diário Oficial de hoje (28/03/06), o Palocci foi exonerado pelo operário-meu-patrão. Assim, o presente post perde seu propósito e sentido.

26 março, 2006

“Coisa de Gangster”


Por recomendações do Serjão e da Gusta, fui ler o artigo “O Estado Policial” de André Petry.

Repasso aos amigos leitores deste Blog, não podemos silenciar. A coisa é séria, é grave e como tal deve ser tratada.

“O ministro Antonio Palocci, ao reaparecer em público na sexta-feira passada, depois de duas semanas escondido, disse que está vivendo um inferno. Dá para imaginar, então, o que deve estar vivendo o caseiro que o denunciou. Afinal, o caseiro resolveu contar o que viu no casarão do Lago Sul em Brasília e, em menos de dez dias, passou a ser investigado pela Polícia Federal sob a acusação de lavagem de dinheiro! Entrou na máquina de moer reputações. Primeiro, calaram-lhe a boca, depois quebraram-lhe o sigilo bancário e, agora, aterrorizam-no com um inquérito. Coisa de Estado policial. Na opinião do presidente da OAB, Roberto Busato, "coisa de gângster, de sindicato do crime".
Leia o artigo

Criatividade

Propaganda da “agencia3”, veiculada no O Globo de 25/03/06

25 março, 2006

Charge do JB - lapidar

Domingo, 26 de março de 2.006
Recomendo a leitura do artigo “Mais perto da Gestapo que da democracia”.

“Contudo, estamos assistindo a episódios mais próximos da ação da Gestapo nazista do que de um estado de direito. A Polícia Federal decidiu "contratar" a Rede Globo como um departamento de divulgação de suas operações de invasão de prédios e prisão de suspeitos, para depois investigar. A reputação dos suspeitos, mesmo que venham a ser inocentados, está irremediavelmente comprometida...”

Embora não seja um texto publicado sob a influência e provocação dos últimos acontecimentos, a invasão da conta corrente do caseiro Francenildo Costa, o artigo aborda a questão da democracia brasileira, ameaçada pelos abusos e pela ilegalidade, que campeiam no Estado como coisa normal.

Moda

Está na moda recorrer ao Judiciário para não prestar declarações quando investigado, Quando falamos das CPIs então, nem me lembro mais quantos foram beneficiados.

Particularmente, aqui com meus botões, sou defensor desse direito, afinal além de ser o cúmulo da torpeza, obrigar que alguém produza provas contra si, a prova deve ser feita pelo acusador, não por quem se defende da acusação. A lógica é simples, como poderia alguém se defender de uma imputação se ela não é verdadeira, o que não aconteceu não deixou vestígios, provas, evidências, assim sabiamente diz o brocardo, “o ônus da prova cabe a quem alega”.

Por mais que fosse tentador, do meu intimo bem que vinha uma voz dizendo sobre o rinheiro Duda Mendonça, enquanto “depunha” lá na CPI pela última vez, “dá umas porradas nele que ele fala tudo”. Mas não pode ser assim, não podemos nos igualar aos que desrespeitam as leis e tripudiam das garantias constitucionais.

O princípio ora em comento é tão importante que está expresso no art. 5º, LXIII da Constituição, “o preso será informado de seus direitos, entre os quais permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e do advogado”.

No mesmo diapasão, o Código de Processo Penal em seu art. 186, que trata do interrogatório do réu, proclama: “Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório,do seu direito de permanecer calado e não responder perguntas que lhes forem formuladas”. Adverte finalmente o artigo em seu parágrafo único: “O silêncio, que não importará em confissão, não pode ser interpretado em prejuízo da defesa”.

A última autoridade a utilizar da ação constitucional do habeas corpus, foi o General Domingos Carlos de Campos Curado, comandante das operações de busca às onze armas roubadas em um de seus quartéis recentemente, questionada e investigada pelo Ministério Público Federal, quanto a ilegalidades ou abusos de poder cometidos durante a ocupação das favelas no Rio de Janeiro. O salvo-conduto, instrumento que representa a concessão do habeas corpus preventivo, foi dado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
Leia toda matéria

A moda pegou, agora é assim, quem não quer falar, usa do direito, que repito, acredito e defendo, de permanecer calado, entretanto, lembrando o amigo blogueiro
Serjão em um post passado, se “não devo nada, não temo nada”.

21 março, 2006

P P P


A empregada domestica Angélica Aparecida Souza Teodoro, de 18 anos, está presa a 123 dias.

Presa em flagrante em 16 de novembro e levada para delegacia policial, Angélica foi denunciada por roubo e aguarda julgamento.

O crime de Angélica: roubou um pote de 200g de manteiga no valor de R$ 3,10 para alimentar seu filho que passava fome.

O proprietário do estabelecimento, Dadiel Araújo, alegou na delegacia que foi ameaçado de morte por Angélica.

Angélica foi presa pelo irmão do dono do mercado, o sargento da policial militar aposentado Jadiel de Araújo.

O advogado de Angélica, Nilton José de Paula Trindade, entrou com quatro pedidos de liberdade provisória e todos foram negados pela Justiça. Angélica não registra antecedentes criminais.
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Diariamente ensino e repito aos meus alunos, neste país só vão para cadeia os três pês:

Os Pretos, as Putas e os Pobres.

20 março, 2006

Para onde vamos?


Espantam-se os desavisados com a violação da conta bancária do caseiro Francenildo Santos Costa, até o Ministro do STF Nelson Jobim, aquele de quem se serve o Palácio quando as coisas apertam, mostrou-se indignado e assustado com o ocorrido, “Quem garante que amanhã eu, como cidadão, não possa ter o meu sigilo violado?” vociferou Jobim.

Outro que também demonstrou sua preocupação foi o Deputado Roberto Freire, Candidato a Presidência da República pelo PPS, disse: “Hoje é o direito do caseiro a ser violado, amanhã pode ser o de qualquer outro cidadão. Basta ser inimigo do governo para se tornar alvo de um Estado cujas instituições estão sendo usadas para perseguir, como ocorre em regimes ditatoriais”.
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Acontece que tais atitudes do governo já a muito estão sendo protagonizadas pelos seus representantes, particularmente pelo Ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos, que usa e abusa da Polícia Federal para perseguir seus opositores. Exemplos não faltam nesse roteiro para implantação da ditadura petista, que para sorte do país e, por obra e graça de um Deputado Federal desclassificado e desqualificado pelo próprio Planalto, foi desmascarado quando se apresentou a face oculta de um governo, que rouba dos cofres públicos para se perpetuar no poder e privilegiar seus asseclas.

Admirador confesso do Presidente venezuelano, double de socialista, o operário-meu-patrão a muito vem seguindo a cartilha da implantação de uma “ditadura constitucional”. Algumas medidas estratégicas foram tomadas para se atingir o intento, por exemplo, “reformando” o Poder Judiciário, criou a vinculação das decisões à um único Órgão, o STF, comandado em sua maioria por pessoas de sua nomeação e confiança. Até ao final do seu mandato terá nomeado sete dos onze Ministros.

Para vigiar e punir outros juízes mais rebeldes criou o Conselho Nacional da Justiça, Órgão policialesco, que pode inclusive rever decisões tomadas ao abrigo do contraditório e da ampla defesa e aposentar os juizes que não estejam afinados com a política de Estado implantada.

Através do “mensalão” passou a ter maioria folgada na aprovação de matérias que eram de seu interesse, viveu o governo seu grande momento de conquista, quando ao arrepio da Constituição aprovou no parlamento maniqueado, a “reforma da previdência”, posteriormente respaldada e julgada constitucional pelo STF. O Congresso e Judiciário passaram a ser braços aliados e politicamente dependentes do Executivo.

A Polícia Federal, articulada e subordinada pelo Ministério da Justiça, não tem se furtado a sua tarefa “legitimadora” do poder conquistado, registram-se não raros casos, de perseguições internas e externas do órgão aos que se colocam como “opositores” dos interesses do Estado. Quem não lembra do caso do Delegado Federal Antonio Rayol, perseguido e punido por prender o “assessor especial” da Presidência da República em prática contravencional e na formação de quadrilha, o “publicitário” Duda Mendonça; quem não lembra da “operação abafa” articulada no caso do “mensalinho” do ex-Deputado Severino, fiel escudeiro e corrompível parlamentar subserviente ao governo central, tudo realizado atrás de uma cortina de fumaça forjada em operações pirotécnicas, que buscam aprovação popular, que culminaram inclusive com invasões de escritórios de advocacia e empresas não apoiadoras do status quo, tudo devidamente denunciado pela própria Ordem dos Advogados do Brasil.

Financiando o órgão de informações de massa oficial, a Rede Globo, através de empréstimos milionários e, rolando suas dívidas através dos bancos oficiais, o operário-meu-patrão passou a ter uma voz editorial permanentemente favorável nos lares brasileiros, de regra menos críticos, desavisados e despossuídos de suficientes conhecimentos das artimanhas para sua perpetuação no Poder.

Humilhados pela falta de meios, aviltados por baixos soldos e comprometidos em resgatar suas imagens pós-ditadura de 1964, assistem disciplinados e passivos os militares o caminhar da história nacional.

Assim se constrói uma ditadura, articulando bem uma propaganda, controlando os outros Poderes, desmobilizando as Forças Armadas e silenciando seus opositores. A propósito silenciar a oposição é tarefa permanente para quem pretende a vitaliciedade executiva, o atual mandatário já até propôs a criação de um conselho voltado para controlar e censurar os órgãos de informação.

Que nos sejam úteis as lições atuais da Venezuela no combate ao que se pretende implantar no Brasil. Escreveu Reis Friede na Revista Jurídica Consulex de 28 de fevereiro deste ano:

“É o caso de praticamente todos os países da América Latina na atualidade, com ênfase no emblemático exemplo da Venezuela de HUGO CHAVEZ. Segundo longa e detalhada análise realizada por DIOGO SCHELP (Veja, 14 de dezembro de 2005, ps. 156 e segs.), antes da era CHAVEZ, o país era controlado por dois partidos da elite venezuelana que por décadas se restringiram a criar uma estrutura estatal perdulária, ineficiente e, sobretudo, corrupta. Em 1999, eleito através de regras reputadas democráticas, CHAVEZ assumiu a presidência da República, alterou a Constituição e, com o vertiginoso aumento dos preços internacionais do petróleo, transformou a PDVSA (e os lucros com a venda do petróleo) em uma máquina de comprar apoio político interno (retirando US$ 3,7 bilhões / ano para programas sociais, por exemplo) e internacional (vendendo a preços subsidiados óleo para diversos países latino-americanos), além de estruturar uma milícia armada com aproximadamente 100.000 homens. Não obstante as estatísticas de 2005: a classe média encolheu 57%, o número de pobres aumentou 25%, o desemprego cresceu de 11% para 16%, metade das indústrias fechou, os empregos informais aumentaram 45%, a inflação subiu de 11% para 17% ao ano, o investimento estrangeiro caiu pela metade e a dívida pública dobrou; CHAVEZ, neste mesmo ano, contava ter o inconteste apoio de metade dos venezuelanos (a parcela mais pobre, cativada através de políticas assistencialistas), além de ter consolidado o seu poder por meio de plebiscitos em que obteve ampla maioria. Nas eleições legislativas de 2005, obteve vitória esmagadora (graças ao boicote das oposições) e, paradoxalmente, apesar de defender a democracia participativa em detrimento da democracia representativa, não preocupou-se em explicar a pífia participação de apenas 25% do eleitorado neste pleito. Descobriu-se, também, que CHAVEZ, através do emprego de máquinas de identificação digital, conseguiu catalogar a orientação político-eleitoral de 12 milhões de eleitores durante o referendo de 2004, criando uma listagem batizada de “Maisanta” com informações que privilegiam os aliados em detrimento dos adversários em todos os níveis (obtenção de empregos públicos, emissão de passaportes, acesso a auxílios sociais, etc.). Além de tudo isto, há um quase controle absoluto do Estado venezuelano pelo governo (formalmente) democrático de CHAVEZ: o Ministério Público é encarregado de processar os adversários sob acusação de “traição à pátria”; 80% dos magistrados têm contratos temporários (muitos de apenas três meses) que não são renovados caso julguem de forma contrária aos interesses governamentais; os nomes de mais de 20.000 trabalhadores da PDVSA (a estatal petrolífera venezuelana), demitidos depois de uma greve contra CHAVEZ, estão registrados em uma “lista negra”, proibidos de trabalhar em qualquer órgão público ou na iniciativa privada (sob pena de represálias fiscais do governo); empresários que se envolvam em atividades políticas de oposição são submetidos a uma devassa fiscal; entre outras incontáveis e semelhantes iniciativas”.

18 março, 2006

Já vale alguma coisa...


Ajustado para contar os visitantes do Blog do Ozéas, excluindo obviamente as entradas na página efetuadas pelo próprio, o contador do site meter registrou hoje o número de dez mil acessos em nove meses.

Uma surpresa, ainda mais para quem nunca teve outra experiência com esse tipo de veículo de comunicação.

Falar para alguns é muito bom, tornam-se amigos e passamos a dividir nossas idéias, afinal, esse é o tal espírito daquilo que chamamos de sociedade.

Agradeço aos amigos-leitores do Blog do Ozéas pelo carinho, espero voltar com carga total, tão logo solucione alguns detalhes de compatibilidade nos horários, enquanto isso, sempre que puder estarei com todos.

Nazismo

Juca Kfouri em seu Blog (Blog do Juca – 18/03/06), publicou a seguinte matéria sob o título “Disfarce Nazista”:
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“Você, como eu, já deve ter visto nas transmissões do Campeonato Alemão placas com o número 88.
E, também como este blogueiro, não entendeu por quê.
Pois saiba que a letra H é a oitava do alfabeto e o 88 é uma maneira de dizer HH.
Heil Hitler!, é o que significa.
Aprendi agora há pouco, ao participar de um encontro promovido pela fundação alemã Friedrich Ebert, pela FES Fan-Hearing e pela "FARE" (Football Against Racism in Europe) e que reuniu representantes de torcidas alemãs e brasileiras com a finalidade de discutir o comportamento na próxima Copa”.
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Confesso, na minha ignorância ainda não tinha me dado conta, de mais essa forma dissimulada de manifestação nazista.

A propósito, uma das grandes questões da democracia mundial é responder a essa pergunta: Pode um grupo (partido) ambicionar chegar ao poder pela via democrática, pregando exatamente o fim da democracia quando de sua conquista do poder?

14 março, 2006

Curiosidade

Recebi do meu “Amigo-Mestre” e repasso, interessante

Gafe do Google

Definição de FRACASSO

1 - Vá até o www.google.com
2 - Escreva FAILURE, sem as aspas - Fracasso em inglês
3 - Em vez de clicar em "Pesquica Google" clique em "estou com sorte".
4 - Tire suas conclusões
5 - Espalhe rápido antes que o Google se dê conta.

Era uma vez a vaca Vitória, que deu um pum... e acabou a estória



"O exército, já tão desgastado pela falta de investimentos, já humilhado pelo próprio roubo de que foi vítima, ainda se presta a esse papel triste de desrespeitar a lei, gastando uma fortuna em uma operação inútil. Isso só pode ser coisa de mentes malignas, sei não. Parece até feito de propósito para desmoralizar essa arma. Com esse governo aí, tudo é possível" (Saramar - Blogueira de 1ª)

13 março, 2006

Poder Constituinte


O quarto texto no Escabinos foi postado, agora é a vez do Poder Constituinte.

Que poder é esse com força de estabelecer uma nova ordem social ou permitir que se reforme a existente, de maneira soberana e ilimitada?

A supremacia constitucional no ordenamento jurídico, só existe porque há uma força maior que assim estabeleceu. A Constituição de um Estado só tem validade, eficácia e aplicabilidade, porque um Poder maior que o próprio Estado foi exercido.

Estão lá no
Escabinos algumas das perguntas e respostas mais comuns sobre o Poder Constituinte. Desejo aos amigos, alunos e leitores do Blog uma boa leitura.

Dignidade e honra das Forças Armadas


Em nota de repúdio o Grupo Brasileiro da Associação Internacional de Direito Penal, órgão consultivo da Organização das Nações Unidas - ONU, manifestou-se de forma contrária a recente operação militar de ocupação das favelas no Rio de Janeiro, sob a alegação de abusiva e atentatória às normas objetivas de Direito. (Leia na integra a nota)

Disse bem a nota do Grupo, quando acusa o Judiciário castrense de expedição de mandados de busca genéricos e abrangentes a ruas e bairros. A aceitação de tal procedimento autoriza, por exemplo, que a sua casa, leitor deste Blog, possa ser invadida e vistoriada nesse exato momento, sem justa causa, baseando-se apenas em “denúncia anônima” formulada por um maldoso desafeto, que ligue para o “Disque-denúncia” e indique a residência como o local da ocultação das armas procuradas.

O
Estado Democrático de Direito não comporta exceções, por maiores que sejam as boas intenções ou os fins que se destinem as medidas adotadas. Violar a lei sempre foi o caminho natural dos regimes totalitários, que encontram na equação simples, de que “os fins justificam os meios”, a legitimação do autoritarismo. Também a indicação de comunidades por serem, e somente por serem, localidades pobres, não justifica uma concentração de atividades repressoras para recuperação dos bens militares subtraídos. Por que tais operações não foram deflagradas em solo asfaltado, ou na beira mar da Zona Sul carioca?

Comprometer o papel democrático, honrado e digno das Forças Armadas não nos parece ser o caminho adequado, para a exemplar coibição de atos criminosos que generalizadamente tomou conta da nossa sociedade. Já temos suficientes desrespeitos a lei e a ordem, o que falta verdadeiramente é uma política de segurança pública estável e crível pela população, o que falta em última análise, verdadeiramente, é o cumprimento da lei.

Desrespeitar o Estado Democrático de Direito é recordar as palavras do pastor luterano Martin Niemoller, que viveu a trágica experiência nazista:

“Primeiro, eles vieram pelos comunistas, mas, como eu não era comunista, não disse nada. Depois eles vieram pelos socialistas e pelos sindicalistas, mas, como eu não era socialista nem sindicalista, não os defendi. Então eles vieram pelos judeus, mas, não sendo judeu, não reagi. E quando eles vieram por mim, já não havia quem dissesse alguma coisa por mim”.

12 março, 2006

Não é a solução


Lendo a matéria publicada na coluna da jornalista Lillian Witte Fibe (é só clicar no nome), sobre a questão da tomada dos morros cariocas pelo Exército, me aproximo mais do desalento quanto a segurança pública, que da suposta tranqüilidade que estão propalando por ai, depois que a operação militar começou.

A matéria ataca o ponto principal da questão. A ocupação militar não é sinônimo de segurança pública, mas sim de confronto. A mim mais parece uma daquelas brigas de rua, em que o irmão mais forte é chamado as pressas e vem para rua em defesa de seu dileto caçula, dá uma surra pontual no menino maior e depois vai embora. O que será do caçula quando seu defensor voltar para casa?

Defendem os mais exaltados uma ocupação permanente, mesmo após a recuperação dos dez fuzis e da pistola, roubados de dentro de uma unidade militar do Exército. Argumentam os imediatistas de plantão, que a ocupação das favelas e fechamento dos pontos de acesso ao Rio de Janeiro reduziu significativamente os índices de criminalidade na cidade. Mas até quando?

A convivência das Forças Armadas com a população civil nos moldes da operação desencadeada, pode até inicialmente dar certo, representando um aumento de simpatia do cidadão ordeiro e trabalhador para com essa política de sufocamento do crime organizado, mas até quando se aceitará o toque de recolher, as revistas sumárias, as detenções nas entradas dos morros para averiguações, a ordem unida para saída e chegada ao trabalho?

Não é esse o trabalho das Forças Armadas, não é e não deve ser. Expor os garantidores da integridade nacional aos conflitos criminosos de uma cidade é chamá-los à corrupção e a parceria com o crime. A história prova que o envolvimento das Forças Armadas em segurança pública nunca deu certo, sob o ponto de vista de cidadania e efetividade.

Admitindo a hipótese da permanência do Exercito no patrulhamento diário da cidade, ficarão outras interrogações: como reagirá a sociedade diante de eventuais derrotas da Força diante desse inimigo que não tem regras ou manuais para seguir? Quais serão as medidas de revides afirmativas de sua supremacia? Quais serão os limites na imposição de suas teorias de paz e tranqüilidade?

No Rio de janeiro existe um “bicheiro”, de carteirinha, sentença transitada em julgado e confirmação social, chama-se Ailton Jorge Guimarães, conhecido pelo vulgo de “Capitão Guimarães”. A patente do contraventor não é fictícia ou de indicação jocosa, é fruto de sua carreira militar no Exército brasileiro. Na ativa durante a ditadura militar de 1964, o “Capitão Guimarães” se envolveu com diversas práticas criminosas e contravencionais e, valendo-se de sua farda e “imunidade” quase que absoluta, articulou com o crime organizado da época para enriquecer. Um dia descoberto e preso, foi expulso da corporação, perdeu a patente de oficial e foi colocado de volta à vida civil. Já era tarde, os tentáculos do crime organizado já o tinham cooptado, ele se tornou mais um deles. Quem quiser ver o “Capitão Guimarães” em pessoa, é só ligar a televisão durante os desfiles das Escolas de Samba no Rio de Janeiro, ou fazer uma visitinha na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, entidade da qual participam outros “bicheiros” e da qual ele é presidente.

07 março, 2006

05 março, 2006

Estado Democrático de Direito

O terceiro texto no Escabinos foi postado, aborda um tema que tem o condão de servir de instrumento de resgate da cidadania.

A Constituição vista como metas e ideais de um povo, mesmo que distantes e muitas vezes ainda, irrealizados seus postulados, deve servir de norte para aqueles que pretendem a plenitude democrática e social.

Boa leitura para todos, espero que sirva, ainda que minimamente, para elucidar dúvidas e fortalecer o debate, bem como para a construção de um Estado Democrático de Direito.

03 março, 2006

Dever de casa

“O governo norte-americano criticou ontem o Brasil por sua atuação contra a lavagem de dinheiro. Segundo os Estados Unidos, apenas 2,5% das atividades financeiras consideradas suspeitas são na prática investigadas pelas autoridades competentes no país.
A Casa Branca também voltou a incluir o Brasil na lista dos 20 principais países que servem como rota ou são grandes produtores de narcóticos, elogiando, porém, a ação da Polícia Federal no combate ao tráfico internacional
”.
Leia mais


A matéria merece ser lida, saiu publicada na Folha de São Paulo e foi reproduzida no site da FENAPEF.

Enquanto não forem desenvolvidas atividades de inteligência articuladas entre todas as forças policiais do Brasil, enquanto a corrupção não for atacada de maneira uniforme por todos os governos estaduais, enquanto os policiais não forem estimulados e preparados para esse combate sem fronteiras, estaremos servindo ao enriquecimento criminoso dessa nova potência econômica e política mundial que é o narcotráfico.

Outra questão importante é que o Brasil não faça só o dever de casa americano, esquecendo suas obrigações com o cidadão brasileiro. Estrategicamente como política de segurança pública, optar pelo ataque a rota que o país se tornou, pode ter conseqüências internas sérias, a droga não tendo mais o “corredor de passagem” assegurado, poderá optar por permanecer em solo nacional. Há inclusive quem sustente essa tese de maneira mais incisiva, afirmando que o aumento do consumo interno e o conseqüente crescimento do crime organizado no Brasil, é decorrente de uma política americana de combate a entrada de drogas em seu território.

Combater a rota no Brasil sem dúvida é fundamental para enfraquecimento dos cartéis sul-americanos, mas deixar que esses mesmos cartéis produzam a droga sem que haja uma política interna mais organizada e severa, é esperar que o Brasil deixe de ser caminho para se tornar definitivamente em principal consumidor. Corroboram esse posicionamento as próprias regras de mercado, presentes no mundo empresarial.

Supremacia Constitucional

Muito há o que se discutir no Direito, assunto é o que não falta, todos os dias uma nova lei, não raras também são as emendas constitucionais. O legislador não para. De maneira equivocada, acredita que o país será transformado por obra e graça de suas atividades, já é comum, ignorando a realidade social, as diferenças regionais, culturais e econômicas, indicar, votar e aprovar regramentos genéricos e abstratos, comuns a todos, mas distantes das necessidades gerais. A produção legiferante é vasta, o furor de seus artífices parece não ter limites, são leis penais, civis, tributárias, processuais et coetera. Leia Mais

02 março, 2006

“Da cintura para baixo, tudo é canela”

Está postado no site do candidato Garotinho o documento assinado por José Serra, assegurando que não concorrerá a nenhum cargo eletivo enquanto estiver prefeito da cidade de São Paulo.


E agora, vale o que está escrito ou prevalecerá a máxima vox populis, vox dei?

Como nunca acreditei mesmo na palavra de políticos, ainda mais em época de campanha, vale o registro só por diversão.

Um novo Blog


De maneira despretensiosa desde o início do Blog, tenho postado diversas matérias sobre os mais diferentes temas. Acontece que cada pessoa tem seus (des)conhecimentos próprios e, naquilo que se dão a fazer na lida diária vão acumulando experiência e por vezes até sabedoria(!), o que possibilita condições mais concretas para contribuir um pouco mais na formação da cidadania.

No Blog do Ozéas, embora não seja Pasárgada, tem de tudo, da piada sem graça ao destaque político do dia (por vezes e não raramente se confundem), do e-mail interessante que recebemos e repassamos, até notícias apaixonadas sobre o Fluminense (o maior do Brasil). Como se anuncia, o Blog foi criado para ser mais um espaço democrático na transmissão das idéias.

De volta ao início. Não raras vezes os assuntos passam por questões relacionadas ao mundo das Leis, não por acaso, alguns amigos do Blog e mesmo alunos que o visitam fazem questionamentos sobre temas pulsantes no noticiário. Acontece que o Blog não é um espaço exclusivamente destinado para temas jurídicos, se assim fosse, já fiz essa experiência, ficaria muito “pesado” para sua proposta, perderia a naturalidade, bem como o deboche, que pretende.

O que fazer então? Em caráter experimental criei um novo ambiente para assuntos jurídicos, um novo Blog, o
Escabinos. O significado pela escolha do nome está logo no primeiro post, acredito que gostem, foi pensando em cada um dos amigos que visitam o Blog do Ozéas que fiz a escolha.

O Blog do Ozéas não vai se deixar a tratar de assuntos ligados a seara jurídica, apenas dividirá competências, melhor, passará a ter um local próprio para armazenar artigos maiores e mais detalhados sobre assuntos merecedores de um pouco mais que poucas palavras.

Sejam bem vindos os
Escabinos.

Livre pensar é só pensar, criar então...

A imaginação humana é algo que vai além de sua própria imaginação, entretanto, quando achamos que esgotamos nosso poder de criação, vem o carnaval com suas escolas de samba e provam com os desenhos de suas fantasias, nossas limitações artísticas e intelectuais.

Os carnavalescos, figuras estranhíssimas, vivem um mundo todo pessoal, onde são poderosos nos seus barracões, protegidos pela força de seus patronos e “legitimados” pela curiosidade e admiração da “comunidade”. São semi-deuses da intelectualidade diante dos mais humildes e desprovidos de cultura. Por vezes são verdadeiramente artista e merecedores de respeito no processo de criação, mas não raro, são enganadores e repetitivos, reprodutores de fórmulas e desenhos que podem ganhar qualquer título, não sendo possível de serem distinguidos senão pelas explicações constantes dos resumos de enredos, entregues aos que os julgarão durante o desfile de suas agremiações. Pura “carregação”, engodo ou como diria minha avó, “para encher lingüiça”.

O Blog enumera agora algumas fotos com a opção de título para fantasia, o gabarito, fornecido pelos próprios carnavalescos estão no final do post, tente responder sem ler as respostas. Decifra-me ou te devoro.



A) Semente da vida;
B) Amazônia exuberante;
C) Verde que te quero mais;
D) Preservação da terra;
E) Pulmão da natureza.


A) Pássaro asteca;
B) Índio convertido;
C) Icaro apaixonado;
D) Paixões tribais;
E) Deus do amor e da igualdade.


A) Oriente eterno;
B) Do céu às águas da cachoeira prometida;
C) Bailados de Puno;
D) Frevo celestial;
E) Avidez de alhoa.

A) Salomão ornamenta a arca;
B) Minas Gerais, da mata ao virgem;
C) França de ouro e amores;
D) Espaço sideral;
E) Governador-Geral.

Conseguiu? então vamos ao gabarito.


Gabarito: 1) A; 2) B; 3) C; 4) D.

28 fevereiro, 2006

Crime ambiental?

O Blog Vox Libre, com link indicado ao lado, publicou ontem (27/02) matéria sob o título O presidente cometeu infração ambiental?

Com os devidos créditos disponibilizo aos leitores o post, é só clicar no título.

25 fevereiro, 2006

Leviandades

“Em março de 1994, a mídia paulistana denunciou seis pessoas por envolvimento no abuso sexual de crianças alunas da Escola Base, no Bairro Aclimação, em São Paulo. Baseou-se em fontes oficiais (polícia e laudos médicos) e em pessoas próximas (pais de alunos). O fato simplesmente não existiu, mas a mídia, em vários momentos e veículos, exagerou e liquidou projetos profissionais e pessoais dos acusados, todos mais tarde inocentados. Houve um jornal que não entrou na cobertura: o Diário Popular. Por isso, recebeu acusações de estar com o "rabo preso" à Escola e aos envolvidos e ocultar informação de interesse público”. Leia Mais
Acusações levianas e descabidas destroem imagens, famílias, patrimônios e não raras vezes, tiram a vida dos inocentes apontados.

Assim foi também com um dos personagem mais polêmicos da música popular brasileira, o cantor Wilson Simonal. Descoberto por um produtor famoso na década de 60, Carlos Imperial, a carreira de Wilson Simonal entrou em declínio a partir de 1972, quando foi acusado de delação e colaboração com o regime militar. Seus discos dessa época ficaram marginalizados, e seu nome passou de ídolo a traidor. A “pilantragem”, que era seu estilo, acabou virando seu maior defeito. O artista sempre negou todas as acusações, morreu negando, mas ninguém acreditava na sua palavra.

O patrulhamento ideológico associado a mentirosas acusações provoca estragos irreparáveis, e caso do Simonal é mais um desses, o verme destruidor da patrulha se encarregou de destruir a carreira e a vida pessoal do artista, que durante todo o “processo” acusatório não tinha outra coisa a fazer senão negar as acusações de seus detratores. Afinal, até mesmo por uma questão lógica, provar que não fizemos alguma coisa é quase impossível, devemos nos defender sempre de acusações concretas e respaldadas em um lastro probatório mínimo, que justifique tal imputação.


A propósito, vítimas das patrulhas esquerdistas nunca faltaram e Simonal foi mais uma num rol incalculável de nomes. Mais recentemente na história ainda podemos lembrar de Marília Pêra e Regina Duarte, que por apoiarem respectivamente as candidaturas de Fernando Collor e José Serra, foram execradas pela classe artística, pela mídia em geral e afastadas dos holofotes globais, o que representou quase a morte das artistas, que sempre viveram dos contratos de exclusividade com aquela emissora, tudo por não concordarem com as idéias dominantes no mundo artístico. Equivocadas ou não em suas posições políticas, não foram respeitadas pelos democratas de ocasião.



Pois bem, hoje lendo o noticiário, descobri que tardou, mas não falhou, a verdade veio à tona mais de trinta anos depois e foi reparado um erro histórico, que marcou a pessoa e a família do cantor Simonal. O Globo publicou na sua versão on line a seguinte matéria:


OAB: Wilson Simonal não era ‘dedo-duro’
Francisco Leali - O Globo
BRASÍLIA - Processo na Ordem dos Advogados do Brasil instaurado em 2002 concluiu que eram descabidas as suspeitas de que o cantor Wilson Simonal, já falecido, era colaborador do regime militar. Segundo nota divulgada neste sábado pela OAB, levantamento nos arquivos do extinto SNI atestaram que Simonal não era "dedo-duro", como o cantor chegou a ser acusado.
A Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) da Ordem dos Advogados do Brasil examinou documentos do antigo SNI, da Polícia Federal, recolheu depoimentos de pessoas que conviveram com Simonal e analisou material jornalístico do começo dos anos 70. Em 1972, Wilson Simonal foi acusado de participação em um seqüestro e de ter delatado aos órgãos repressores do governo militar uma série de pessoas ligadas ao meio musical. O cantor sempre negou ser um colaboracionista. Simonal completaria neste domingo 67 anos de idade.
- A Comissão não é um tribunal para decidir sobre a questão formulada, mas proferiu sua conclusão baseada na força moral da OAB, entidade à qual se vincula - explicou o então conselheiro federal Rogério Portanova (SC).

Fica somente uma final pergunta: Quem foram os (ir)responsáveis que destruíram a carreira e a vida de Wilson Simonal?

É carnaval


Não vou viajar, minhas férias acabaram, tenho uma boa porção de coisas para fazer nos próximos dias. Então, por que não começar com um sorriso?

UM DIA DA CAÇA OUTRO DO CAÇADOR.

Toca o telefone...
- Alô.
- Alô, poderia falar com o responsável pela linha?
- Pois não, pode ser comigo mesmo.
- Quem fala, por favor?
- Edson.
- Sr. Edson, aqui é da TELEMAR, estamos ligando para oferecer a promoção TELEMAR linha adicional, onde o Sr. tem direito...
- Desculpe - interromper, mas quem está falando?
- Aqui é Rosicleide Judite, da TELEMAR, e estamos ligando...
- Rosicleide, me desculpe, mas para nossa segurança, gostaria de conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?
- ... bem, pode.
- De que telefone você fala? meu bina não identificou.
- 0800
- Você trabalha em que área, na TELEMAR?
- Telemarketing Pró Ativo.
- Você tem número de matrícula na TELEMAR?
- Senhor, desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.
- Então terei que desligar, pois não posso ter segurança que falo com uma funcionária da TELEMAR.
- Mas posso garantir...
- Além do mais, sempre sou obrigado a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento falar com a TELEMAR.
- Ok.... Minha matrícula é 34591212
- Só um momento enquanto verifico.
(Dois minutos)
- Só mais um momento.
(Cinco minutos)
- Senhor?
- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.
- Mas senhor...
- Pronto, Rosicleide, obrigado por haver aguardado. Qual o assunto?
- Aqui é da TELEMAR, estamos ligando para oferecer a promoção linha adicional, onde o Sr. tem direito a uma linha adicional. O senhor está interessado, Sr. Edson?
- Rosicleide, vou ter que transferir você para a minha esposa, por que é ela que decide sobre alteração e aquisição de planos de telefones.
Por favor, não desligue, pois essa ligação é muito importante para mim.
Coloco o telefone em frente ao aparelho de som, deixo a música Festa no Apê do Latino tocando no Repeat (eu sabia que um dia essa droga iria servir para alguma coisa!), depois de tocar a porra toda da musica, minha mulher atende:
- Obrigado por ter aguardado.... pode me dizer seu telefone pois meu bina não identificou..
- 0800
- Com quem estou falando, por favor.
- Rosicleide
- Rosicleide de que?
- Rosicleide Judite (já demonstrando certa irritação na vóz)
- Qual sua identificação na empresa..
- 34591212 (mais irritada ainda!)
- Obrigada pelas suas informações, em que posso ajuda-la?
- Aqui é da TELEMAR, estamos ligando para oferecer a promoção linha adicional, onde a Sra. tem direito a uma linha adicional. A senhora está interessada?
- Ah! Claro! Vou abrir um chamado e em alguns dias entraremos em contato para dar um parecer, pode anotar o protocolo por favor...
- ......alô, alô!
(TUTUTUTUTU...)
- Desligou.... nossa que moça impaciente.

24 fevereiro, 2006

Livrando dois corpos de vantagem

Diz uma máxima popular quando se refere a um cavalo favorito no páreo: “só perde se o jóquei pular do cavalo”. O cavalo ganha tão fácil que por menos que se esforce, a vitória é tida como certa.

Muitas vezes os méritos eqüinos não são compatíveis com o propalado favoritismo dos apostadores, só que, quem conhece sabe, apostador de turfe não acredita somente nas patas de “seu” cavalo, mas principalmente, na deficiência dos outros pangarés ambiciosos.

Marmeladas à parte, o que é comum nos páreos, as escolhas dos animais competidores também se da por critérios outros, que passam ao largo dos relacionados à eficiência na arrancada, da sustentação nas curvas e do fôlego na reta final. É comum a vaidade do criador ou mesmo a falta de opções de quadrúpedes mais competitivos, transforma burricos empolados em “pule de 10” e, além de monótona e previsível, a corrida passa a ser verdadeira formalidade no Jóquei Clube.

Outra questão dos criadores é quando o animal contrai grave doença ou deficiência que justifique a manutenção custosa da sua vida. O criador vê-se diante de duas opções: ou sacrifica o animal logo no início e livra-se de um problema que o perseguirá até o falecimento natural do bicho, ou resolve arcar com o ônus elevado de sua manutenção, acreditando que a esperança vencerá seus medos.

Por milagre, também ocorre que o “condenado” animal, doente e debilitado pelos diversos males que o assola, recupera-se e ganha um resto final de energia, habilitando-o para uma última corrida e, com sorte, diante de pangarés que surgem para a disputa de seu último aport, pode até chegar com boa diferença na frente dos sadios mas inferiores e incompetentes competidores. A propósito, maior chance terá o ex-moribundo de ser o vencedor do páreo, se o número de concorrentes também for pequeno e percebe que correrá na raia de grama com somente um ou dois outros adversários.


Tenho que confessar uma coisa, não entendo nada de cavalos, muito menos de suas corridas, mas de burros resistentes estou me tornando especialista.

Números interessantes (ou remédio para desenganados):

Programa Bolsa Escola - 10,7 milhões de crianças inscritas.
Valor das bolsas = 15,00 por criança, sendo o máximo de 3 crianças por família, com idades compreendidas entre 6 a 15 anos.

ProUni - 800 mil alunos inscritos
Valor do auxílio = bolsas integrais para alunos com renda familiar de até 450 reais, bolsas parciais para alunos com renda familiar de até 900 reais.

Programa Bolsa Família - 8, 5 milhões de famílias inscritas no ano de 2.005 e previsão de 11, 5 milhões de famílias para 2.006.
Valor do auxílio = 45 a 95 reais.
Beneficiados = família com renda per capita de até 100 reais.


Fica aqui uma indignada reflexão: de que vale ter a consciência se a caneta e as chaves do cofre estão com elles.

22 fevereiro, 2006

Educação


Volta às aulas

Cristovam Buarque*

Todos os anos, o Brasil retoma o ritmo depois do carnaval. Mas, todos os anos, a história do Brasil recomeça com a volta às aulas. Nesse dia, anualmente, recomeça a construção do futuro do Brasil e das suas crianças, em função da educação que elas receberão. Em janeiro de 2003, logo no início do atual governo, propus ao ministro da Comunicação Social que o presidente Lula aproveitasse a volta às aulas para fazer seu primeiro pronunciamento em cadeia nacional.
Sugeri que o presidente destacasse a importância daquele dia para o futuro de cada criança, especialmente daquelas que iam à escola pela primeira vez; que elogiasse os professores como os verdadeiros construtores da nação; que lembrasse às famílias que educação não se faz somente na escola, mas também em casa; que solicitasse aos meios de comunicação que se juntassem ao esforço nacional pela educação; e que declarasse que seu governo faria uma revolução no País, começando um grande salto na qualidade da educação básica.
Minha sugestão foi recusada, com o argumento de que não se deveria expor a figura do presidente em função de assuntos menores, para não vulgarizar sua presença na televisão. E não houve transmissão nacional. Posteriormente, presidente e ministros foram à televisão falar de pagamento da dívida ao FMI, operação tapa-buracos, transposição do rio São Francisco, cadastramento de aposentados. Muitos motivos têm justificado o uso da cadeia nacional para falar da coisa séria que é a economia, mas não há justificativa para falar de educação.
Em 2004, já afastado do Ministério da Educação e sem contato direto com o presidente ou seu ministro, repeti minha sugestão. De nada adiantou. Poucas semanas após a volta às aulas, o presidente Lula discursou em um evento organizado pelo Banco Mundial em Xangai, para o qual eu também fora convidado. Ouvi atento o discurso sobre a pobreza no mundo, e notei surpreso que a palavra educação não tinha sido pronunciada uma só vez. Considerando que podia ter estado desatento, pedi uma cópia do texto. Li com cuidado, e confirmei a ausência da palavra educação. O problema da pobreza era tratado como decorrência do protecionismo das nações ricas aos produtores agrícolas, e a solução estava no livre comércio.
Em 2005 voltei a fazer a mesma sugestão, e em 2006 faço-a outra vez. Porque se o dia-a-dia do Brasil começa depois do carnaval, o futuro do Brasil começa na volta às aulas.
Sem criança não há futuro; mas sem educação, o futuro não será satisfatório. Prova disso é que há 500 anos temos promovido a volta às aulas, mas seguimos com um presente insatisfatório em termos de desigualdade, violência, corrupção, falta de instituições políticas sólidas, destruição do meio ambiente, desarticulação das famílias, caos urbano. A forma como a educação de nossas crianças é relegada não é a única causa dos constrangimentos porque passa o Brasil, mas certamente é a principal das causas.
Nestas semanas, 40 milhões de crianças brasileiras deveriam estar voltando às aulas, em horário integral, com professores bem remunerados, bem preparados e dedicados, em escolas bem construídas e bem equipadas, com prefeitos motivados e metas que definissem a responsabilidade de cada um deles na construção do futuro do Brasil.Mas isso não vai acontecer. Parte dessas crianças nem sequer se matricularão, as matriculadas não freqüentarão as aulas com a assiduidade devida, as que freqüentarem encontrarão professores mal remunerados, desmotivados, não contarão com equipamentos necessários, os pais considerarão que a responsabilidade é daescola. Assim, a cada ano, em vez de iniciarmos o futuro do Brasil, faremos de conta que houve uma volta às aulas.
Certamente, o presidente não falará em cadeia nacional. Por isso, continuarei repetindo a sugestão, esperando que um dia um presidente acabe com o faz-de-conta da educação brasileira, passe a considerar a escola como o berço da Nação, vá ao rádio e à televisão falar do assunto e mobilizar o País pela sua construção.

*Cristovam Buarque é Professor da Universidade de Brasília e Senador pelo PDT/DF

21 fevereiro, 2006

Gastronomia eleitoral


Aves raras esses tucanos, de quatro em quatro anos provocam suas revoadas e partem para a viagem das eleições.

O monarca FHC, primeiro e único, sucedido pelo alcaide Serra em sua tentativa, oito anos depois do primeiro império, já tiveram a oportunidade de bater suas asas pelo país e, nessas andanças, desfrutaram não só dos aplausos e vaias populares, como também da gastronomia nacional.

Parece que foi ontem que FHC comia uma buchada de bode no Nordeste, parece que tem horas que o Serra se fartava com um belo pastel numa feira popular.

Hoje vejo a
foto do Bandeirante Alckmin degustando um saboroso picolé de chuchu no popularíssimo programa do Ronnie Von. Pré-requisito ou mesmo predicado, começo a achar que um dos critérios de seleção para participar da revoada eleitoral tucana, é ser bom de boca e não reclamar jamais do prato servido pelo anfitrião. Veja o próprio Serra, no final acabou tendo que engolir um sapo barbudo.

A propósito e não por acaso, o apelido provocador do Bandeirante Alckmin é “picolé de chuchu”, uma alusão ao seu temperamento “sem tempero, incolor e inodoro”.

20 fevereiro, 2006

Negócio da China, ou melhor, do Brasil!


Já tinha ouvido por uma rádio de notícias a matéria, mas após ler no Blog da Vera o post sobre o assunto, resolvi fazer um breve comentário, na verdade, usando da imaginação, já que dinheiro não tenho, criei uma situação que duvido muito, algum “patriota” empresário já não tenha pensado.

Pois bem, se o governo do operário-meu-patrão, através da
MP nº 281/06 resolve isentar investidores internacionais do pagamento de Imposto de Rendas, sempre que os recursos forem aplicados na compra de títulos públicos, fico aqui com meus botões pensando: nada como sonegar internamente e “exportar” o capital pelo sistema bancário, que a propósito está em vias de ser indiciado pela Polícia Federal por remessas irregulares de dinheiro para o exterior (Leia Mais).

O dinheiro sai sem pagar um tostão de imposto, já que foi formado pelo “Caixa Dois” da empresa, voltando para ser remunerado com a maior taxa de juros do mundo, devidamente “lavado” e com sobrenome de investidor internacional.

Para melhorar mais um pouquinho, quando eu, o imaginário empresário, depois de muito tempo de lucro com a desgraça nacional, resolver investir na construção de uma nova empresa no Brasil, repatrio o dinheiro que também chegará livre de impostos, através de uma “empresinha de fachada” ocupante de uma caixa postal no estrangeiro, e ainda ganho isenção fiscal da União, dos Estados e dos Municípios por anos e anos.

Engraçado que pensei isso tudo sozinho e sem dinheiro no bolso, imagina se eu estivesse sendo assessorado por uma equipe de especialistas e ainda contasse, quem sabe, com a colaboração do filho do operário-meu-patrão, que também a propósito, continua recebendo investimentos da TELEMAR.

17 fevereiro, 2006

Sem parar

Estou em falta com meus amigos-leitores, não tenho conseguido tempo nesta semana para postar.

Com o fim das férias, um verdadeiro furacão tem tomado conta dos meus dias e a única coisa que consigo fazer e despachar processos de isenções de disciplinas, transferências, reingressos e como não poderia deixar de fazer, estar presente em sala de aula. Como não tenho o dom da onipresença, o Blog ficou sacrificado.

Espero já na semana que vem retornar ao prazer de escrever e conviver na blogosfera.

Abraços aos amigos


Só pra não perder a viagem...



“Heo, heo, o Rolling Stones é tricolor”.
Leia Mais

12 fevereiro, 2006

Manias

­­­Está rolando nos Blogs uma pesquisa, “Manias, eu ?”, fui escolhido.

Escapei da curiosidade compulsória da Vera, mas não driblei a Star. Menina abusada essa Star, provocando um dos decanos de sua lista.

Como não corro por medo, só por pressa, estão ai as cinco manias:


1. Não abro as correspondências de contas a noite, as que devem ser pagas no dia seguinte só abro na hora de sair de casa.

2. Não vou a enterro de ninguém, costumo dizer que só comparecerei ao meu, assim mesmo carregado;

3. No futebol: Levo meu radinho de pilhas para o Maracanã, mas não ligo nunca, dá azar; Sento na arquibancada sempre na mesma fileira e no mesmo lugar, fila 17 assento 87; Tenho camisas do Fluminense que dão sorte e outras não, assim, tenho duas camisas favoritas para ir ao Maracanã;

4. Não lembro o nome de NINGUÉM; não lembro o telefone de NINGUÉM, nem o meu; não lembro do aniversário de NINGUÉM;

5. Não espero em fila de restaurantes, cinema teatro etc. Se tem fila, vou embora.

Meus escolhidos na corrente:

Alice, Nat, Luma, Jacaré Doido e N. Cotrim

09 fevereiro, 2006

Música para quem tem mãe na zona


Ta certo, vão dizer que a criação está fraca, que perdi a mão, que resolvi esculachar o Blog, mas não poderia deixar de apresentar aos amantes da boa música, um novo sucesso, Eu vou te deletar do meu Okurt, não deixe de ouvir até o final.

*Colaborando com o Blog Paola

“o bicho tá pegando”

A casa do cineastas Zelito Viana foi assaltada nessa madrugada, além dos valores levados pelos assaltantes, incluindo dinheiro e jóias, foi levada também a paz e a tranqüilidade familiar daquela família. Leia Mais

Também estavam na casa a esposa e o filho do cineasta, o ator Marcos Palmeiras acompanhado por sua namorada. A propósito, os bandidos que permaneceram cerca de três horas na casa, fugiram no carro do de Marcos.

Quem não lembra bem do Marcos Palmeiras, deve pelo menos lembrar do papel de “pacifista” desempenhado por ele quando do referendo pelo fim do comercio de armas de fogo no ano passado. Ele um daqueles que juntavam as duas palmas da mãos viradas para dentro e entrelaçava os polegares numa forma de ave, ou com um pouco mais de imaginação, na forma de uma pomba e dizia, “basta, eu quero paz”.

Parece que os bandidos que assaltaram a casa de seu pai, e não é o primeiro assalto, sabem muito bem que naquela casa não há armas de fogo, e que não há quem pense em defender seu patrimônio ou a própria integridade física de seus moradores, afinal em rede nacional foi avisado em alto e bom som algo do tipo, “na minha casa confiamos na polícia, na minha casa não temos armas”.

Realmente não creio também que, se na casa do cineasta houvesse uma arma o desfecho do assalto fosse diferente, afinal para se ter uma arma, tem que haver alguém que saiba manuseá-la e esteja preparado emocionalmente para usá-la, não me parece ser esse o perfil da família assaltada.

Entretanto, o que mais me chama a tenção sobre o assalto são as palavras do ator Marcos Palmeiras ao sair da delegacia de polícia, que faço questão de reproduzir:

“Eles (os assaltantes) faziam aquele jogo de manter a gente na tensão. Tomei uma porrada na cara, meu pai também apanhou”.

“É revoltante a gente ver que se discute a violência sem nenhum projeto social de transformação. É tudo paliativo, invadir morro, trocar tiro e não é isso que resolve. A gente tem o hábito de esperar, de acreditar, de ter fé e esperança, mas está muito difícil”.

“A gente tem que fazer uma coisa. Espero que aproveitando esse ano de eleição todo mundo se preocupe com alguma possibilidade de transformação social. Não dá mais para acreditar em bla-blá-blá, porque não resolve e o bicho tá pegando”.

Pois é Marcos, bem vindo ao mundo dos mortais, nosso mundo, onde diariamente somos atacados por essas bestas-feras, que invadem nossa intimidade e nos roubam os sonhos comprados em carnês de numerosas prestações, que nos humilham perante nossos familiares e agridem mais nossas honras que nossos corpos com suas coronhadas. Bem vindo ao mundo real dos mortais comuns, alcançado através do muro saltado pelos marginais, que não mais respeitam os “limites” dos condomínios de luxo e suas guaritas de vigilância. Bem vindo a vida de verdade que não é a vida sonhada por você e por outros de seus colegas de profissão.

08 fevereiro, 2006

Fidelização II


Voltando de férias, ainda fora do ar, reaprendendo a digitar e a concordar o sujeito com o verbo, aproveito a oportunidade para novamente fidelizar meus amigos-leitores.
Dessa vez vamos fazer um teste de conhecimentos e o vencedor, ou vencedores no caso de empate, ganhará(ão) dois ingressos INTEIRAMENTE GRÁTIS para o show dos Rolling Stones que será realizado no Rio de Janeiro no dia 18/02/06, além de transporte gratuito até o local.
É o Blog do Ozéas retribuindo aos seus leitores com o que há de melhor.
As perguntas e respostas não são inéditas, foram encaminhadas por e-mail já a algum tempo, portanto, todos os leitores são possíveis vencedores.

As perguntas:

1. Por que laranja chama laranja e limão não chama verde?

2. Porque lojas abertas 24 horas possuem fechadura?

3. Porque "separado" se escreve tudo junto e "tudo junto"se escreve separado?

4. Porque os kamikazes usavam capacete?

5. Porque se deve usar agulha esterilizada para injeçãoletal em um condenado a morte?

6. Quando inventaram o relógio, como sabiam que horaseram, para acertá-lo?

7. Como que os cegos sabem quando terminaram de se limpar quando estão no banheiro?

8. Para que serve o bolso em um pijama?

9. Porque os aviões não são fabricados com o mesmo material usado nas suas caixas pretas?

10. Por que o Pato Donald depois do banho sai com uma toalha em volta da cintura, se ele não usa short no desenho?

11. Se o super-homem é tão inteligente, porque usa a cueca por fora da calça?

12. O Pluto e o Pateta são cachorros, certo? Por que o Pateta fala e o Pluto não?

13. Por que tem gente que acorda os outros para perguntar se estavam dormindo?

14. Por que os Flintstones comemoravam o Natal se elesviviam numa época antes de Cristo?

15 . Por que os filmes de batalhas espaciais temexplosões tão barulhentas se o som não se propaga no vácuo?

16. Por que aquele filme c/ Kevin Costner se chama "Dançacom Lobos" se só aparece um único lobo durante toda estória?

17. Se o vinho é líquido, como pode ser seco?

18. Como se escreve zero em algarismos romanos?

19. Por que as pessoas apertam o controle remoto com mais força, quando a pilha está fraca?

20. O instituto que emite os certificados de qualidade ISO9000 tem qualidade certificada por quem?

07 fevereiro, 2006

Vaidoso como pavão

Poucas honrarias são tão significativas quanto àquelas que nos são conferidas pelos nossos alunos. Ser homenageado por uma turma de formandos, é o reconhecimento que mais marca um professor ao término de um curso.
Ser agraciado com uma placa e ter seu nome citado no rol dos homenageados é muito gratificante, mas ser o Patrono de uma turma de Direito é algo para nunca mais esquecermos. No 2º semestre de 2.005, orgulho-me de ser Patrono em duas turmas do Curso de Direito de minha Instituição.
Permito-me em homenagem aos formandos da 1ª turma do 2º semestre de 2.005, do Curso de Direito do UNIPLI, e por pura vaidade, postar o discurso que proferi na solenidade de colação de grau, ocorrida em 04/02.



Senhores presentes etc...

Prometo ser breve, neste momento de alegria, de festa e comemorações.

Inicialmente gostaria de agradecer a honra de ter sido escolhido pela turma Dr. Guilherme Nilo Chaves como Patrono, sei que a partir desse momento, minhas obrigações com vocês se multiplicam, passo a ficar registrado por toda vida na vida de cada um, e me torno responsável por assisti-los de hoje para sempre como verdadeiro guardião de seus ideais de justiça.

A distinção entre todos os professores que passaram e ficaram em seus corações, não me deixa melhor que Narciso diante de seu reflexo descoberto numa fonte d’água, estou vaidoso, vibrante e mais apaixonado por vocês. Obrigado.

Não sei bem se o momento é apropriado para dizer determinadas verdades, que lhes omiti durante todo o tempo que convivemos, mas tenho que fazê-lo, antes que seja tarde demais.

Preocupem-se meus amigos, vocês foram enganados, disseram-lhes que estavam se graduando em uma ciência normativa e dogmática. Acenaram à todos vocês com mais uma profissão de destaque social e repleta de glamour, lhes prometeram um trabalho e uma vaga no mercado. Mentira, foram enganados, não lhes disseram a verdade real, durante todo tempo que passaram no Curso, vocês estavam na verdade em uma academia militar, estavam sendo treinados para guerra, se forjaram soldados e a partir de agora partirão para o campo de batalhas.

Meus amigos, meus afilhados, vocês têm um novo compromisso, o de defender e guardar a Constituição, as Leis e a Justiça.

Graduaram-se diferentemente de outros que graduam-se no terceiro grau, são depositários do Estado Democrático de Direito, são colunas de sustentação da nossa sociedade.

Conheço cada um de vocês pelo nome, sobrenome, pensamentos e idéias. Atrevo-me a fazer parte de seus sonhos, orgulho-me de ter contribuído na formação individual e no inconsciente coletivo que abita o espírito da turma. Sei do potencial coletivo e individual que hoje colocamos a disposição da sociedade. São homens e mulheres de qualidade profissional inquestionável. Parabéns a vocês.

Nesse momento peço a todos como última lição, esqueçam o que sempre lhes ensinei propositadamente: “coloquem a justiça para fora de sala, primeiro vamos aprender o Direito”.

Melhor, tenham o Direito como suas armas para conquistar a Justiça. Partam para a luta e vençam por ela.

Neste novo milênio, recém iniciado, evidencia-se lamentável paradoxo da trajetória humana ao longo da história. Se por um lado, atingiu-se nível de progresso tecnológico e científico jamais visto anteriormente, por outro, assiste-se à exclusão de milhões de seres humanos do processo de evolução social, convertidos em “escravos do mercado”. Tem-se um mundo rico em progresso para alguns e miserável para “milhões. “A vida é bela” para poucos e trágica para os demais. Em síntese, vê-se uma sociedade humana com imensa dose de injustiça social.

As transformações sociais ocorridas a partir do início do último século, surgidas na Europa e difundidas para o mundo, sem dúvida representaram avanços nunca antes vistos, porém bem aquém das transformações necessárias que urgiam àquela época. Foram elaboradas novas leis que se propunham amparar os mais combalidos na sociedade, novas Constituições surgiram e em seus conteúdos, onde antes somente se lia da organização do Poder e seu exercício, com algumas considerações sobre os direitos civis, para alguns poucos, passaram os novos textos a contemplar alterações na ordem econômica e social. A sociedade sabia que precisava se transformar e se tornar mais justa, entretanto, os senhores do Poder não permitiram que esses avanços fossem de tal monta que evitassem nossa herança contemporânea.

Também, nas lições de Roberto Lyra Filho aprendemos que “a lei sempre emana do Estado e permanece, em última análise, ligada à classe dominante, pois o Estado, como sistema de órgãos que regem à classe dominante, pois o Estado, como sistema de órgãos que regem a sociedade politicamente organizada, fica sob o controle daqueles que comandam o processo econômico, na qualidade de proprietários dos meios de produção”.

Assim, se no século passado as intervenções constituintes e legislativas não transformaram a sociedade, a ponto de efetivamente combater a miséria e as desigualdades, hoje também não podemos ambicionar transformações significativas somente através da atividade legiferante.

Símbolo da modernidade, a propalada “globalização” não é nada mais nada menos que um retrocesso político-social, oculto pela máscara do liberalismo e da economia de mercado. Ao contrário de poucos malintencionados, não acreditamos no fim da história.

O mundo não mudou, as relações de poder não mudaram, o Poder pela história sempre esteve e ainda está concentrado nas mãos dos mais ricos e dos mais fortes, o Poder ilegítimo e abusivo é nosso principal inimigo nessa guerra pela justiça.

Vocês meus amigos, também não se formaram para ser legitimadores do Poder que avilta, não se prepararam nos últimos anos para enfeitar gabinetes ou tribunas, vocês meus amigos, muito pelo contrário, se prepararam para lutar pela dignidade do ser humano, pela soberania de seu país, pela cidadania de seus habitantes, pelos valores sociais do trabalho, pela democracia e pela igualdade das pessoas. Seus ideais de Poder são outros, o Poder para os justos é transformador.

Seus compromissos são com uma sociedade livre, justa, solidária, desenvolvimentista, sem preconceitos ou discriminações, que busque erradicar a miséria e a diminuição das desigualdades sociais. Não são minhas essas palavras e vocês já as reconheceram, pertencem aos ideais contidos nos dois primeiros artigos de nossa Constituição Federal.

Esse é o campo de batalhas que vocês encontrarão a partir de hoje, cabe a cada um optar por qual lado e uniforme que usarão. Não tenho dúvidas por conhecer a todos que ficarão ao lado da justiça.

Como afirmei inicialmente, a partir desse momento minhas obrigações se multiplicaram com vocês, mas a recíproca também se torna verdadeira e ficarei em permanente vigília sobre cada um. Terei sempre as portas abertas para meus afilhados, onde encontrarão refúgio, guarita e suprimentos quando estiverem na luta pelo bem, mas serei implacável com qualquer um que fraquejar em seus princípios.

Aproveito ainda a oportunidade para dizer aos novos bacharéis, que o Direito não é para os fracos, o Direito também não é para os que se valem da força, o Direito é para os sábios que buscam o justo.

No Antigo Testamento, no Segundo Livro de Crônicas, Capítulo 1: do verso 7º em diante, recompensado por Deus, Salomão que durante toda sua vida tinha atendido e obedecido ao Grande Arquiteto do Universo, indagado sobre qual riqueza desejaria possuir, qual bem, honraria ou mesmo a própria morte de seus inimigos, Salomão pediu ao Pai, sabedoria para ser justo com seu povo.

Busquem a sabedoria e alcançaram a justiça, tal como o fez Salomão; sábios e justos, encontrarão o verdadeiro caminho para suas realizações. Busquem somente o ouro e a prata, e encontrarão uma vida vazia e sem propósitos.

Meus amigos, prometi ser breve e assim serei, desejo a todos uma vida de lutas, de boas lutas, coroadas por grandes vitórias. Tenho certeza que com os conhecimentos adquiridos e com o espírito da justiça que anima a cada um, encontrarão a felicidade.

Saúdo a todos meus afilhados e que Deus os acompanhe.

Obrigado.

“A ética do PT é roubar”


FHC primeiro e único, Imperador sem terras, protetor perpétuo da fauna brasilis, membro vitalício do Tucanado Geral da República, cunhou a dura frase “A ética do PT é roubar” em entrevista a revista " IstoÉ " Leia Mais

Convidado ao centro da “Roda Viva”, exibido ontem pela TV Cultura, FHC interpretou seu pensamento, explicando que referia-se na verdade a ausência de ética pequeno-burguesa do PT, traduzida pelos membros do coletivo revolucionário, como necessidades ao projeto maior de transformação social, ou no popular, não há ética capitalista que não mereça ser violada, desde que os fins revolucionários justifiquem os meios.

Ricardo Berzoini ofendido pelos pronunciamentos imperiais, contra-ataca reiterando a ameaça de processo criminal contra a ave maior do Tucanado, querendo ao final obter a condenação do detrator, por ter a honra da agremiação que dirige atacada.

FHC Primeiro e Único, já de caso pensado, muito pensado diga-se de passagem, revida às ameaças, e diz que vai usar da oportunidade para argüir dentro do processo criminal a “exceção da verdade”.

Interessante também é o alvo do ataque escolhido por FHC, o Partido dos Trabalhadores, não o operário-meu-patrão, por que? Porque não há possibilidade legal de provar a verdade quando o ofendido é o Presidente da República.

Oficialmente me parece que começou o primeiro turno eleitoral.

Exceção da verdade:

“A calúnia é por definição, imputação falsa. Admite, portanto, a lei penal, em regra a exceptio veritas, isto é, admite que o agente prove que é verdade o que alegou, excluindo assim, o crime. (Heleno Cláudio Fragoso – Lições de Direito Penal)

“A calúnia admite exceção da verdade (art. 141 CP), salvo em três hipóteses: nos crimes de ação privada, quando o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível (§ 3º , III); nos fatos imputados contra o Presidente da República (§ 3º , II); se o ofendido foi absolvido do crime imputado por sentença irrecorrível ( §3º, III)”. (Cezar Roberto Bitencourt – Tratado de Direito Penal)

Volta ao trabalho


As luzes permaneceram acesas pelos amigos e a casa está limpa para os trabalhos.

Vamos em frente, o ano promete.